

Bom ano, vizinho/a!
Se Lisboa nos escrevesse uma carta agora, o que diria? Que não é um fim de ano leve. Mesmo que as nossas fronteiras pareçam longe dela, faz-se guerra no mundo. E uma guerra nunca é só a guerra dos outros. Cá dentro, mesmo em Lisboa, a história tem sido marcada por outros conflitos: greves na saúde, na educação e nos transportes; tantos (cada vez mais) a viver na rua, outros a deixar a cidade, o distrito, o país apenas para ter um teto.
O mundo, o país e a cidade não estão para descansos e, mais do que nunca, o papel que decidimos ter neles importa.
Na Mensagem, contamos consigo para o desempenharmos juntos. Para traçarmos o que se escreverá na carta de Lisboa em 2024…
Vamos a balanços daquilo que, na Mensagem, fomos capazes de fazer consigo, juntos:
- Imortalizámos um momento histórico numa parede de Lisboa. No Cais da Rocha Conde de Óbidos, desafiámos Vhils a homenagear os refugiados da Segunda Guerra Mundial que passaram por Portugal, e um em especial: Roger Kahan, judeu e fotógrafo francês, que ali, junto àquela parede, retratou a mulher que observamos hoje neste mural no Porto de Lisboa (nossos grandes parceiros neste sonho). Vhils replicou a fotografia de Kahan. E Ferreira Fernandes que descobrira a história deste homem, esquecido por Lisboa, escreveu um livro e, com o realizador Humberto Giancristofaro, um documentário sobre o assunto. Em Lisboa, para assistir a este marco, esteve Rona Coster, a nora de Kahan.

- Chegámos às escolas: tivemos a notícia de que o livro de crónicas do Jorge Costa e o livro das Crónicas de Lisboa em BD, de Ferreira Fernandes e Nuno Saraiva, foram ambos incluídos no Plano Nacional de Leitura.
- Dedicámo-nos a analisar dramas habitacionais e desbloqueámos a situação precária de Elisabete e Victor no Bairro da Boavista, em Benfica. Graças à reportagem da jornalista Ana Narciso e à posterior intervenção da vereadora da habitação Filipa Roseta, garantimos-lhes uma casa digna. É uma conquista do poder do jornalismo responsável e comprometido. Também alguns dos estudantes deslocados com quem o Tomás Delfim falou numa reportagem receberam propostas de leitores para se mudarem para mais perto. Às vezes, só falta isto mesmo: um meio onde podemos conhecer as dores de crescimento uns dos outros, ser empáticos e ajudar com as ferramentas que outros não têm.
- As amas da Cova da Moura foram finalmente contratadas: esta demorou, mas aconteceu. Em novembro, recebíamos a notícia da ama Emília a dizer que teriam finalmente um contrato para exercer a profissão de forma digna. Elas são a salvação de várias famílias precárias. Recorde aqui a história.

- Um ano depois de lançarmos a provocação, num artigo escrito pelo Frederico Raposo, a Rua da Prata tornou-se oficialmente pedonal. Em setembro, com o fim das obras, a Câmara Municipal de Lisboa tornou isso possível. O jornalismo, ao observar, também pode moldar o futuro da cidade.
- Voltou a água quente a um balneário de Arroios, depois de, em março, termos publicado a reportagem da Ana da Cunha que dava conta da falta de água quente num balneário utilizado por pessoas em situação de sem-abrigo e em situação vulnerável. Era uma suposta avaria na caldeira que se resolveu dias depois da reportagem, pela Junta de Freguesia de Arroios.

- A lei da nacionalidade chegou ao Parlamento. Quando demos a conhecer a história de homens e mulheres nascidos em Lisboa e a quem nunca foi dada a nacionalidade portuguesa, ainda que aqui vivam desde sempre, fomos contactados por advogados interessados em apoiar estes cidadãos e a história chegou à Assembleia da República, onde alguns destes homens e mulheres foram ouvidos numa audição em fevereiro.

- Lançámos 4 livros que são testemunhos tangíveis do nosso compromisso contínuo em guardar as histórias da cidade. São eles:

Crónicas de Lisboa
Ferreira Fernandes e Nuno Saraiva
Um livro de Banda Desenhada com histórias curiosas sobre Lisboa, desde o primeiro estádio de Benfica à vida do Almirante Reis, da Júlia Florista e da fadista Severa.
Selecionado para o Plano Nacional de Leitura em 2023.

O Cais da Europa: Roger Kahan, refugiado, fotógrafo – Lisboa, 1940
Cadernos do Arquivo – V.3
Ferreira Fernandes
À descoberta da história de vida do fotógrafo Roger Kahan – judeu refugiado em Lisboa durante a Segunda Guerra.
A fotografia de capa, tirada por Kahan, foi gravada por Vhils numa parede do cais da Rocha de Conde de Óbidos, no Porto de Lisboa.

O homem que via no escuro – A Lisboa de Bruno Candé
Catarina Reis
Um retrato de Bruno Candé, a primeira pessoa em Portugal cuja morte resultou numa condenação de crime motivado por ódio racial. Livro sobre o ator, lisboeta, pais de três filhos, e sobre o seu legado para a cidade e para a Zona J, em Chelas.

Martim Moniz – Como o desentalar e passar a admirar
Ferreira Fernandes
Um livro sobre a Praça Martim Moniz, vítima de sucessivas mudanças e ambições, hoje a zona mais multicultural de Lisboa.
Fotografias de Inês Leote.
- Fomos destacados lá fora: o texto sobre prados de sequeiro foi publicado no Straits Times, em Singapura. A reportagem das amas esteve nomeada para um prémio mundial de jornalismo, o True Story Awards, ao lado de referências como o The New York Times, o The Guardian e a revista Piauí? Isto destaca não apenas a relevância local, mas também a universalidade das questões que exploramos. A Catarina Carvalho, diretora da Mensagem, esteve em vários congressos internacionais a falar da Mensagem, a começar pelo Festival de Jornalismo de Perugia, passando pelo Newsgeist da Google.
- Recebemos o primeiro jornalista invisual: se leu a última newsletter já conheceu o Tomás Delfim. A passagem dele pela Mensagem foi um marco para nós, promovendo a diversidade e a igualdade de oportunidades mas sobretudo pela amizade e o que ele nos ensinou do que falta fazer na cidade para ser para todos. Recorde aqui as palavras dele.

- Debatemos: Porque a Mensagem se tornou uma voz na cidade, fomos convidados para vários debates na cidade. Dois destaques: no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o Álvaro Filho moderou conversas em torno do mote #NÃOPODIAS, no Palácio Baldaya, Benfica, a convite da comissão organizadora das comemorações; em novembro, o Frederico Raposo e a Inês Leote estiveram no CCB, numa conferência sobre o papel das cooperativas, numa missão organizada pela Rede Co-Habitar, da qual fomos parceiros.
- Abordámos os “desertos de notícias” em Lisboa. Estamos na reta final do projeto Correspondentes de Bairro, em parceria com a Associação Passa Sabi, no bairro do Rego, Avenidas Novas. Tivemos connosco, durante um ano, vários jovens que contaram histórias deste lugar (e que normalmente não vêm nas notícias). A iniciativa fez parte do Programa Cidadãos Ativ@s/EEAGrants, gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Bissaya Barreto. Conhecemos histórias como a do músico Lavvy, a de Lia (bailarina, estudante de jornalismo e antiga atleta do Sporting), a do campeão do mundo de futsal Bebé, que agora serve cachupa no restaurante da mãe, mas também a história de um documentário sobre bairrismo e como uma empresa de entregas sobre duas rodas anda a mudar a vida de jovens do bairro. No final do ano, passámos algumas semanas em Algueirão-Mem Martins e em Chelas, partilhando secretárias e debates com moradores (e outros curiosos), para chegarmos às melhores histórias que nunca ninguém contou. Fizemo-lo com uma bolsa europeia do projeto “Local Media for Democracy”, do European Journalism Fund, e com a ajuda dos nossos parceiros e investigadores Dora Santos Silva (FCSH-UNL) e António Brito Guterres. Mas também dos nossos anfitriões: o coletivo Unidigrazz (Mem Martins) e o Kriativu (Chelas). O resultado? Iremos partilhar consigo em janeiro.


- Lançámos um Clube de Leitura de Lisboa n’A Brasileira do Chiado, a nossa sede emocional, onde a nossa jornalista Ana da Cunha tem levado escritores para debaterem com os nossos leitores. Lisboa é o mote – como personagem principal ou como paisagem de um livro. Acontece todas as últimas semanas de cada mês.
- Fomos reconhecidos em prémios e distinções. Ganhámos o Prémio SAPO de jornalismo digital, o Prémio Crónica Rogério Rodrigues na Amadora, os prémios de Jornalismo Colaborativo, Jornalismo de Proximidade e de Produto/Projeto Jornalístico nos prémios de inovação do ObiMedia, da FCSH/UNL, os prémios de ciberjornalismo de proximidade do OBCIBER, o de projeto inovador da Associação Portuguesa de Imprensa e os dois prémios de Direitos Humanos e Integração da UNESCO.

No fundo de tudo isto que aconteceu ao longo de 2023, estão histórias que ajudaram a transformar a cidade de Lisboa. E esse é o verdadeiro galardão.
O que aí vem:
Estamos já preparados para a largada, porque janeiro vai ser de grandes novidades: temos preparados reportagens e eventos há muito pensados – e sobre os quais daremos novidades muito em breve.
Não poderia haver melhor forma de começar um ano em que estaremos a comemorar 50 anos de liberdade de imprensa – e ainda há muito por fazer para ouvir todos e chegar a muitos mais.
A primeira mudança será no nosso site: porque queremos que faça parte deste projeto e que o viva como nós, temos de começar pelas pequenas coisas, por isso, a partir deste ano, verá nas reportagens da Mensagem fotografias de bastidores. Como esta:

Abriremos o ano tal como o terminámos: gratos, com espírito de missão reforçado e com o mesmo pedido – ajude-nos a transformar esta Lisboa. Pode fazê-lo sempre através do nosso e-mail (geral@amensagem.pt) ou das nossas redes sociais. Partilhe histórias ou ideias – o que vem para construir cidade é sempre bem-vindo.
Obrigada por nos ajudar em 2023! E que seja um 2024 de mais e melhor trabalho todos juntos.
Bom ano, vizinho/a!
– da equipa da Mensagem de Lisboa
Esta newsletter foi ilustrada por alunos da Lisbon School of Design, sob coordenação de Nuno Saraiva
Leia antes do final do ano:

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
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