É escritora. No seu primeiro romance, descreve a plumagem do Passeio Público e, no segundo, as saudades dos que partiram do Cais das Colunas. Os cafés de Lisboa são escritórios convenientes e o rio o repouso dos olhos. 


Noé de Alcântara

Lembrei-me logo dele na primeira noite de dilúvio: o gargarejo das tampas de esgoto, os clarins hidráulicos a ressoar nas canalizações tragando a chuva, o estômago dilatado das comportas, e aquele cheiro oxidado a fim do mundo, quase sempre à altura das copas das árvores, agora ao nível das narinas. Devolviam-me o seu rosto inquieto,…

Levar os meninos à escola

Há uma angústia intrauterina nesta espera. A impotência dentro do carro, tendo como fronteira a traseira do carro da frente. Vogando no líquido diáfano dos pensamentos como o feto preso à vida por um cordão, comecei a calcular o tempo de pára-arranca em função do ponto exato da cauda da fila. Antes da paragem, 25…

Amor e uma Roulotte, ou os subúrbios de Lisboa a 200 km

Em Agosto, os subúrbios de Lisboa prolongavam-se por mais de 200 quilómetros, até ao parque de campismo de Melides. Um alvéolo 9x6m na zona com mais pinheiros – e, por isso, com mais sombras – pago a prestações todos os meses era, durante os anos noventa, o oásis motivacional dos utentes diários da linha de…

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