É escritora. No seu primeiro romance, descreve a plumagem do Passeio Público e, no segundo, as saudades dos que partiram do Cais das Colunas. Os cafés de Lisboa são escritórios convenientes e o rio o repouso dos olhos. 


Os cascos dos Unicórnios não pisam a calçada

Abrando o táxi, junto ao passeio, moderando o chiar dos travões sem óleo com uma pressão leve de embraiagem. Já os topo ao longe, as malas a tiracolo, as meias berrantes expostas pelas bainhas curtas, e dou-me ao luxo de me mostrar distraído. Paro à distância e, pelo retrovisor, sigo-lhes os movimentos cambaleantes, claro está,…

Os domingos da ginástica passiva*

Aos domingos, antes de o iPhone tocar para a meditação, a Frederica salta da cama, testa a flexibilidade, toca com os dedos no chão, e sai para a rua em traje de treino com o sumo multivitamínico a correr no esófago. Da casa em frente, com uma assoalhada a mais do que a nossa e um salão de…

Fantasia para dois deputados e um mata-moscas* 

Vou contar como vi e ouvi sem acrescentos. Tudo aconteceu no dia do grande terramoto. Estavam sentados a duas mesas e percebi o que diziam. Um era calvo e gordo, uma barriga que sobrava do guardanapo, e o outro esticado e marreco, de quem pede muitas vezes “com sua licença”. – Que bicheza tem aí…

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