Olá, vizinhos e vizinhas!

Já ouviram falar em jornalismo de 15 minutos?

Se não, não se preocupem, é uma expressão que acabei de inventar. Aproveito para me apresentar: sou o Álvaro Filho, repórter na vossa Mensagem de Lisboa. Mas apesar de recém-criada, esta expressão traduz muito bem o prazer da experiência de fazer jornalismo local.

O termo toma emprestado o conceito da “cidade de 15 minutos”, de que já falámos muitas vezes aqui na Mensagem. É a ideia de que alguns locais permitem aos cidadãos uma vida de qualidade com trabalho, lojas e serviços num raio que não ultrapasse um quarto de hora de onde vivem – a pé ou de bicicleta. No fundo, aquilo que era uma cidade antes de se terem criado os automóveis, os subúrbios e as longas distâcias quotidianas.

Para mim, Lisboa é essa cidade, e também no jornalismo que faço. Recentemente reparei que grande parte das histórias que contei na Mensgem, foram feitas no bairro onde vivo, em Alvalade. Algumas como a mais recente, sobre o Clube Atlético de Alvalade, mesmo a poucos passos da minha casa.

Essa foi jornalismo de cinco minutos!

Houve ainda a malta do Cineclube de Alvalade, a fantástica conversa com o diretor do Jornal da Praceta e o exemplo dos heróis do Pedalar Sem Idade, as C-Shirts, entre outras.

Tudo histórias das redondezas que mostram que o jornalismo pode ir ao fim da rua para mostrar o que é o fim do mundo. Mesmo a reportagem que fiz sobre a flash mob de protesto ucraniano em Lisboa, não terei demorado mais de 20 minutos a chegar a ela.

Tal como explica o Vhils, na entrevista que dá hoje à Mensagem, ou ontem, o António Brito Guterres, a propósito das exposições que inauguraram hoje no MAAT, as lutas locais são lutas globais. E quanto mais perto nos sentimos mais as sentimos…

O fixe disto é também encontrar com as personagens das histórias pelo bairro, receber o aceno à distância de Amos a conduzir o seu trishaw ou dividir um café com o Carlos, jornalista hiper-local, e colocar os assuntos sobre o bairro em dia.

Não se deve confundir, porém, o jornalismo de 15 minutos com comodismos ou até preguiça do repórter. Esta é uma prática que exige sensibilidade, atento ao que acontece em volta, pois o que parece natural para os nossos olhos às vezes é surpreendente para as outras pessoas. É isso que fazemos na Mensagem, desde o começo.

E lembrar sempre que todos nós, até mesmos os nossos vizinhos – ou principalmente esses – têm uma boa história para contar.

Esse tem sido o meu jornalismo de 15 minutos. Espero que continuem a segui-lo! E que me mandem ideias – sobretudo os vizinhos do meu bairro de Alvalade. Quando me virem por aí – acenem!

— Álvaro Filho, jornalista

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