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Maycon Ananias é cheio de pinta. Tem um visual da velha guarda de Hollywood, é alto, moreno e bonito, mas também pode ter um certo ar de personagem de banda desenhada. Com um bigode que dá nas vistas, consegue um manancial de caretas que fariam inveja a Jim Carrey. “Sou cheio de expressões cómicas”, admite.

Talvez não surpreenda que Maycon trabalhe no cinema. Não como ator, mas como compositor. O seu currículo é impressionante. Foi nomeado para um Grammy Latino e foi premiado pelas suas bandas sonoras. Além de compor para dez filmes, produziu música para eventos especiais como a cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos de 2016.

O que é preciso para criar uma boa banda sonora? Faz uma pausa na já mencionada expressão dramática e ao mesmo tempo cómica. “Paixão”. Pausa. “Dedicação”. Pausa. “E tens de estar em sintonia com o realizador.”

Maycon compõe a maior parte da sua música com nada mais do que um papel e um lápis antes de começar a trabalhar com uma orquestra de cordas. “Sei que é extravagante, mas é uma ótima maneira de fazer música.”

De onde vem a música? “Ouço antes as melodias na minha cabeça. Há sempre música a tocar na minha cabeça. O tempo todo”.

Maycon estudou Belas Artes numa universidade em Curitiba, Brasil, a sua terra natal. Foi lá que começou a compor música. “Havia um grupo de nós que estava nessa, da música.” Um dia foi confrontado por um professor que lhe perguntou o que fazia ali, em Belas Artes. “Naquele momento, tomei a decisão de ser compositor para cinema.  Encontrei a minha vocação. E depois foram sete anos de conversa, antes de compor para a minha primeira longa-metragem.”

Maycon explica que compôs música para longas e curtas-metragens, anúncios publicitários e séries televisivas. Mas entusiasma-se quando conta que recentemente compôs para um “filme de moda”. “Adorei porque de repente estava a colaborar com o tipo que desenha as minhas camisas. Adoro trabalhar com artistas de diferentes disciplinas”.

Se vestisse a pele de um personagem, Maycon daria um bom detetive cómico. Inspetor Clouseau, talvez. Tem a ver com a forma como olha em volta enquanto percorre as ruas de Lisboa. Poderia pensar-se que está à procura de pistas, mas provavelmente está à procura de ideias para bandas sonoras. “Lisboa é uma grande cidade. Inspira-te a fazer música.”

Inspirações?  “A música brasileira faz parte das minhas raízes. Adoro Heitor Villa-Lobos. Mas também os clássicos, como Ravel e Debussy. E John Williams, claro.

Adoro esta cidade. Gosto de andar pelas ruas e pelos becos estreitos.

Maycon Ananias

Maycon sente-se mais confortável a fazer música dramática, mas gostaria de ser mais desafiado, mais posto à prova. Uma comédia romântica? “Sim, claro, mas sou um tipo do drama.”

“Adoro tudo no ambiente de produção de filmes. Gosto de conviver com realizadores e atores. Os operadores de câmara, os tipos da iluminação… Gosto de fazer parte da equipa dos bastidores. Gosto de aprender tudo. Adoro.”

Maycon adora cinema e não tem pudor em admitir que o faz chorar. “Bons filmes, grandes filmes, grandes bandas sonoras, tudo isso me faz chorar.”

Quando não está a fazer música, Maycon é um entusiasta de vinhos, tanto que decidiu lançar o seu último álbum no rótulo de uma garrafa de vinho. “Começou como uma piada. E depois tornou-se possível.”

A garrafa de vinho de Maycon tem um impressionante retrato dele pintado no rótulo. Segura-a com orgulho antes de a abrir. “Há um link e um código no rótulo para ouvir o álbum.”

“O vinho é fresco e ligeiramente ácido, num bom sentido. Tem umas notas de bagas escuras. É realmente selvagem. Podes saborear um pouco de natureza.”

Maycon quer ficar em Lisboa. “Há 12 anos que a visito todos os anos. Adoro esta cidade. Gosto de andar pelas ruas e pelos becos estreitos.

Sentado atrás de um piano a tocar música num lugar cool de Lisboa, o público fica rapidamente hipnotizado pelos seus dedos dançantes e toda a sua presença. Assistem fascinados enquanto Maycon põe todo o seu charme na atuação. Ao piano, está claramente em casa. É agora o artista. Depois da atuação improvisada, a multidão que o ouvia quer tirar fotografias com ele, pede-lhe autógrafos, quer comprar o vinho dele. É uma cena e tanto.

Maycon está, neste momento, no seu elemento.

Parceria com o projeto People of Lisbon.


Photo: Rita Ansone

The Brazilian composer who loves Lisbon and released an album in a bottle of wine: “This city inspires me”

For 12 years Brazilian film composer Maycon Ananias has been visiting Lisbon. The city provides the inspiration to his music. He has decided that now might be the time to stay a bit longer.

Maycon Ananias is full of character. He has an old school Hollywood look – he’s tall, dark and handsome. But he also has more than a pinch of a comics peculiarity. Complete with a standout mustache, he has an ability to animate his face to a level that Jim Carrey might be satisfied with. “I’m full of funny expressions,” he admits.

Perhaps it is not a surprise that Maycon does work in films. Not as an actor – but as a film composer. His CV reads impressively. He has been nominated for a Latin Grammy and received awards for his soundtracks. As-well as composing for 10 feature films he has produced music for special events such as the opening ceremony of the 2016 paralympic games.

Maycon Ananias, composer of soundtracks, has a great repertoire of comic facial expressions. Photo: Rita Ansone

What makes a good film score? He takes pause in that dramatic and yet comedic way that has been mentioned before. “Passion.” Pause. “Dedication.” Pause. “And you need to be close to your director.”

Maycon is happy to compose most of his music with nothing more than a paper and pencil before moving on to work with a string orchestra. “I know it’s fancy but it’s a great way to make music.”

Where does the music come from? “I hear the melodies in my head beforehand. Music is always playing in my head. All the time.”

Maycon studied fine arts in college in Curitiba, Brazil, where he is from. It was there where he first got into composing music. “There was a group of us that were into it.” One day he was confronted by a teacher who asked – ‘what are you doing here?’ “In that moment I made the decision that I wanted to be a film composer. I found my calling. And then it took seven years of talking, before I composed my first feature film.”

Maycon explains that he has composed music for feature and short films, commercials and tv series. But he gets a little excited when he starts explaining how he has recently composed for a ‘fashion film’. “I felt so good because I was collaborating with the guy that designs my shirts. I love working with artists of different disciplines”

If playing a role, Maycon would make for a good comedy detective. Inspector Clouseau perhaps. It’s the way he casts his eyes around as he walks the streets of Lisbon. You might think he’s looking for clues, but he’s mostly likely looking for musical ideas. “Lisbon is a great city. It inspires you to make music.”

Inspirations? “Brazilian music is in my roots. I love Heitor Villa-Lobos. But, also, the classics like Ravel and Debussy. And John Williams of course.”

Maycon is most comfortable making dramatic music, but he would like to be challenged more. A lighted hearted comedy? “Of course, yes. But I am a drama guy.”

“I love everything in the film making environment. I like to hang out with directors and actors. The camera guys, the lighting guys… I like to be part of the backstage crew. I like learning all about it. I love it.”

Maycon loves the movies and is not shy to admit that they bring him to tears. “Good movies, great movies, great scores make me cry.”

When not making music Maycon is a wine enthusiast, so much so that he has decided to release his latest album in a bottle of wine form. “It started as a joke. And then it became possible.”

Maycon’s wine has an impressive painting of him on the front. He holds it proudly before uncorking it, “There is a link and code on the bottle to listen to the album.”

“The wine is fresh and just a little bit acidic in a good way. You have some dark berries. It’s really wild. You can taste a little bit of nature.”

Maycon wants to stay in Lisbon. “I’ve been visiting every year for 12 years. I love this city. I like walking the streets and the little alleys.”

Sitting behind a piano to play some music in a cool Lisbon venue, people are quickly mesmerized by his dancing fingers and overall presence. They watch on in awe as he turns on the full charm. He is clearly at home behind the instrument. He has become the entertainer. After the impromptu performance, the watching crowd want to take photos with him, they want to get his autograph and to buy his wine. It’s quite a scene.

Maycon at this point is in his element.

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