Olá vizinhos e vizinhas,

Amanhã é um dia especial. Simbólico. Mas que tanto nos faz pensar: vivemos 17 500 dias de democracia. Exatamente mais um dia do que aqueles que foram vividos em ditadura.

É também amanhã que se iniciam as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. E a Ana da Cunha leva-nos num roteiro com os lugares mais marcantes da revolução em Lisboa que dois investigadores mapearam através da literatura.

Eu não estava cá para confirmar como foi esse tempo. Mas sei dar valor à liberdade. Sobretudo agora quando nos batem à porta tantos que fogem de uma ameaça de falta de liberdade. Da Guerra. De um país arrasado.

Também esses – como os que por cá combateram a ditadura – deixaram a sua vida pessoal para trás para lutar pela paz e pela liberdade.

“Fui levada por anjos”. Anna Borsuk conseguiu fugir da Ucrânia, com as duas filhas em cada mão. Sem olhar para trás, atravessou a Europa até Portugal. Agora, à procura de um pouco de normalidade, inscreveu as filhas numa das muitas ‘escolas de sábado’ ucranianas do país.

Nesta escola, aqui, em Benfica, o corredor enche-se de crianças e jovens, do 1.º ano ao ensino secundário, unem-se, levam a mão ao peito e, em todos os intervalos, rezam juntos: “Slava Ukraine”, repetem. “Glória à Ucrânia e glória a todos os que estão a combater.” É isto que se pode ler na reportagem da Catarina Reis sobre recomeçar uma vida em Lisboa, num estalar de dedos.

A maior parte dos que nos chegam destas paragens são mulheres. Essas que agora levam a sociedade ucraniana às costas. Foram também elas que muito beneficiaram dos 17 499 dias de liberdade que já tivemos – nos seus direitos e lugar na sociedade.

Mas ainda há tanto por fazer: da desigualdade salarial às cidades. São vários os estudos que confirmam que as cidades têm mais obstáculos para elas. As cidades são, sobretudo, pensadas e executadas por homens. É um tema sobre o qual já escrevemos aqui na Mensagem.

E, como também estamos no Mês da História das Mulheres, comemorado nos EUA, a Embaixada Americana em Lisboa desafiou-nos para uma conversa, na Brasileira do Chiado:

  • Mulheres e Cidade em debate: esta quinta-feira, 24 de março, às 18:30.

    Como seriam cidades pensadas para mulheres? O debate será apenas online e pode assistir à transmissão no Facebook ou Twitter da Mensagem. Se quiser participar via Zoom, faça a sua inscrição aqui e amanhã iremos enviar-lhe o link para aceder.

    Connosco teremos Kristin M. Kane, diplomata, chargé d’Affaires da Embaixada Americana; Sofia Castelo, arquiteta, diretora de resiliência ambiental e climática da Think City, Malásia. Co-fundadora das Mulheres na Arquitetura; e Maria João Martins, jornalista e professora de História da Moda na Universidade Carlos III de Madrid.

Obrigado por estarem desse lado a acompanharem-nos. Boa semana!

Nuno Mota Gomes

Contribua para a Mensagem

Um ano depois, graças à Mensagem, Lisboa e os lisboetas conhecem-se melhor. Sabemos mais histórias, conhecemos melhor os nossos heróis da cidade
e a sua História, temos menos zonas de sombra.

Para que possmos continuar a fazer este trabalho de jornalismo de proximidade, consigo, precisamos do seu apoio. Dê a sua contribuição para que este projeto possa crescer e fortalecer-se, a bem de Lisboa e dos lisboetas.