As cidades são os lugares das revoluções – porque conjugam a massa crítica de gente e albergam os laços humanos que permitem começar a tecê-las. Lisboa não fica atrás e foi por isso o palco de muitas. Neste texto, o Álvaro Filho recorda as muitas revoluções que fizeram da cidade campo de batalha.

Em todas elas, o povo teve o papel principal. Em nenhuma delas esse papel foi mais romântico – e romantizado do que no 25 de Abril. Dos cravos nas espingardas, à ocupação pelo povo de todas as praças, as imagens – que uns viveram e outros olharam a história através delas – mostram isso mesmo. 

Todos os anos, neste dia, fico com nostalgia do que não vivi (tinha 2 anos) e reencontro-me com as ideias de esperança – igualdade, fraternidade, democracia e liberdade – por vezes esquecidas no nosso quotidiano. Arrepio-me ao ouvir o Grândola e o Depois do Adeus. Emociono-me com as multidões a descer a Av. da Liberdade. 

Este ano, foi ainda mais emocionante, e de uma forma diferente – assisti ao concerto do Dino D’Santiago nos jardins do Palácio de São Bento. “Eu estar aqui é um marco”, disse ele, o nosso Dino, esse ser abençoado pela luz do otimismo que não o larga. Na t-shirt ele tinha o slogan perfeito para o momento: “Preto, estás na tua terra.”

Cantou para a Lisboa misturada, a sua “cachupa” como ele lhe chama – embora, nos relvados não estivesse tão misturada como devia, não estivesse tão mista como, tenho a certeza, há-de ser um dia. Vejam aqui as imagens.

São passos pequenos que damos, como comunidade, e é muito interessante que este tenha sido dado em abril. Até porque é esta a Lisboa moderna e com futuro. O próprio António Costa disse a Dino que nunca tinha estado tanta gente neste dia aberto, e a isso não será alheia a popularidade do cantor.            

Esta semana, que ainda marca as comemorações de Abril, propomos aos nossos leitores, vizinhos, membros, que entrem no espírito, e façam connosco um passeio por esses lugares que o 25 de Abril cunhou e que ficaram marcados na literatura. 

O passeio será no próximo sábado, dia 30, guiado por Ana Isabel Queiroz e Daniel Alves, autores do mapa com os lugares representados nos livros do 25 de Abril, do Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL. O passeio parte do Terreiro do Paço, passando pelo Rossio, Rua do Carmo e Rua António Maria Cardoso. 

Este passeio tem um custo de 10 euros (inclui taxa de reserva) e podem inscrever-se aqui neste LINK. Gostavamos muito de os ter lá!

— Catarina Carvalho

Contribua para a Mensagem

Um ano depois, graças à Mensagem, Lisboa e os lisboetas conhecem-se melhor. Sabemos mais histórias, conhecemos melhor os nossos heróis da cidade
e a sua História, temos menos zonas de sombra.

Para que possamos continuar a fazer este trabalho de jornalismo de proximidade, consigo, precisamos do seu apoio. Dê a sua contribuição para que este projeto possa crescer e fortalecer-se, a bem de Lisboa e dos lisboetas.

Já nos segue nas redes sociais?