Olá, vizinhos e vizinhas!

Em janeiro, quando Samim Seerat, refugiado afegão em Lisboa, começou a escrever na Mensagem, a ocupação do Afeganistão pelos Taliban era o acontecimento internacional que mais nos apertava o coração. Mais uma guerra que não era de armas e posições, mas que atacava o cerne da vida democrática, dos valores humanistas, do direito às pessoas serem o que querem ser.

A liberdade.

Era o caso dele e da sua família, todos livres, todos laicos, todos com pouca vontade de se cobrirem de panos – Roya, a mulher, – e de começarem a professar aquilo em que não acreditavam. Por isso largaram a pátria, fugiram até ao outro lado do mundo e em Lisboa encontraram “a paz” como ele não se cansa de dizer. Roya teve, em janeiro, o primeiro lisboeta da família, na maternidade Alfredo da Costa.

“Estamos felizes por hoje vivermos em Lisboa, uma cidade onde as pessoas são muito boas. E estamos esperançosos de nos tornarmos cidadãos deste país e continuamos a viver nesta cidade. Foi muito difícil para nós emigrar no início, e hoje estamos felizes por termos conseguido superar as dificuldades e por vivermos num país pacífico. Porque nunca nos sentimos paz no nosso país, em mais de 30 anos. As nossas vidas. Hoje sentimos paz e sabemos o significado da paz e esperamos que tudo o que nos aconteça neste país seja bom e possamos ter uma ótima vida”, dizia Samim, neste texto em que comemorava o nascimento do filho.

Por estes dias, em que as lágrimas não param de nos chegar aos olhos noutra batalha pela liberdade, esta mais próxima, na Ucrânia, e em que todos os dias nos chegam refugiados novos, desta vez europeus, não consigo deixar de pensar na família Seerat.

Apesar de viverem em Portugal há seis meses, ainda não têm a vida estabilizada – apesar de falarem inglês perfeito, ainda não conseguiram um emprego compatível. Já têm uma casa, mas os apoios vão escasseando.

“E nós não somos os piores”, diz Samim, que vê, no Centro de Refugiados onde esteve, muitos compatriotas que não tem os seus conhecimentos e desenvoltura. “Alguns nem sabem usar um smart phone”. Gente que veio do campo, e não de Cabul, como ele. E agora se sente completamente perdida.

E sim, podíamos ser nós. Samim era executivo de um empresa de media, Roya era financeira. Uma família moderna, de classe média, com estudos unversitários e muita vontade de viver. Com o azar de ter nascido num lugar impossível.

Samim e Roya têm muito que contar destes meses em Lisboa, como foram acolhidos, o que querem fazer da vida. Lições de vida.

Quem quiser ler as crónicas de Samim, aqui as tem.

“Zaeim, o nosso rei, nasceu em Lisboa”

Quem chega à posição de líder, ou rei, passa sempre por dificuldades e desafios. Vem […]

Diário de um refugiado. “Zaeim nasce em Lisboa, filho de refugiados, mas terá uma infância cheia de amor e paz”

Meu nome é Ahmad Samim Seerat, tenho 30 anos e sou um das centenas de […]

Esperamos vê-os todos na quinta-feira, e quem tiver alguma oportunidade para Samim ou Roya, já sabe, é só enviar um email para geral@amensagem.pt

Obrigada!

— Catarina Carvalho


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