Olá, vizinhos!

Quem vos escreve hoje é a Catarina Reis, repórter da Mensagem.

Eu sei que o assunto destes dias está longe de ser este, que estamos cansados do que ouvimos, do que lemos, do que acreditamos e desacreditamos. Mas isto é tão bom que não merece passar em branco – até porque diz muito do que se discutiu por estes dias, noutras paragens.

Quando digo “isto”, falo da Mensagem de Lisboa na Prova Oral, com o Fernando Alvim e a Diana Duarte.

Mas “isto” é também a quantidade de histórias fantásticas que o nosso jornal tem trazido nos últimos dias sobre esta cidade que nos surpreende cada vez mais – mesmo a nós, que estamos deste lado. Foi uma semana como há poucas.

Nem saberia por onde começar, confesso. Se pela reportagem deliciosa que o Nuno Mota Gomes escreveu sobre o Sam The Kid e esta mancha da cidade da qual poucos falam. Agarra-nos pela mão e lá vamos nós por Chelas, aquela onde quase nunca estamos, mas devíamos.

Sam The Kid e a vida em Chelas. “Há aqui uma história sobre a qual temos tanto orgulho”

Ou se pelas reportagens da Maria João Martins, de quem eu tanto gosto, não só por quem é, mas pelo que escreve – como escreve. Conta-nos sobre estas pessoas que subiram às árvores para as defender, num retrato pleno do que é o sentido de comunidade.

Uma história que nos chegou pelo olhar atento do Frederico Raposo, sempre com as melhores na manga. Esta semana escreveu sobre uma das suas paixões, as bicicletas, e um dilema que muitos de nós temos: onde estacioná-las sem correr o risco de sermos roubados.

E agora, onde é que guardo a bicicleta? Guia e mapa para saber estacionar na cidade

Ainda durante esta semana, a nossa Maria João lançou-nos nos 100 anos do Diário de Lisboa, sobre o qual dedicámos um Especial. Aqui, contámos com convidados especiais – e cujos nomes não passam despercebidos quando se fala em jornalismo.

Diário de Lisboa. O centenário do jornal com o nome da cidade

“A menina sabe quem é que viveu neste quarto?”

Depois, há o Álvaro Filho, que escreve as histórias dele como nenhum de nós saberia fazê-lo. É o que costumamos dizer aqui entre nós e juro-vos que é verdade. Quem o lê sabe do que falo. Esta semana, contou-nos sobre moinhos. Em Lisboa. Estão vivos.

O nosso Jorge Costa, que até há pouco tempo era sem-abrigo e que escreve mensalmente para nós sobre esta sua era nas ruas de Lisboa, voltou para nos fazer sentir pequeninos.

Desta vez, falou sobre o que é isto de ter padrinhos de rua. E eu só penso no que ele ainda tem para escrever e que já me confidenciou. O duro que é.

E a semana foi mesmo boa, afinal, porque nos reunimos com quem nos lê, pela segunda vez desde que estamos cá fora. Por Zoom, porque este vírus ainda não nos dá tréguas.

Foi tão bom. Sabíamos lá nós o que estávamos a perder, enquanto jornalistas, por nunca o termos feito. O que um jornalista aprende (do melhor e do pior) quando se defronta com a comunidade para a qual escreve… Assim mesmo, olhos nos olhos.

É disso que fala este texto da Catarina Carvalho, que devemos reler sempre que quisermos recordar a nossa missão original.

Esta Mensagem faz-me muito feliz. Mesmo nestes dias e semanas em que questionamos tudo.

E, se ainda vos restar tempo: há também um novo episódio do Sons de Lisboa para pôr ao ouvido.

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Ou seja, todos os nossos conteúdos são e estarão abertos – quem contribui fá-lo por achar que estamos a fazer um bom trabalho e devemos continuar. Em breve, quando o mundo se normalizar, alguns dos nossos eventos serão exclusivos para os membros desta comunidade.

Fazer jornalismo é caro – e, quanto mais recursos tivermos, melhor o poderemos fazer. O dinheiro também compra tempo: de aprender, investigar, procurar a melhor e mais completa versão de uma história. Mais recursos, mais histórias.

Por tudo isto, aqui vai o lugar onde podem contribuir para este projeto:

Todo o valor recebido será investido no projeto.

Além de tudo isto, um convite: hoje, que é dia do café, venha beber um café virtual connosco no Facebook da Mensagem e da Brasileira do Chiado, onde vamos conversar sobre isso. Cafeína, um bom café, a importância do debate à volta do café.

Sem mais, despeço-me, esperando que continuem connosco nesta aventura em Lisboa.

Até para a semana

Catarina Reis
Jornalista