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1º episódio, Cidades Impossíveis: Berlim, Alemanha

Fazer frente à crise da habitação é um dos grandes desafios enfrentados por Lisboa neste momento. Há 48 mil casas sem habitantes e milhares de pessoas que não conseguem encontrar uma casa a preços comportáveis. Ora, a procura de soluções para este problema é precisamente um dos temas da série Cidades Impossíveis, com realização de Ricardo Moreira e produção de Irina Pampim.

No primeiro episódio, que a Mensagem transmite hoje online, a série visita Berlim, cidade em que se realizam referendos para o controlo dos valores das rendas e em que 55% dos novos fogos habitacionais construídos destinam-se a habitação a preços controlados.

Este primeiro episódio da série Cidades Impossíveis, intitulado “Casas que as pessoas podem pagar”, estreia hoje na Mensagem. Os seguintes irão para o ar nas próximas semanas, mas na próxima segunda-feira, 27 de junho, às 18 horas, todos os quatro episódios serão transmitidos na Sala 3 do Cinema São Jorge, em Lisboa. A sessão será seguida de um debate em que o público pode participar. A entrada é livre.

Na Mensagem, a estreia dos episódios terá uma cadência semanal:

Berlim: 22 junho
Bruxelas: 29 junho
Barcelona: 6 julho
Luxemburgo: 13 julho
Helsínquia: 20 julho

A ideia desta série começou a ganhar forma em 2019, antes ainda da pandemia, em “intensos debates” com família, amigos e colegas sobre as transformações que as cidades estavam a sofrer, sempre com a crise climática como pano de fundo, que sublinha a necessidade de mudança, conta Ricardo Moreira, realizador da série (ex-deputado municipal e assessor do Bloco de Esquerda na CML e investigador em políticas públicas).

Olhar para outras cidades para “ver se dava”. “E dá”

A ideia inicial passava por “fazer uma coisa que fosse para as redes sociais e para os nossos amigos”. Rapidamente percebeu que, com a ajuda da sua rede de contactos, seria possível chegar a interlocutores internacionais e, então, a visão expandiu-se. “Tenho a enorme sorte de ter um conjunto de amigos que são produtores, videógrafos e editores e percebemos que conseguíamos avançar”, diz.

Ricardo Moreira, nas filmagens, em Berlim.

A pandemia trouxe “indefinição” aos planos de Ricardo Moreira e restante equipa e só no verão de 2020 perceberam que era possível avançar com o documentário. “Fizemo-lo com uma equipa de duas pessoas na rua e o resto em pós-produção”. Só depois de gravados os episódios, quando viram o material, perceberam: “Isto tem potencial para ser mais do que apenas nas redes sociais”. De conversa de amigos a série documental, a ideia havia feito o seu percurso.

Agora, o objetivo é mesmo “alimentar o debate” em torno dos desafios que as cidades enfrentam.

O primeiro episódio, que aqui se estreia, procura apresentar soluções para a crise da habitação nas cidades, através da capital alemã. Recorde-se que, em Lisboa, só em matéria de situações de carência habitacional, a estratégia municipal para a habitação, para 2019-2024, identifica 8614 casos.

“Sempre que arranjávamos uma solução ou descobríamos que alguém tinha algures uma chave para aquele problema, diziam-nos: ‘Pois, isso aqui não dá’.”. Então, saíram, de visita a outras cidades europeias. Tudo para “ver se dava. E dá”, garante.

A impossibilidade descrita no nome da série remete para “a ideia de uma coisa que é impossível, mas que, afinal, pode fazer-se. Mostrar que estava feito noutro sítio era muito importante para nós”, afirma Ricardo. Em Berlim, por exemplo, a equipa procurou mostrar que, entre decisores políticos e sociedade civil, há quem esteja na linha da frente da procura pela concretização do direito à habitação.

“Aquilo que encontrámos em Berlim foi que as pessoas discutiam a questão das rendas de uma forma que nunca consegui sequer [que] passasse da primeira palavra quando estou a falar em Portugal”. Ali, diz, fala-se de “rendas máximas”, de “travão às rendas”.

Há, afinal, soluções já provadas para a crise da habitação? Para a mobilidade sustentável? Para pôr termo à situação de sem abrigo enfrentada por tantas pessoas? Ricardo foi ao terreno, procurar estas mesmas soluções e perceber o seu impacto.

“Tivemos muita sorte porque conseguimos falar com secretários de Estado, vereadores, ministros, pessoas que de facto estão a implementar estas medidas nas cidades”. Em Helsínquia, Barcelona, Luxemburgo e Bruxelas e tantos outros desafios, descobriram “que em todos os sítios o processo é demorado, longo, implica muita pedagogia, porque são visões muito novas ainda, mas que em todos os sítios, com as devidas adaptações, é possível”.

Os desafios: habitação, situação de sem abrigo, mobilidade e produção alimentar sustentáveis

Pôr termo à situação de sem abrigo enfrentada por milhares de pessoas, responder aos problemas da mobilidade e usar a cidade como espaço de produção sustentável de alimentos são outros dos desafios enfrentados pelas cidades para os quais a série portuguesa procurou resposta.

A 29 de junho, por exemplo, irá para o ar o episódio de Bruxelas sobre agricultura urbana e onde se explora “a ideia de que podemos utilizar os telhados para a produção de alimentos”. No dia 6 de julho, fala-se de Barcelona e da sua estratégia para diminuir a dependência automóvel e promover o usufruto do espaço público através dos superquarteirões. O foco vira-se para Luxemburgo a 13 de julho, num episódio sobre a gratuitidade da rede de transportes públicos, adotada em 2020 e que conduziu a um aumento de 35% na utilização da rede de elétricos.

Por fim, a 20 de julho a Mensagem estreia o último episódio, gravado na capital da Finlândia, Helsínquia. “É o único país europeu que está a diminuir o número de pessoas em situação de sem abrigo”, com uma estratégia alicerçada no programa Housing First.


Frederico Raposo

Nasceu em Lisboa, há 30 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta –, o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.

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