Subscribe the Newsletter and become a lisboeta 🙂

After passing several days from Bruno’s message to me, saying that he will try to get us out of Afghanistan, we were thinking about how this could happen, because the only way to get out of Afghanistan was to go to Kabul airport. We already had decided not to go to the airport, and we were still thinking that Bruno might ask us to go to Kabul airport, where he might be able to help us to get into the airport and we will be included among those who are evacuated from Afghanistan.

But a few days later, I received a new message from Bruno. He asked me to share all the information and details of my family members with him and to be ready to receive a call that will want us to be in Kabul Airport on a specific date and time and will help us there.

I sent my information and details to Bruno in an email, and it was unclear who would call me and when they wanted us to go to the airport.

I was always asking Roya if we receive a call and if she is satisfied and agree to leave all her home appliances and house and leave this country. In response she was always saying that we should go for the sake of Sama and for her future to continue a better life.

But in any case, we had to be ready to be to the airport after receiving the call. It was very difficult to reach Kabul airport and, most of all, it was impossible to enter Kabul airport without cooperation or recognition of foreigners.

 We decided to have only one extra clothes with ourselves and some important documents that we had, because it was not possible for us to carry more than that with us.

Roya was also pregnant and I had to take more care of Roya and Sama. It was a very difficult decision that we were going to leave all our belongings and our house and go and it was very worrying days that we did not know what would happen and what to decide.

A few more days had passed and we had not received any calls or messages.

A week later I wanted to call Bruno, to find out where the problem is and why we did not receive the call, and to find out how he was going to help us. Because we had been waiting a long time and the situation were getting harder day by day.

It was 5 pm, I was going home from work and on the way I suddenly heard the sound of an explosion. I wanted to know in which part of Kabul the explosion took place, I visited the social medial pages that we folowed to get a grip of the situation. After a few moments the pictures published on social medial pages showed the explosion took place near Kabul airport.

I got very worried, there could be a lot of casualties due to the aready confusing situation in the area. A few moments later I saw the pictures on social media which showed the explosion was bang in the middl of the crowd that ws waiting to enter the airport.

Many people were killed. I informed Bruno about this event and sent him the pictures on WhatsApp.

He became very upset, but he said he was still keeping his promise to help and cooperate so we could get out of Afghanistan.

After the explosion near Kabul Airport, the evacuation process was over, and all the people lost their hopes because that was the only way that they could go to another country.

And we knowing that there was no other way out of Afghanistan, me, Roya and Sama decided to stay in Kabul and follow up all the conditions and find another way out to leave Afghanistan.

It had been a month since the Taliban came to Kabul.

A few days later I received another message from Brun, asking me to fill out some forms and send them to a specific e-mail address. I did it. After several hours, I received a reply: “We reiterate the availability to host you in Portugal, should you manage to exit from Afghanistan.”

I was happy but at the same time very surprised to receive this email, and I shared the issue with Bruno. It was very difficult to go to another country. Ang in Roya’s condition it was not possible for us to go.

I sent a few emails asking them to better inform me about how they were going to help us. In response they said we should go to the nearest countries, Afghanistan’s neighbors, where the Portuguese embassy is located. And we should apply for a visa.

There were no flights – so the only choice for us was to go to Pakistan by road. It’s neighbor to Afghanistan and Portugal has an embassy there. By then, getting the Pakistan visa from Pakistan embassy in Kabul was very tough. People who were trying to get a Pakistan visa were giving hundred Dollars as bribes.

A friend of mine who lived in Pakistan told me that he could do it for us online, there was a chance of getting an online visa. He did it and luckily after two weeks we got our visa.

I will write more what we did after we got our Pakistan Visa.


“Reiteramos a disponibilidade para o acolher em Portugal, caso consiga sair do Afeganistão”. Mas como conseguimos sair?

Na sua última crónica, Samim Seerat relatou os dias difíceis que se viveram durante a tomada de Cabul pelos Talibã. Nesta, conta a angústia de ter que sair do seu país e deixar tudo para trás e de não ter como fazê-lo, apesar da ajuda do seu amigo português.

Muitos dias depois da mensagem que o Bruno Maçães me enviou a dizer que ia tentar tirar-nos do Afeganistão, continuávamos a pensar sobre como conseguiríamos fazê-lo, porque a única forma de sair do Afeganistão era através do aeroporto de Cabul. Já tínhamos decidido não ir para o aeroporto – mas sabíamos que o Bruno talvez nos pedisse que fôssemos, porque só assim poderia conseguir incluir-nos entre aqueles que seriam evacuados do país.

E assim era: uns dias depois, recebi uma nova mensagem do Bruno, na qual ele me pedia que partilhasse com ele todas as informações sobre os membros da minha família e me preparasse para receber uma chamada que nos diria para irmos para o aeroporto de Cabul numa data e hora específicas e nos ajudaria a partir de lá.

Mandei a minha informação e detalhes para o Bruno por e-mail e não ficou claro quem me ligaria e quando queriam que fôssemos para o aeroporto.

Perguntava constantemente à Roya se alguém já tinha ligado. Também lhe perguntava se concordava e se sentia bem com a ideia de deixar a casa e tudo para trás e sair do país. Ela respondia sempre que sim, devíamos ir, pela nossa filha Sama, pelo seu futuro e por uma vida melhor para nós. Era uma decisão muito difícil deixar todos os nossos pertences e a nossa casa para trás e partir.

Em qualquer caso, tínhamos que estar prontos para sair para o aeroporto assim que recebessemos a chamada. Era muito difícil chegar ao aeroporto de Cabul, e, acima de tudo, era impossível entrar no aeroporto sem ajuda e cooperação de estrangeiros.

Decidimos ter connosco apenas uma muda de roupa extra e alguns documentos importantes, porque não era possível levar mais nada.

Roya estava grávida e eu tinha que ter cuidados extra com ela e com a Sama. Foram dias de muita ansiedade e preocupação, em que não sabíamos o que aconteceria e que decisões tomar.

Passaram mais alguns dias e não recebemos quaisquer chamadas ou mensagens.

Uma semana depois eu queria ligar ao Bruno para saber porque é que ainda não tínhamos recebido o telefonema, qual era o problema e para perceber como iria ele ajudar-nos. Estávamos à espera há muito tempo e a situação estava a ficar cada vez mais difícil, de dia para dia.

Certo dia, eram 17 horas, e eu estava a voltar do trabalho para casa, quando, no caminho, ouvi de repente o som de uma explosão. Queria perceber rapidamente em que parte de Cabul havia ocorrido a explosão e pesquisei na internet e nas redes sociais. Momentos depois, as fotos publicadas nas redes sociais davam-me a resposta: a explosão tinha acontecido perto do aeroporto de Cabul.

Fiquei muito apreensivo, porque tudo indicava um elevado número de vítimas e alguns momentos depois confirmavam-se os meus piores receios. As fotos nas redes sociais mostravam que a explosão tinha deflagrado entre as pessoas que estavam à espera para entrar no aeroporto.

Foi muito doloroso e muitas pessoas morreram. Informei o Bruno sobre o que tinha acontecido e enviei-lhe as fotos pelo WhatsApp. Ele ficou muito perturbado mas reiterou a promessa de ajudar e cooperar para que pudéssemos sair do Afeganistão.

Após a explosão perto do aeroporto de Cabul, o processo de evacuação da cidade foi cancelado e as pessoas perderam a esperança porque aquela era a única forma de irem para outro país.

Sabendo que não havia outra saída do Afeganistão, decidimos novamente que eu, a Roya e a Sama ficaríamos em Cabul e acompanharíamos tudo que se estava a passar e as condições para encontrar uma saída e depois decidiríamos deixar o Afeganistão.

Fazia um mês que os Talibã tinham tomado Cabul. Recebi outra mensagem do Bruno, pedindo-me que preenchesse alguns formulários e os enviasse para um determinado endereço de e-mail. Preenchi os formulários e enviei-os para o endereço de e-mail indicado. Após várias horas, recebi uma resposta no meu e-mail, dizendo: “Reiteramos a disponibilidade para o acolher em Portugal, caso consiga sair do Afeganistão”.

Fiquei muito feliz e surpreendido ao receber este e-mail e partilhei com o Bruno os meus problemas e dúvidas. Era muito difícil ir para outro país nestas condições e não nos era possível irmos. Depois enviei alguns e-mails pedindo que me informassem melhor sobre como iriam ajudar-nos e responderam-me que deveríamos ir para um dos países vizinhos do Afeganistão, onde houvesse embaixada portuguesa e lá solicitar um visto.

Começámos então a pesquisar os países vizinhos com embaixada portuguesa e a forma de lá chegar, uma vez que os voos para sair do Afeganistão tinham sido cancelados. A única opção era ir para o Paquistão por estrada. É um país vizinho do Afeganistão e tinha Embaixada de Portugal, mas precisávamos de visto para entrar no Paquistão.

Naquela época, obter o visto na embaixada paquistanesa em Cabul era muito difícil. As pessoas que estavam a tentar obter o visto para entrar no Paquistão, tinham que dar cem dólares de suborno para o obter.

Falei com um amigo meu que morava no Paquistão para me dar algumas informações sobre como obter o visto e contei-lhe sobre a embaixada do Paquistão em Cabul e as dificuldades que lá se enfrentavam. Ele disse-me que podia solicitar um visto online e que havia a hipótese de o obter.

Felizmente, duas semanas depois, conseguimos nosso visto.

Na próxima crónica, irei escrever sobre o que fizemos depois de termos conseguido o nosso visto para o Paquistão.


* Samim Seerat é refugiado afegão em Lisboa, onde chegou em novembro de 2021 com a mulher e a filha. Foi pai, novamente, no dia 7 de janeiro. Em Cabul trabalhava como executivo de media no grupo MOBY detentor da Tolo News.  É também fundador de uma start up chamada Paiwast Health Services. Escreve na Mensagem sobre a sua experiência em Portugal todos os meses.


O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz dantes pagava-se com anúncios e venda de jornais. Esses tempos acabaram – hoje são apenas o negócio das grandes plataformas. O jornalismo, hoje, é uma questão de serviço e de comunidade. Se gosta do que fazemos na Mensagem, se gosta de fazer parte desta comunidade, ajude-nos a crescer, ir para zonas que pouco se conhecem. Por isso, precisamos de si. Junte-se a nós e contribua:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *