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Olá vizinho (a)!

Nos últimos dias, o frio tem-me obrigado a ligar o aquecedor no meu quarto. Há alturas em que penso duas vezes antes de fazê-lo, e cubro-me de mantas enquanto teclo em frente ao computador. À noite, bebo chá quente e leio um livro na cama.

O frio é uma realidade em qualquer casa de Lisboa, e nem sempre discrimina em função da classe social. Foi isso mesmo que eu e a Inês Leote percebemos ao percorrer Lisboa, conhecendo diferentes tipos de casas.

Foi nessas andanças que nos deparámos com o lote 70, no Bairro das Amendoeiras, um bloco de apartamentos que tem vindo a ser esquecido, e onde a “dona Chica” sofre com o frio, e com a chuva que lhe entra pela casa dentro.

Para se combater o frio, são precisas intervenções no edificado da cidade. Mas é também preciso empoderar as pessoas com conhecimento, para que saibam como gerir o melhor possível os seus gastos de energia, tendo em conta a casa onde vivem.

E nestes dias de frio, o meu pensamento esteve muitas vezes com os imigrantes timorenses que têm passado semanas, e até mesmo meses, a saltar de pensão em pensão, passando muitas vezes pela rua.

Ao longo de várias semanas, o Cais Fluvial junto ao Terreiro do Paço foi para mim lugar de passagem. Foi aí que conheci muitos timorenses e as suas histórias.

Felizmente, as tendas que ali estiveram durante semanas desapareceram e esses timorenses foram realojados no Centro de Alojamento de Emergência Social.

O futuro, porém, é ainda incerto. Mas alguns deles, como o João, já encontraram um emprego. O João é licenciado em Saúde Pública, em Lisboa está a trabalhar numa pastelaria a fazer croissants. E não imaginam como é bom vê-lo tão feliz a trabalhar.

Numa cidade às vezes madrasta ainda há espaço para sonhar.

Um dia, no Cais Fluvial, surpreendi-me com o português de um dos jovens timorenses – normalmente falam bastante mal a língua, apesar de ser oficial. Ele respondeu: “Ora, falo português, somos irmãos!”. O nome dele é Januário e contou-me ter um sonho: ser jornalista. “Como tu”, disse ele.

Na Mensagem, sabemos bem como a cidade precisa destas vozes, de todas as vozes. E um destes dias, quem sabe, conseguimos mudar a vida de Januário, como ajudamos a mudar esta cidade.

Venha connosco nesta viagem!

-Ana da Cunha

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