Olá, vizinhos!

Hoje quem vos escreve é o Nuno. Da minha janela, olho lá para fora e os dedos das mãos não chegam para contar as árvores que vejo. Que tenho no meu bairro. O arvoredo abunda e por isso sinto-me um privilegiado. Afinal, vivo numa cidade que nem sempre dá a melhor atenção aos espaços verdes. Ou à falta que eles fazem nas nossas vidas. E não, não estou só a falar de ser bonito ter árvores na paisagem. É uma questão de calor. Ou de combatê-lo.

Na semana passada o Frederico Raposo debruçou-se no tema e alertou-nos para a urgência de Lisboa precisar de mais árvores: “são elementos chave para a ação climática das cidades e para ajudar com o desconforto térmico nos dias mais quentes do ano. Uma simples árvore na rua pode fazer a diferença no conforto térmico das pessoas que se deslocam pela cidade.” Os jardins da cidade criam ilhas de frescura, baixando a temperatura. E pegando no tema, queremos convidar-vos ao debate. Mas já lá vou.

Apesar de as árvores serem uma das melhores respostas ao calor, há lugares da cidade que quase não as têm. Não se distribuem de forma igual. Por exemplo, percorrer a Baixa à procura de uma árvore aproxima-se de uma caça ao tesouro. Mas não precisamos de desafiá-lo a isso: elas estão georreferenciadas. E aqui, sim, conseguimos contá-las pelos dedos de uma mão. Para além de não haver árvores, há uma grande densidade urbana e falta de ventilação. As ruas também são estreitas. É a receita certa para o aquecimento que não desejamos. Mas para lá caminhamos.

Pontos de arvoredo na baixa lisboeta

Não é só na Baixa que este problema existe. Nem só em Lisboa. Sabemos que este é um tema que merece toda a nossa atenção. É tempo de agir em comunidade. E o jornalismo deveria ter mais essa força. Por isso, tal como temos feito na Mensagem, queremos mais do que nunca catapultar os nossos artigos e envolver ainda mais os nossos leitores e vizinhos desta cidade e de quem nos lê à distância. Não nos podemos ficar pelas discussões das redes sociais. Precisamos de mais debate. De dar voz a todos. Das respostas dos especialistas. A mudança por uma cidade melhor para todos é possível. E pelos vistos não há assim tanta “sombra” para ficar à espera que outros façam…

A pandemia está a abrandar e, por isso, temos muitos projetos pela frente para estarmos mais próximos. Cara a cara ou virtualmente. E não nos vamos demorar:

Connosco teremos Cláudia Reis, investigadora em alterações climáticas na Universidade de Lisboa, Ana Luísa Soares, arquiteta paisagista e diretora do Jardim Botânico da Ajuda, e Sandra Pinto, engenheira no Gabinete de Ambiente Urbano da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e responsável pelos espaços verdes desta freguesia. Contamos também consigo?

Saiba mais sobre o evento aqui. Ou basta clicar no link do Zoom para participar.

Obrigado por estarem desse lado. Boa semana!

– Nuno Mota Gomes

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