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Olá, vizinho/a!

Tenho algum pejo em revelar o orgulho que por estes dias tomou conta da equipa da Mensagem. É que além do jornalismo que fazemos todos os dias, vamos fazer história em Lisboa, a partir do fim do mês.

Ou melhor dizendo, vamos reparar uma falha histórica. 

Explico: Lisboa, a partir de meados de 1940, era o único porto europeu de onde se partia. Só em Lisboa, havia, justamente chamados, refugiados. Porque com esperança. Como contou o Ferreira Fernandes nesta reportagem, as fotografias de Roger Kahan aos refugiados que por aqui passaram foram o maior testemunho dessa esperança. As fotos partiram para a América, que ainda estava reticente em intervir e onde morava a maior esperança para combater o nazismo. 

Roger Kahan chegou de Paris, fotógrafo, judeu, fugindo. E Lisboa foi-lhe porto, como sempre foi, e com bondade, o que nem sempre teve. E ele, uma vítima, transcendeu-se, transformado na mais brilhante testemunha de Lisboa, num terrível momento do mundo.

Ferreira Fernandes foi descobrir Roger Kahan e escreveu sobre a foto da refugiada, solitária, no cais, sentada sobre uma mala, a aguardar o embarque. Ao lado dela, o marco do correio n.º 591 – que ainda hoje lá está, como para nos dizer: foi aqui. E lançou o repto: “Que bom seria, junto ao marco do correio, e na casa abandonada que assistiu a tanto, se Vhils esculpisse o que muito bem entendesse sobre a memória que Roger Kahan nos deixou”.

Vhils aceitou.

Então, com a Administração do Porto de Lisboa (APL), criámos o que vai ser o primeiro monumento dedicado à Lisboa dos Refugiados na Segunda Guerra Mundial.

Os intervenientes não cumpriram mais do que é o seu trabalho: a Mensagem de Lisboa foi criada porque os seus amam Lisboa; a APL gere uma história admirável; e Vhils, apesar da carreira internacional, é um artista das ruas, bairros e das gentes lisboetas.

Com a foto de Kahan reinventada por Vhils, o Cais da Rocha Conde de Óbidos cura-nos da falta de memória. Será numa parede virada para o cais, o Tejo e a tradicional história dele: permitir que se parta. Exemplos como os da generosidade luminosa do encontro entre Lisboa e o fotógrafo Roger Kahan não nos livram da escuridão quase geral, mas previnem-nos e fortalecem.

A obra será inaugurada no dia 31 de outubro, às 18:00, no Cais da Rocha Conde de Óbidos, e de seguida será apresentado o livro de Ferreira Fernandes que conta a história toda, a riquíssima história de Roger Kahan, com a presença do Presidente da República. 

Gostaríamos de contar consigo também: basta inscrever-se na resposta a este e-mail.

Até já!

Catarina Carvalho
Diretora da Mensagem de Lisboa

P.S. – No passado fim de semana estivemos a viver o Festival Iminente, de que somos parceiros. Foi uma festa como há muito não se via em Lisboa, num Terreiro do Paço sem fronteiras, e em que centros e periferias se cruzaram. Quem não foi, não sabe o que perdeu; quem foi ficará com memórias para sempre! Obrigada à equipa que nos recebeu.

Se ainda não leu…

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