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Filme “Zona J” estreou há 25 anos

Foi há 25 anos que um filme pôs Lisboa a falar de Chelas e da Zona J. Para o bem e para o mal, a 11 de dezembro de 1998 estreou o filme homónimo realizado por Leonel Vieira, produzido por Tino Navarro e escrito por Rui Cardoso Martins. Chegou aos cinemas com enorme impacto para a sétima arte em português: foi visto por 246,073 espetadores.

Com os seus temas fraturantes, linguagem crua e uma representatividade como nunca antes vista — com muitos atores negros não profissionais a interpretarem papéis —, “Zona J” teve efeitos mediáticos e políticos. Para muitos, foi um agente de mudança por ter posto o “dedo na ferida” e exposto as dificuldades de tantos os que ali viviam. Para outros, só contribuiu para reforçar os preconceitos que já existiam.

Construída a partir de 1978, com traço do arquiteto Tomás Taveira e as cores berrantes do seu estilo, a Zona J de Chelas já era conhecida, mas a grande maioria dos portugueses nunca lá tinha estado nem conhecia como era o bairro — nem a vida num sítio como aquele. Para o próprio Rui Cardoso Martins, natural de Portalegre, Chelas e a Zona J eram zonas com as quais não tinha qualquer relação. Nunca tinha lá estado a sério, não conhecia ninguém que lá vivesse.

Ouvia-se falar, mas não existia um conhecimento real. A maior parte das pessoas nunca tinha ido à Zona J — nem às outras zonas com letras de Chelas. “Era um bairro temido, havia coisas complexas, histórias, as pessoas não se sentiam seguras. Tive mesmo de fazer esse trabalho psicológico: como é que eu lá vou?”

Rui Cardoso Martins com ator do filme, o Mariana, na Zona J, hoje. Foto: Gonçalo Moreira

Chelas cruzou-se na vida do então repórter do jornal Público através de um convite do produtor Tino Navarro para fazer “uma história nos bairros de Lisboa para cinema”, depois de uma reportagem que ele tinha feito no Bairro da Bela Vista, em Setúbal. Rui Cardoso Martins aceitara o desafio, apesar de nunca ter escrito um argumento – hoje é um famoso argumentista de Causa Própria, Sul, ou A Herdade.

Em Chelas, escolheu a Zona J por ser “o bairro que é tido pelas pessoas como o mais problemático”. Rui tinha uma ideia base para o guião. Planeava contar uma história de amor entre um rapaz negro e uma rapariga branca, embrulhada na ideia “forte” de se “conseguir mudar de vida”.

“Sempre pensei na ideia de um grande golpe”, inspirada nas histórias que lhe tinham sido trazidas de Angola pelo amigo Luís Pedro Nunes, também ele jornalista do Público, e com quem partilhava casa. Ele ouvira histórias de angolanos que voltavam ao país de origem para tentarem levar diamantes e enriquecerem — ou pelo menos para conseguirem ter uma vida melhor.

No 55 da Carris em busca de uma outra Lisboa

Para conhecer melhor Chelas, Rui resolveu meter-se no 55 da Carris em direção ao bairro. Prestou atenção às “mensagens de amor e ódio desenhadas a canivete nos bancos”— algumas das quais entrariam mesmo nos diálogos do filme — e começou a conversar com Quim, que o levou à Zona J.

“Fui almoçar com ele, com alguma desconfiança, e fiz-lhe uma pergunta importantíssima: achas que há esta hipótese de alguém ir a Angola buscar diamantes e ficar rico? E ele: isso foi o que o meu tio tentou fazer. E depois explicou-me que guardavam os diamantes debaixo da gordura da barriga, que abriam com uma faca. A partir daí, todas as coisas começaram a fazer sentido. Tive uma ideia que podia ser feita em filme.”

Foi uma missão para Rui Cardoso Martins desde o início que “Zona J” fosse um filme com uma elevada carga de autenticidade. Queria fazer um retrato daquela realidade de que muitos ouviam falar mas à qual poucos tinham acesso. Desejava mostrar como era a vida num bairro como a Zona J — os problemas que atormentavam os jovens, a condição social, os sonhos, as asneiras, muitas vezes fruto das circunstâncias. Tudo isto envolvido numa história de ficção que equilibrasse romance e ação, drama e comédia.

Era uma realidade que não tinha grande representação no espaço público e mediático, sobretudo no cinema ou na televisão.

Kruz Abecassis, o presidente da Câmara, em visita à Zona J. Foto: Arquivo Municipal

Ao princípio foi difícil ter a confiança dos moradores. “Eu era um jovem com 20 e tal anos, e explicaram-me depois que pensavam que eu poderia ser da Polícia Judiciária, um paisana. Tive de mostrar fotografias minhas no jornal para provar que era repórter. Enfim, foi um trabalho longo e duro, mas interessantíssimo.”

Acabaria por conhecer Pardal, rapaz que vivia com outros quatro num T0 da mãe de Carlos Monteiro. Conhecido por ser o filho da “Dona Mariana”, todos no bairro o chamavam, por isso, “Mariana” — nome por que ainda hoje, aos 47 anos, é tratado. “Era uma camarata aquilo, parecia a tropa”, brinca Mariana.

Mariana, no filme.

Foi naquele pequeno apartamento que Rui Cardoso Martins fez muito do trabalho de pesquisa para o guião. “Ensinaram-me como é que falavam ou como é que via se umas calças Levi’s eram ou não uma imitação”, conta.

“Alguns dos melhores diálogos do filme são ipsis verbis, frases que ouvi no apartamento deles. Eu estava ali sentadinho a fazer o meu trabalho, sem ter de fazer muita coisa. Claro que ia fazendo perguntas: e se quisessem assaltar uma ourivesaria, como é que seria? Para meu espanto, eles sabiam falar sobre isso. Enquanto estava a escrever o filme houve um jovem de Chelas que infelizmente morreu num assalto a uma ourivesaria em Évora.”

Ali percebeu também que tinha de ter no filme um grupo de jovens que tanto tivesse negros como brancos.

“Era para mostrar que isto não tinha a ver com raça. Como dizia o Tino Navarro, a pobreza é que é a garantia diferenciadora para o mal. O racismo é económico, é com base em classes sociais.”

Rui e Mariana, argumentista e ator, estão de volta à Zona J, para falar sobre esses tempos:

Mariana e Rui Cardoso Martins na entrevista. Foto: Gonçalo Moreira

Atores conhecidos trabalharam com os jovens que haviam inspirado a história

A ideia da produção era incluir jovens que não tivessem experiência como atores, mas que se identificassem com as personagens e pudessem assegurar a tal autenticidade da história. Vários dos jovens com quem Rui Cardoso Martins se tinha enturmado para escrever o argumento foram incentivados a participar nos castings. Pardal preferiu não aparecer, mas Ivo Canelas ficaria com o papel inspirado nele. Aquele que se tornaria um dos maiores rappers da lusofonia, NGA, seria Picapau. Jorge Santos, que se tornaria mais conhecido na música como Bdjoy, era Ulisses.

NGA no filme Zona J.

Félix Fontoura, já com alguma experiência no mundo artístico, mas também na construção civil, nascido em Angola, tornar-se-ia Tó, o protagonista. O seu par romântico era a atriz Núria Madruga. Outros atores conhecidos participaram em “Zona J”, como José Pedro Gomes, Ana Bustorff, Tó Melo, Joaquim Nicolau, Almeno Gonçalves ou Sílvia Alberto.

O próprio Mariana tornou-se num dos atores mais importantes do filme ao interpretar uma personagem inspirada pela sua própria vida. Acabou por ficar Filomena, o líder da grupeta que se junta para, ao longo da narrativa, orquestrar o grande golpe, que inevitavelmente vai correr mal. “A própria casa do Mariana transforma-se em cenário e ele transforma-se num grande ator”, comenta Rui. Ao início, Mariana estava com algum “receio”, mas lá cedeu a quem o incentivava a tentar a sua sorte nos castings — para um papel que tinha sido inspirado nele.

O filme era para ter o título “Tá-se Bem”, expressão muito usada. Acabou por ficar “Zona J”. “O Tino Navarro é que disse: Zona J há muitas, seja a Cova da Moura ou o bairro do Aleixo. E todos eles — pretos, ciganos, brancos, seja o que for — sofrem dessa discriminação”, relembra Mariana. As gravações aconteceram em diferentes locais da Zona J, com envolvimento da comunidade local.

“Houve pessoal que esteve aí a tomar conta das carrinhas, que estavam quase como seguranças”, recorda.

As reações a “Zona J” (e as suas repercussões)

O filme provocou ondas de choque numa Lisboa conservadora que frequentava as salas de cinema e que conhecia mal esta outra cidade. O filme abordava a discriminação racial e social, a criminalidade, a violência e corrupção policial, as crises de identidade (de jovens negros que não tinham documentos para terem a nacionalidade portuguesa – e alguns ainda não têm -, mas que também nunca conheceram África), e até incluía uma linha narrativa sobre abusos sexuais.

“Falou-se numa série de temas e as pessoas acharam: não, isto não é Portugal”, comenta Mariana. “As pessoas não queriam acreditar naquela realidade.”

No bairro, o filme começou por ser visto com orgulho. Todos queriam ir ver. Os cinemas mais perto, no centro comercial dos Olivais, foram o destino de autênticas excursões oriundas da Zona J. “Era a sala praticamente toda com o pessoal da zona. Houve ali uns dias em que toda a gente ia ver. E durante o filme: ‘olha aquele, olha este, olha a minha casa’. Foi muito giro, estarmos ali a ver o nosso bairro”, recorda Jorge Horta, mais conhecido por “China”, 46 anos, que mora desde sempre na Zona J.

Miguel Cabral com Mariana.

“Eu gostei muito do filme, foca-se no bairro onde nasci, tenho muito orgulho em ser da Zona J. E inclusive tenho amigos meus a participarem, o que não é normal acontecer num filme português”, acrescenta outro morador, Miguel Cabral, 43 anos.

A crítica foi particularmente dura com a linguagem utilizada, com alguns especialistas a desacreditarem a autenticidade dos diálogos. “Houve uns idiotas que atacaram o filme precisamente naquilo que ele tinha de mais genuíno, a maneira como eles falavam. Independentemente dos seus defeitos, o filme tem uma carga de verdade que nem sempre se consegue”, defende Rui Cardoso Martins que diz ter ficado ele próprio com algumas dúvidas sobre a versão final de algumas “conversas.”

“Houve uma certa visão que por vezes lhe tirou o grão, a parte rude e crua que esta história tinha. Ficou um bocado adocicado e, de facto, poderia ter ficado melhor. Eu também estava a aprender, nunca tinha escrito nenhum argumento.”

Na Zona J, o orgulho de ter visto o bairro no cinema parece ser consensual. Mas o filme sempre foi divisivo.

Mariana defende que “há dois pontos de vista: há quem tenha visto o filme e ficou desiludido e achou que tínhamos denegrido ainda mais a imagem do bairro. Disseram-me: foste fazer aquela merda, só dás é mau nome ao bairro. E há o ponto de vista que é aquele em que ainda acredito, que é teres de pôr o dedo na ferida para as coisas mudarem. Que foi o que aconteceu.”

Para Jorge Horta, “o filme não prejudicou a imagem da zona”. Este administrativo numa empresa da área da serralharia, acha mesmo que o filme foi “muito bem feito”. Só aponta algum exagero aos diálogos.

A entrevista a Jorge Horta. Foto: Gonçalo Moreira

“Exageraram um bocadinho nas asneiras. Não é 100% realista, poderia ter um bocado mais do outro lado, a parte familiar e de união no bairro, que poderia ter ajudado mais à nossa imagem. Mas tudo o que está lá é bastante real e está bem retratado: as situações que se passavam, o convívio que se tinha, o brincar na rua, e os cuidados que tínhamos de ter para não irmos para sítios onde havia malta a drogar-se….”

Jorge Horta acentua esse sentido de comunidade. “Por sermos muito unidos, sempre houve muita segurança entre os moradores. Alguém que visite o bairro não se sente ameaçado… E na altura ainda menos, porque o pessoal da minha geração sempre respeitou muito os pais e os avós.”

Miguel Cabral é dos que acham que a produção “contribuiu para aumentar o preconceito”.

“Julgam-nos muito por sermos da Zona J. O filme não veio ajudar. Toda a gente conhece a Zona J por causa do filme. A mim até me dizem: tu nem pareces da Zona J. Não pareço da Zona J porquê? O filme passou a imagem de que isto é uma zona de bandidos, delinquentes e analfabetos, pessoas que não estão inseridas na sociedade. Foi a ideia com que as pessoas ficaram de nós, e têm receio de cá vir. Poderiam ter dado outra imagem do bairro, só passaram o lado mau para fora. Não tiveram intenção de mostrar as coisas boas”. A desconfiança continua, garante.

“Tenho amigos que vêm ter comigo e perguntam se aqui há cafés… Têm uma ideia de que isto é um gueto, mas isto de gueto não tem nada. Isto é um bairro como os outros..”

Ser da Zona J, ou de Chelas no geral, era um “rótulo”. “Estes jovens não podiam dizer que eram de Chelas porque não tinham sequer hipótese de arranjar um emprego”, comenta Rui Cardoso Martins. “A única coisa que conseguias era seres servente de pedreiro ou jardineiro ou trabalhares nas limpezas”, diz Mariana.

O impacto político e o legado que o filme deixou

O impacto mediático do filme foi tão grande que teve mesmo repercussões políticas. “Foi o ponto de partida para uma abertura e um interesse da comunicação social, da câmara municipal e da junta de freguesia, para tentarem melhorar as condições dos habitantes. Várias associações começaram a intervir aqui para desviarem os jovens da criminalidade e da delinquência.

Quando o filme estreou, já tinham feito as obras para a Expo’98 e aproveitaram um bocadinho a onda para fazer mais acessos, abrir mais isto, de isto não ser assim tão medonho como pintam no filme… Para negar que as coisas fossem assim tão fortes e más, a câmara interveio na avenida lá de baixo e fizeram-se umas obras”, recorda Mariana.

Este pedaço ficou mediaticamente conhecido como “corredor da morte”.

Em 2009, o então conhecido mediaticamente como “corredor da morte” — um mal afamado conjunto de oito lotes na Zona J, que formavam um retângulo com becos estreitos e escuros — começou a ser demolido. Outros edifícios se seguiram ao longo dos anos.

“Está tudo mais amplo, aberto e respirável”, defende Mariana. “Porque havia túneis tipo labirintos e houve também uma grande limpeza ao nível da toxicodependência.”

Rui Cardoso Martins admite que teve “sentimentos de culpa” e muitas incertezas sobre como se sentir em relação ao filme. “Precisamente pelo receio de em vez de estar a mostrar as coisas para as melhorar, estar a criar ainda mais anátemas, mais rótulos negativos, porque há sempre esse risco.”

Foi quando regressou a Chelas há uns anos, e voltou a um dos duplex que aparecem no filme, que de alguma forma resolveu isso consigo próprio. “Finalmente limpei os meus possíveis remorsos, quando estive com um casal de velhotes que me estiveram a elogiar o filme e a dizer que foi muito importante. ‘Olhe, dantes não havia aqui namorados de pretos e brancas, e de brancos e pretas, e agora há muitos graças ao filme’. Isso para mim foi uma enorme alegria.”

“Hoje vemos qualquer casal de brancos e pretos, mas na altura não havia. Era uma coisa raríssima”, recorda Mariana.

“Um casal misto? Era um amor proibido”, acrescenta Rui Cardoso Martins.

Félix Fontoura e Núria Madruga.

O filme mudou por completo a vida de Mariana. Tinha 21 anos, na altura das gravações, e estava na fase decisiva da sua vida, em que poderia “entrar numa certa vida”, como lhe chama o argumentista. Mariana não tem problemas em falar sobre isso: assume que esteve muito perto da vida do tráfico e dos assaltos. “Não vamos camuflar as coisas porque não há nada para camuflar.”

Depois de “Zona J”, conseguiu outros trabalhos como ator. Mais: foi convidado por Tino Navarro para trabalhar como assistente de produção. “Aquilo mudou-me como pessoa, deu-me outras perspetivas de vida, outros horizontes”, conta. Leu pela primeira vez um livro do início ao fim, quando Rui Cardoso Martins lhe ofereceu um exemplar de “O Padrinho”, de Mario Puzo. “A partir daí, nunca mais deixei de ler.”

Esteve no cinema e da televisão durante quase 15 anos, até chegar a crise económica da Troika e ficar sem trabalho. Passava muito tempo fora em filmagens e queria estar mais por casa, até porque tinha a mãe doente, a precisar de apoio. Assentou na Zona J. Hoje trabalha num supermercado de Chelas, onde ainda é reconhecido graças ao papel que interpretou há 25 anos.

O antes e o depois na Zona J

O que é que mudou, afinal, depois do filme? Que Chelas era aquela e que Chelas temos hoje? Todos concordam que hoje existem menos problemas sociais ali, e que o estigma também se dissipou, até por causa das muitas histórias de sucesso — nomeadamente na música e na cultura e no desporto — que ali tiveram origem. Hoje há Sara Correia, Sam the Kid, Nuno Varela e tantos outros.

Longe vão os tempos do “enclave de barracas” de que Mariana tem memória. “Praticamente estávamos aqui esquecidos. Estão aqui e agora desermerdem-se.”

Mural de Vhils e Atsok à entrada de Chelas. Foto: Pedro Vaccaro

Neste momento sentem-se os efeitos da crise da inflação, com mais pessoas a precisar de ajuda. “Vê-se mais pessoas a pedir ajuda. Vêm às associações pedir apoio para comprar medicamentos, alimentos, roupa… De crise em crise, as pessoas vão aguentando e vão sobrevivendo. Mas desde a Troika… Foi a pandemia, agora a inflação. Há muitas famílias que trabalham, que têm os seus rendimentos, mas têm de pedir ajuda porque o orçamento lá de casa não chega para tudo.”


Esta reportagem foi feita com a Ana Ladislau (videógrafa na Mensagem), e os repórteres locais do Projeto Narrativas, a Ana Maria Semedo (de Chelas) e Gonçalo Moreira (do Kriativu)

Ricardo Farinha

Nasceu em Lisboa e sempre viveu nos arredores da capital, periferias que lhe interessam particularmente. Conta histórias em modo freelance, sobretudo ligadas à área da cultura.


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