
Olá, vizinhos!
Hoje quem vos escreve é o Frederico Raposo. À semelhança de boa parte do país, Lisboa está em seca severa. Vivemos em emergência climática e as ameaças multiplicam-se. No verão, as temperaturas altas e as ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas dificultam a estadia das pessoas nas ruas da cidade.
Para evitar cheias, a cidade tem implementado bacias de retenção em espaços verdes e está em concretização o Plano Geral de Drenagem da cidade. Para evitar consumos de água desnecessários, há relvados transformados em prados de sequeiro, verdes no inverno e amarelos no verão. Mas há mais a fazer.
Decidimos antecipar-nos à estação que se aproxima e esta semana escrevemos sobre árvores na cidade e sobre como estas podem ajudar a lidar com as temperaturas altas, diminuindo o desconforto térmico.
Lisboa precisa de mais árvores para enfrentar o calor que aí vem
As árvores são elementos chave para a ação climática das cidades.
Com António Lopes, especialista em climatologia urbana, ficamos a conhecer o efeito da densidade urbana na criação de ilhas de calor urbano e com a Cláudia Reis, investigadora na Universidade de Lisboa, tomamos nota do potencial de arrefecimento da cidade protagonizado pelos jardins da cidade e pela plantação de árvores nas ruas. A criação de espaços de cobertura vegetal com 50 metros quadrados significam, por si só, uma descida de 1ºC na temperatura sentida ao nível da rua.
Por toda a cidade, estão referenciados mais de 70 mil árvores, sobretudo em ruas, jardins e cemitérios. Mas, se há zonas com uma boa cobertura vegetal, como acontece em parte da freguesia das Avenidas Novas, há outras que quase não têm árvores, como a Baixa. Podemos ter uma Baixa mais verde? O “ideal”, diz-nos Cláudia Reis, seria mesmo que ali fossem plantadas mais árvores.
Esta semana, as árvores protagonizaram uma outra história. Na Mata da Quinta das Conchas a escola Lá Fora acontece entre árvores e arbustos e as crianças estudam, fazem a sesta e vão à “casa de banho” com o céu a ocupar o lugar do teto.
E para terminar, aqui fica a entrevista com o rapper Vado Más Ki Ás – nascido e criado no bairro 6 de Maio, na Amadora – que lançou hoje um novo álbum. Falámos com ele no estúdio de música da Cova da Moura, onde “tudo começou”. Tudo o que vive e viveu vira música – e isso inclui a infância muito difícil que o obrigou, diz, a ser precoce e a “pensar como adulto”. Para ler em português e em crioulo.
Obrigado por estarem connosco, tenham um bom fim de semana 🙂
– Frederico Raposo
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