
Olá, vizinho/a
Na semana passada, mudámos de morada. Da Baixa de Lisboa para Algueirão-Mem Martins. Fomos pela linha de Sintra, com uma missão: contar mais e melhor as histórias desta Lisboa.
Lisboa não pode – nunca pôde – ser contada apenas no concelho. Tudo aqui são vasos comunicantes. Assim, quando nos candidatámos a uma bolsa europeia do projeto “Local Media for Democracy”, do European Journalism Fund e apoiada pela União Europeia, resolvemos trocar as voltas à ideia de literacia mediática e dos desertos de notícias. Ganhámos essa bolsa. E tínhamos uma pergunta em mente: “Que histórias contariam os jovens que vivem nas zonas periféricas de Lisboa, se tivessem o poder para o fazer nos meios de comunicação social?”.
Assim surgiu a ideia de levar a nossa redação até esses lugares que são considerados “desertos de notícias”, como Algueirão-Mem Martins. Primeiro, descobrimos que a cobertura sobre estes lugares é limitada a aspetos negativos e, depois, que a maioria não encontra informação de qualidade, o que tantas vezes leva à apatia social e política – em breve, daremos conta de tudo isto com mais pormenores.

No espaço de trabalho do coletivo artístico Unidigrazz, na Junta de Freguesia de Mem Martins, juntamo-nos com jovens e interessados na sua freguesia. Pessoas que querem contar as histórias dos seus lugares, pondo-os na agenda, testando e criando formatos inovadores de narrativa. A nossa parte nesta história foi guiar tudo isto por padrões jornalísticos.
Tivemos os Unidgrazz (já tínhamos entrevistado Tristany, o cantor e artista plástico do grupo) como parceiros principais nesta aventura. Eles, um grupo de jovens da zona e os investigadores António Brito Guterres e Dora Santos Silva (FCSH-UNL), coordenadores da iniciativa com a Mensagem.

De Mem Martins sabíamos pouco: tem 68 649 habitantes, oito mil dos quais entre os 20 e os 29 anos, é um caldeirão de culturas – 10% da população será estrangeira -, e é a casa de vários artistas de música e, claro, dos Unidigrazz.
Numa semana encontrámos, literalmente, uma história em cada esquina. Vamos publicá-las em janeiro, quando assinalarmos o final do projeto.


Juntaram-se a nós outros jovens que nos ajudaram a fotografar e percorrer o terreno. À volta da mesa, todos juntos, debateu-se cada nova descoberta… e descobrimos ainda mais só por estarmos junto de quem aqui vive e trabalha todos os dias. Com a Junta de Freguesia de Mem Martins mesmo na porta ao lado, fizemos muitas perguntas. E, em temas que tanto esbarram na burocracia, este pormenor tornou-se um pormaior.
Ao Tristany, ao Nuno Trigueiros, ao Diogo Carvalho, ao Sepher AWK – apesar das muletas – e ao Rodrigo Faria, um enorme abraço por nos receberem – este é apenas o começo de uma bela amizade.
Depois de Mem Martins, temos encontro marcado em Chelas, em dezembro. O grupo Kriativu, com Nuno Varela e Ayrton César, vão ser nossos parceiros para contar outras histórias deste bairro de Lisboa.
Até lá, as luzes de Lisboa já terão acendido e o tempo esfriou ainda mais. E por falar em época natalícia: que histórias de Lisboa gostaria que contássemos este Natal? Envie-nos as suas ideias em resposta a este e-mail ou para geral@amensagem.pt. Fico à espera.
Até breve,
– Catarina Reis, editora na Mensagem de Lisboa
Próximos eventos:
“Novas Formas de Viver”: garagem do CCB acolhe respostas à crise da habitação

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