Eram só 14h06, seis minutos após a abertura da bilheteira, quando se anunciou: “os bilhetes para a Mensagem ao Vivo estão esgotados!”. No Jardim de Inverno (Sala Bernardo Sassetti) do Teatro São Luiz, no Chiado, onde se reuniam os participantes desta edição, 150 pessoas, vindas de vários cantos do país e da cidade, sentaram-se para ver e ouvir histórias inéditas de Lisboa.

Tudo começou com os acordes dos “semilisboetas” do Seixal, a banda Sogranora, que viajou no tempo até 2019, ano em que lançaram o tema que os popularizou: o “Semilisboeta” – ao qual se seguiu o seu single mais recente sobre a arte da procrastinação, “Adio Quanto Conseguir Adiar”.

Abertas as hostilidades, ao palco acorreu o nosso cronista Pedro Salazar, que partilhou com a plateia a sua história de amor pela gastronomia de Lisboa, evocando os gelados da Veneziana, os garibaldis da Central da Baixa e os mais de 400 restaurantes courenses que se instalaram na capital. Sim, leu bem: 400!

Ainda de água na boca, recebemos Laura, francesa filha de pais portugueses e proprietária de uma creperia na Graça, que nos fez rir com histórias sobre os trocadilhos da língua portuguesa, as especificidades de Lisboa e das suas gentes… e ainda uma canção de amor dedicada à EMEL.

A Laura não deixou ninguém indiferente, nem o protagonista que se seguiu: a plateia aplaudiu em força o “jardineiro de guerrilha” Nuno Prates, empenhado em transformar os canteiros esquecidos da cidade em verdadeiros jardim. Com ele, estiveram mais quatro jardineiros “guerrilheiros” que, com plantas, vasos e mãos sujas de terra, celebraram a força da comunidade quando luta por mais espaços verdes em Lisboa.

E voltou a cheirar aos sabores da cidade quando a “dona Luísa” se pôs a misturar, num grande panelão, os ingredientes que nunca faltam na feijoada comunitária que cozinha todos os Natais: generosidade, carinho e uma pitada de humor. Com a ajuda de Marta Silva, diretora e fundadora da cooperativa LARGO Residências, Luísa guiou-nos pela sua história de vida, da vinda de Angola para Lisboa, às noites passadas nas ruas do Intendente.

Finalmente, o espetáculo culminou com as notas emotivas da guitarra portuguesa, tocadas por Luísa Amaro, companheira de vida e de palcos de Carlos Paredes, depois de um momento de entrevista em que Luísa recordou o mestre que, no passado dia 16 de fevereiro, celebrou o seu centenário. Luísa tocou o último acorde e a plateia levantou-se para uma grande ovação.

Ao longo desta edição, e na ausência do nosso ilustrador habitual Nuno Saraiva, contámos com a ilustração ao vivo de Zhou Yi, também ele protagonista de uma história da Mensagem, que ainda subiu ao palco para partilhar connosco as palavras que, para ele, melhor descrevem Lisboa: “saudade”, “arroz de marisco” e “pastel de nata”.

A todos os que não puderam entrar, a boa notícia é que não ficamos por aqui: temos ainda mais quatro edições e a próxima é já dia 12 de abril – e, depois, 31 de maio, 21 de junho e 5 de julho. A entrada é gratuita, mas limitada a maiores de 3 anos.

Contámos, desde a primeira hora, com o entusiasmo de Miguel Loureiro, diretor, e de toda a equipa do teatro e da Lisboa Cultura, que entraram nesta aventura connosco e a quem muito agradecemos. E também, claro, a quem esteve em palco, voluntários das histórias desta cidade!

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Coordenação editorial e de palco: Ana da Cunha e Catarina Reis
Produção: Ana Narciso
Comunicação: Joana César
Vídeo e fotos: Inês Leote
Apoios e patrocínios: Ana Narciso
Ilustrações: Nuno Saraiva
Histórias, ideias e curadoria: Ferreira Fernandes, Álvaro Filho, Catarina Reis, Inês Leote, Frederico Raposo e toda a equipa da Mensagem de Lisboa
Direção: Catarina Carvalho

Esta edição contou com o patrocínio da gráfica CUBO MAGNÉTICO.


Ana da Cunha

Nasceu no Porto, há 28 anos, mas desde 2019 que faz do Alfa Pendular a sua casa. Em Lisboa, descobriu o amor às histórias, ouvindo-as e contando-as na Avenida de Berna, na Universidade Nova de Lisboa.

ana.cunha@amensagem.pt


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