A obsessão do ilustrador chinês Zhou Yi é Lisboa: “Quero mostrar esta cidade clássica aos chineses”
Zhou Yi regista a beleza de Lisboa com os seus desenhos. Reencontrou-se com ele e com a sua arte aqui, desenhou Lisboa para um livro infantil, e agora é um desenhador famoso. A partir de Lisboa.
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O Fado, por Zhou Yi.
Zhou Yi mora há oito anos em Lisboa, mas ainda consegue descobrir novas facetas da cidade, capturando-as com detalhes nos seus desenhos. Nascido e criado na China, Zhou encontrou uma segunda casa em Lisboa – a cidade que não só moldou a sua arte, como também reacendeu a sua paixão pelo desenho. Com vários prémios e uma crescente audiência internacional, prepara-se agora para publicar uma coleção de desenhos que apresentará a sua amada Lisboa aos leitores na China.
Lisboa e ele foi uma história simples de empatia. Tinha vindo à Europa, num momento de indecisão da sua vida, quando, enquanto esperava pelo autocarro, um senhor meteu conversa com ele e lhe deu algumas orientações. Nesse momento, Zhou sentiu algo diferente: “Em Espanha, as pessoas são simpáticas, mas mais focadas em si mesmas. Em Lisboa, sinto-me bem-vindo e aceite”, conta.
Essa viagem dissipou um pouco da sua incerteza, e, embora ainda não tivesse uma visão clara, Zhou sentiu que talvez pudesse aquele algo que procurava em Lisboa. Voltou ao desenho, que tinha sido uma paixão de infância, acalentada pelos pais. E após a licenciatura, que acabou na China, na Universidade de Zhejiang, decidiu estudar fora. Recebeu duas propostas: uma universidade francesa, e da Universidade de Lisboa. Sem hesitar, Zhou escolheu vir para Lisboa fazer o mestrado.
Zhou desenha no seu ipad. Foto: Inês Leote
Voltar ao Desenho em Lisboa
Em Lisboa, Zhou Yi estudou design gráfico na Universidade de Lisboa e mais tarde abriu um atelier de artes chinesas com alguns outros colegas chineses. Apesar de mais de 10 anos de treino, o entusiasmo pelo desenho foram temporariamente perdidos. Mas em 2022, foi convidado por uma editora chinesa para ilustrar Lisboa num livro infantil.
O Marquês de Pombal, por Zhou Yi
Foi nesse momento que Zhou retomou o desenho. Foi crucial. Ao caminhar por Lisboa e desenhar o que via, sentiu-se como na infância, quando, aos cinco anos, secretamente decidiu que seguiria o desenho como futuro. Percebeu que o entusiasmo pelo desenho nunca desaparecera; apenas estava adormecido, à espera de ser despertado.
Zhou não largou o pincel, mesmo após concluir o trabalho para a editora. E iniciou um projeto pessoal: recriar Lisboa no seu estilo único de desenho. Desenhando e vivendo em Lisboa, Zhou finalmente encontrou o que procurava. Hoje, é um ilustrador reconhecido tanto na China quanto em Portugal, com prémios como o Hiii Illustration, Novos Talentos Fnac e o 3×3, The Magazine of Contemporary Illustration.
Desenhos de paz e vida na cidade
No Instagram, Zhou Yi utiliza a tag chinesa #essesmomentosemLisboa em quase todas as publicações. O “momento” é um conceito importante nas suas obras, onde Lisboa é feita de pequenos e cambiantes momentos do quotidiano. Para ele, Lisboa equilibra-se perfeitamente entre o normal e o mutável. Em Lisboa, o que mais o toca não é um lugar ou pessoa específicos, mas a vida quotidiana.
Zhou acha que as grandes metrópoles na China mudam depressa demais, enquanto outras cidades em Portugal são demasiado paradas.
“Lisboa está num ponto perfeito para mim,” diz Zhou Yi.
O Fado, por Zhou Yi.
Quase todos os seus desenhos transmitem uma sensação de relaxamento. Zhou diz que procura criar uma conexão com o público, colocando os seus sentimentos nas obras. “É Lisboa que molda o meu trabalho; neste ambiente, as minhas obras acabam por ser assim naturalmente.”
Zhou tem uma sensibilidade particular para captar a beleza da vida. Ele fala sobre uma ilustração de uma cena nos Pastéis de Belém. Nessa ilustração, escolheu um fundo rosa, diferente do amarelo original, criando uma atmosfera romântica ao focar-se num pai a comprar pastéis para a muher e a filha. Para Zhou, foi uma cena familiar e calorosa, que considerou romântica.
Pastéis de Belém, por Zhou Yi
Planos para o Futuro
O primeiro desenho do seu projeto Lisboa surgiu após um passeio do bairro de Alfama até ao Tejo, onde imortalizou uma vista com os típicos telhados coloridos, gaivotas, igrejas e estabelecimentos locais – elementos clássicos que estabelecem uma “Lisboa conhecida” para quem observa.
“Lisboa ainda é uma cidade desconhecida para muitos chineses,” comenta Zhou. “Agora, espero dar às pessoas uma noção básica desta cidade ao desenhar uma Lisboa clássica.”
Zhou é agora membro de círculos de ilustradores na China e em Portugal, e será o primeiro a publicar uma coleção para apresentar Lisboa, em desenho, na China. No Xiaohongshu, plataforma social chinesa, sua conta já tem 17.000 seguidores e muitos comentários positivos. O maior elogio é à sensação de paz e relaxamento dos seus desenhos.
Zhou ambiciona ir mais longe. Quer explorar Lisboa de forma mais profunda, talvez capturando detalhes menos visíveis, e começa também a considerar outras cidades portuguesas. No próximo ano, Zhou foi convidado a ir ao Alentejo para desenhar.
“Sempre foi o meu sonho viajar enquanto trabalho,” conta Zhou com entusiasmo sobre essa nova jornada. “Quero conhecer mais lugares diferentes.” Ele ri e conclui: “Gostava de, um dia, desenhar todo Portugal.”
Nascido e criado na China, sou estudante de línguas, cultura e ciências sociais. O desejo de experimentar um novo estilo de vida e de conhecer um mundo maior me trouxe a Lisboa. Após um ano de estadia, agora procuro descobrir mais coisas interessantes e incomuns sobre esta cidade – daí estar a estagiar na Mensagem de Lisboa.
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Álvaro, boa tarde. É impossível agradar a todos, em especial na escrita. Explica-se e tudo certo. O amadurecimento há de chegar àqueles que interpretam as questões ao pé da letra. Gosto muito do trabalho do boletim “A Mensagem “.Vamos cuidar de Portugal _ há muito olhar estrangeiro, astuto! Tudo de bom! Sou neta de Português. Aurora
Álvaro, boa tarde. É impossível agradar a todos, em especial na escrita. Explica-se e tudo certo. O amadurecimento há de chegar àqueles que interpretam as questões ao pé da letra. Gosto muito do trabalho do boletim “A Mensagem “.Vamos cuidar de Portugal _ há muito olhar estrangeiro, astuto! Tudo de bom! Sou neta de Português. Aurora