Nem a onda de calor impediu o Jardim de Inverno (Sala Bernardo Sassetti) do Teatro São Luiz de voltar a encher para mais uma edição da Mensagem ao Vivo, na qual as histórias de resistência se aliaram às memórias de Lisboa para, uma vez mais, se celebrar a cidade e os seus vizinhos.
As portas abriram e no palco encontrava-se já o Coro da Dona Ajuda, um coro comunitário que nasceu no âmbito desta IPSS (instituição de particularidade social), no Mercado do Rato, numa loja em segunda mão que une os vizinhos à noite em torno de um maestro. Em uníssono, os 45 vizinhos estrearam-se pela primeira vez num grande palco com os temas “Belle Mama”, “Maria Faia” e “Loucos de Lisboa”.
Partimos numa viagem pelas árvores da cidade, guiados pela coordenadora do Jardim Botânico da Ajuda Ana Luísa Soares, que nos relembrou como a história de Lisboa está intimamente ligada às suas árvores e jardins. E qual a história dos jacarandás, que abriram telejornais?
E continuámos pelas ruas de Lisboa, com o ator João Reis a dar voz às crónicas que Jorge Costa nos deixou, documentando o quotidiano de uma pessoa em situação de sem-abrigo. Um momento que mereceu o silêncio profundo do público, absorvido pela crueza das palavras deste homem que deu um livro e uma bolsa de jornalismo – os vencedores estiveram em palco, para mostrar por que fazia falta falar da saúde dos sem-abrigo.
Da solidão da Gare do Oriente, rumámos até Chelas, onde nasceu e cresceu o empreendedor Nuno Varela que, numa entrevista conduzida por Catarina Carvalho, nos contou como se tornou num verdadeiro “padrinho do hip-hop“, divulgando nomes de artistas que hoje são dos mais sonantes no meio musical.
E de Chelas… até Alvalade. Mais precisamente até ao Vavá, ponto de encontro de intelectuais e cinéfilos. Um espaço evocado com beleza e humor pelo realizador de cinema Frederico Corado, filho do também realizador Laura António, que em tempos escrevera uma crónica para a Mensagem sobre esse mesmo lugar.
Percorremos a cidade, chegando ainda à Quinta do Loureiro, no Vale de Alcântara, o lugar para onde foram realojados os moradores do antigo Casal Ventoso, como Paulo Seco, que fez das suas fraquezas forças, encontrando no boxe um escape para os problemas. Foi na Academia Paulo Seco, que ele próprio abriu na Quinta do Loureiro, que conheceu o refugiado Farid, que representou a equipa de refugiados nos Jogos Europeus.
Por fim, a música regressou aos palcos… desta vez, num estilo carnavalesco, trazendo-nos um cheirinho do Brasil. O coletivo Colombina Clandestina, que faz da música e da celebração uma arma para o ativismo, interpretou um medley de três canções de Rita Lee, que deixou o público a bater com o pezinho no chão.
Recorde a última edição aqui:
E a boa notícia é que não ficamos por aqui: temos ainda mais duas edições e a próxima é já dia 21 de junho – e, depois, 5 de julho. A entrada é gratuita, mas limitada a maiores de 3 anos.
Contámos, desde a primeira hora, com o entusiasmo de Miguel Loureiro, diretor, e de toda a equipa do teatro e da Lisboa Cultura, que entraram nesta aventura connosco e a quem muito agradecemos. E também, claro, a quem esteve em palco, voluntários das histórias desta cidade!
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Coordenação editorial e de palco: Ana da Cunha e Catarina Reis
Produção: Ana Narciso
Comunicação: Joana César
Vídeo e fotos: Inês Leote
Apoios e patrocínios: Ana Narciso
Ilustrações: Nuno Saraiva
Histórias, ideias e curadoria: Ferreira Fernandes, Álvaro Filho, Catarina Reis, Inês Leote, Frederico Raposo e toda a equipa da Mensagem de Lisboa
Direção: Catarina Carvalho
Esta edição contou com o patrocínio da gráfica CUBO MAGNÉTICO.
