Faziam já duas semanas que eu vivia na rua. Pensei nisso quando acordei mais uma vez encostado à parede do viaduto. Viver? Bom, o termo correto seria sobreviver. Sobreviver dia a dia, hora a hora, minuto a minuto…

Um sem abrigo não tem nada seu. Apenas os seus pertences, aquilo que transporta consigo e o que, eventualmente, pode ter guardado no sítio onde passa a noite. E, como é óbvio, tudo o que tem guardado em baixo de um viaduto ou de uma ponte, debaixo de um colchão ou numa mala ou saco, pode desaparecer durante o dia.

Os sítios onde os sem abrigo tentam organizar-se e fazerem os seus “cantinhos” pessoais estão sempre sujeitos a serem vandalizados e tudo o que lá está a ser roubado. Roubado… O termo não será bem este. Já lá diz o célebre chavão: achado não é roubado. As coisas simplesmente desaparecem. Por muito bem escondidas que estejam, em sítios cuidadosamente escolhidos, aquilo que nos pertence está na via pública.

Estes nossos “cantinhos”, inclusivamente, até podem ser removidos ou limpos. Podem ser considerados lixeiras pelas autoridades na matéria. E vamos queixar-nos de quê e a quem?

Depois, há a privacidade. Ou a falta dela. Estamos permanente expostos aos olhos de toda a gente, quando dormimos, quando comemos, quando nos lavamos. Para os outros, somos talvez  “poluição visual”, termo que ouvi proferir da boca de uma pessoa que passava e me deu uma moeda. Bem, o que eu sei é que somos, de facto, diferentes. Na vida e na sociedade. Mas é precisamente nessa diferença que estamos presos. Porque somos pessoas sem casa.

“As pessoas que usam a estação para apanharem os seus comboios não se apercebem de que existe uma espécie de prostituição organizada nas casas de banho da Gare.”

Poluição visual. De facto o sítio onde eu dormia era uma lixeira! Comecei a pensar que teria de arranjar um melhor. Não conseguia arranjar um colchão e conhecia muitos sem abrigo que encontravam e escolhiam sítios melhores para dormir. Já tinha falado ao Zé nisso, mas ele gostava de estar ali. Dizia que não havia confusão. E não havia. Era uma espécie de abrigo só nosso. Podem não acreditar, mas não é fácil vivermos uns com os outros.

O mundo onde estive durante oito meses era uma autêntica selva. Era quase cada um por si. Por isso, normalmente, um sem abrigo só tem por companhia regular apenas outro. É uma questão de confiança. É um parceiro. Como disse um dia o Zé: “para viver aqui, um não chega, três são demais.”

Eu vivi num mundo onde também existem leis: as leis da rua. Quer dizer, regras a cumprir em que, afinal, não existem leis nenhumas, códigos de conduta em que a moral e a coerência deixaram de existir. Mas é evidente que, como em tudo na vida, existiam exceções.

Existiam e ainda existem grupos de sem abrigo, como já devem ter visto, em mini acampamentos junto às pontes, viadutos, prédios abandonados e estações de comboios a viverem numa espécie de comunidade. Mas, regra geral, viver nas ruas significa cada um por si. É sobrevivência quase primitiva. Como dizia o Zé, irritando-me: “morde, senão és mordido.” Por vezes, tinha dificuldade em aceitar aquela realidade.

Nessa manhã, lembro-me: espreguicei-me, massajei o corpo e fiquei a olhar em direção à Gare do Oriente. Aquilo era uma espécie de gueto para pessoas sem abrigo. Era ali o “rendez-vous”, como eu lhe chamava, para nós todos. É onde estão as casas de banho, é onde vão os carros de apoio com a alimentação, uma vez por outra até roupa, é onde estão as salas de espera para podermos carregar os telemóveis, é onde estão os cinzeiros com as beatas grandes e atraentes para serem fumadas, é onde passam as pessoas para podermos pedir moedas, é onde está a rede Wi-Fi gratuita da Carris, é onde nós conversamos. Isto sempre sob o olhar atento dos seguranças da Gare. Sim, porque uns sem abrigo também roubavam comida nas lojas.

“Reparei em homens que passeavam discretamente junto à máquina automática do café. Homens com bom aspeto e com dinheiro… Mais tarde soube que existiam uma meia dúzia de sem abrigos que “faziam” o seu dinheiro diário daquela forma.”

Outros prostituíam-se nas casas de banho. As pessoas que usam a estação para apanharem os seus comboios não se apercebem de que existe uma espécie de prostituição organizada nas casas de banho da Gare, mas qualquer sem abrigo que as use frequentemente apercebe-se disso.

Fechando a porta do cubículo sanitário no seu lado interior, vê-se as inscrições a caneta na porta, com números de telemóvel com os respetivos textos convidativos e até os preços. Era um mundo-cão, pensava eu. Exploração total da pobreza.

Depressa reparei, à saída das casas de banho, em homens que passeavam discretamente junto à máquina automática do café. Homens com bom aspeto e com dinheiro… E, olhando para quem saía do cubículo, mais tarde soube que existiam uma meia dúzia de sem abrigos que “faziam” o seu dinheiro diário daquela forma.

É a triste realidade da pobreza: onde há miséria, há sempre abutres. Um submundo perigoso, ali, numa das mais prestigiadas estações de comboio da capital. Com o Vasco da Gama e o Parque Expo como testemunhas. Quando se fechavam as portas, existiam muitas armas brancas dentro desses cubículos.

Eu estava farto da Gare! Continuei a olhar na sua direção, pensando que tinha de sair daquele sítio. Talvez para Chelas ou para a zona dos Olivais, onde no dia anterior fomos tomar banho ao Quartel dos Bombeiros e lavar e secar toda a nossa roupa.

“Uma vez, quando perguntei ao Zé porque é que ele bebia, ele respondeu-me: ‘estás a fazer a pergunta ao contrário. A pergunta certa é porque é que eu não hei-de beber. Entendi finalmente porque é que o vinho está associado a um sem abrigo.”

Andámos dois dias a pedir para termos moedas suficientes para usar nas máquinas de lavar automáticas. E eu até tinha ganho umas boas moedas a arrumar uns carros, lá naquela zona, como o Zé me ensinou. Olhei para ele. Estava a dormir ainda. Acordei-o. Ele demorava a acordar. Deixava sempre um pouco de vinho no pacote da noite anterior para beber de manhã. Só começava a falar depois de beber. Era já notória a sua dependência alcoólica. Não ficava embriagado, mas só funcionava com bebida. Eu dizia-lhe constantemente que ele bebia muito. Uma vez, quando lhe perguntei porque é que ele bebia, ele respondeu-me: “estás a fazer a pergunta ao contrário. A pergunta certa é porque é que eu não hei-de beber.”

Triste resposta que eu entendia. Entendia finalmente porque é que o vinho está associado a um sem abrigo. Primeiramente, porque é barato. Quando, num mau dia, se tira as moedas do bolso, dão para quê? Para um café ou para um pacote de vinho. Eu próprio já tinha utilizado o álcool por duas noites. Um gole ou dois de vinho era, por vezes, conforto. O único conforto. Seca as lágrimas, tira-nos o nó de angústia que sentimos no peito, ilude o desespero e ajuda a dormir.

E a hora de dormir era a altura mais difícil do dia para mim. Era a altura do dia em que finalmente estava sozinho comigo próprio e, quando finalmente tinha esse momento, realizava que não tinha nada.  Nem sequer o conforto de um colchão. Chorava, por vezes.

Mas o Zé bebia muito. Eu disse-lhe, numa noite, que ele tinha de parar de beber. Ele olhou para mim, bebeu mais um gole, olhou em frente com uma expressão vazia e perguntou-me: “Vou parar de beber para quê? Vai mudar alguma coisa?” Mas, nessa manhã, eu acordei com uma força estranha. Virei-me para ele e disse alto e bem disposto: “Vá! Bebe isso, vamos lavar a tromba e vamos ao pequeno-almoço.”

Eu estava muito otimista. Na maioria das vezes, nem havia nenhuma instituição a distribuir pequeno-almoço. Só o almoço, que aliás nos últimos dias tinha sido muito mau. As duas instituições que faziam a distribuição diária do almoço na Gare entregavam a cada pessoa, normalmente, uma cuvete com uma refeição quase fria já, uma carcaça, um sumo ou uma garrafa de água e uma peça de fruta. Por vezes, sopa. Mas, nos últimos dias, a comida tinha sido muito má. O arroz vinha cru, as massas cozidas em água sem sabor nenhum, a carne também má e, às vezes, inexistente. Houve um dia até em que serviram peixe com molho já azedo, devido talvez ao calor dentro dos carros. O que escapava era o pão e a peça de fruta. Por vezes era só o que comíamos.

Tínhamos de “fazer” dinheiro para jantar, para comer qualquer coisa. O carro da noite vinha muito tarde, com duas carcaças com manteiga ou fiambre, dois pacotes pequenos de leite e mais fruta. Mas era sempre fundamental o último carro para não sentirmos fome à noite.

Vão diariamente para as filas dos carros pessoas que têm casa, mas não têm comida. Ao longo dos meses em que fui sem abrigo, vi por esta Lisboa nas filas dos carros pessoas de diversas faixas etárias e sociais, mulheres com crianças, desempregados e até gente que trabalha

As filas eram uma realidade nova para mim. Aliás, como poderia conhecer esta realidade? Estas instituições disponibilizam, regra geral, os seus serviços para as pessoas sem abrigo, mas nas filas não estavam apenas pessoas nesta condição. Era a fome que estava ali presente.

Vão diariamente para as filas dos carros pessoas que têm casa, mas não têm comida. Ao longo dos meses em que fui sem abrigo, vi por esta Lisboa nas filas dos carros pessoas de diversas faixas etárias e sociais, mulheres com crianças, desempregados e até gente que trabalha e tem os seus empregos. Mas há uma coisa que todos naquelas filas partilham: não têm uma refeição. E pode ser muito cansativo e exasperante estar nas filas dos carros, pois nem sempre chegam a horas. Contudo, eu ficava ali. Para comer.

Naquela manhã, estava confiante. Não sei explicar, mas estava com fé. Sentia-me com força, com vontade para lutar. O Zé acabou de beber o vinho, olhou para mim e comentou: “Estás cheio de tusa hoje. O que se passa?” Eu respondi que não se passava nada. O problema estava mesmo aí. Não se passava nada! Coloquei-lhe a mão no ombro e disse-lhe: “Zé, não se passa nada. Não acontece nada, não vês? Não acontece nada, porque nós não fazemos por isso. Temos de fazer acontecer. Vamos sair daqui, porra! Vamos sair desta estação, pá! Cheira mal aqui. Vamos embora.”

Ele olhou para mim durante alguns segundos. “Ouve, tu pensas que eu já não tive ataques de tesão como esse?” Eu sorri e respondi que não queria saber. E que, se calhar, tinha mais tesão do que ele. Ele disse com um ar sério: “Cheira mal nesta estação? E pensas o quê? Que vais encontrar um sítio mais perfumado?”

Eu não sabia, mas tinha de sair dali. Aquela estação já me causava vómitos. O que iríamos fazer hoje? O mesmo de sempre? Mas, ao mesmo tempo, não fazia a mais pálida ideia do que iria fazer. Eu só queria sair da Gare e deixar aquele viaduto horrível. Disse com vigor e com as lágrimas nos olhos: “Zé, vamos fazer qualquer coisa! Por favor!”

Ele tirou meio cigarro do bolso das calças, acendeu e tragou o fumo. Olhou para mim e disse a sorrir: “És mesmo um chato do caralho, ó Panda! Vamos embora daqui.” “Tu também, cão com pulgas. Vamos embora.” – respondi.

Pegámos em todos os nossos sacos, mochilas e coisas fundamentais. Saímos do viaduto carregados que nem dois burros. Ele andava sempre mais depressa do que eu. Eu andava sempre atrás dele. Até que me disse:  “Vamos de autocarro?” Eu perguntei para onde. Ele respondeu que não fazia ideia e perguntou se eu queria andar a passear por Lisboa com a casa às costas… Disse que não havia dinheiro para o autocarro. E ele respondeu: “E quem vai pagar no autocarro? Nós somos sem abrigo, não pagamos nos autocarros!” Eu fui atrás dele sem fazer mais perguntas.


Jorge Costa

Tem 54 anos de idade e nasceu em Lisboa, cidade onde sempre viveu. Na Mensagem, partilha a sua experiência da vivência nas ruas, sem teto para viver e para dormir. Foi sem abrigo durante 8 meses, até maio do ano passado. Escreve sobre esta “difícil experiência, indigna e quase desumana”.

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40 Comentários

  1. Parabéns pelo seu testemunho , obrigado pela coragem de partilhar esta sua experiência . Que a vida lhe permita alcançar tudo que desejar e que seja Feliz . Ainda que virtual …um Grande abraço .

  2. É uma lástima o estado em que essa estação está. Suja e sem cuidado nenhum. Os seguranças que lá estão são os próprios a urinar nas esquinas e mandar beatas para o chão!

  3. Obrigada pelas histórias. Que o seu testemunho traga mais consciência para o problema das pessoas sem-abrigo. Principalmente consciência das instituições que podiam fazer mais para resolver o problema. Acho que seria interessante escrever sobre que soluções seriam eficazes e como implementá-las. Pessoalmente, gostaria de ler que medidas deviam acontecer já e feitas por quem, o que funciona e não funciona, e como resolver.
    Deixo esta sugestão.

  4. Que vitória meus parabéns.
    Pois entrar nesse mundo é ver o que nos rodeia e ter força para lutar contra os nossos fantasmas e difícil.
    Mas teve um amigo fiel o Zé que o ajudou. Pois oai dos meus filhos entrou nessa Vida vai fazer 12 anos e até hoje não teve essa coragem de vou mudar.
    É tem dois filhos que o esperam.
    Que Deus o abençoe.
    Pois é sempre bom ver que há esperança ao fundo do túnel.
    Que Deus o abençoe.

  5. Por favor envie este texto a Marcelo Rebelo de Sousa.
    Arrepiante a desumanidade! Precisamos que todos sejam gente. Obrigada.

  6. Obrigada pelo testemunho. Que tudo lhe corra bem a partir de agora e muita coragem para os novos desafios. Força nunca desista dos seus sonhos

  7. Obrigada pela sua partilha. Desviamos vezes demais a vista e o pensamento da dura realidade quotidiana para muitas pessoas com.quem nos cruzamos. Talvez um dia, talvez na Gare do Oriente. Votos de dias melhores para si do que estes que aqui relata

  8. Como é possível neste ainda haver sem abrigo, durante vinte anos entraram 9 milhões de euros e nunca ninguém se lembrou destas pessoas com vidas tristes. Falta de moralidade.

  9. Que experiência! Obrigada por partilhar. Estamos sempre a ver os sem abrigos ou por muitas vezes não queremos ver los e pouco sabemos de suas rotinas.

  10. No ano passado, no início da pandemia, em Março de 2020, eu e muitos sem abrigo demos entrada no pavilhão do Casal Vistoso no Areeiro dentro de uma iniciativa da CML, coordenada pelo Vereador Manuel Grilo e sua assessora direta Teresa Bispo, coordenadora do NPISA. Fomos inseridos mais tarde num programa chamado Casas Primeiro. Centenas de nós já possuímos casa neste momento.

  11. Admiro a sua coragem na forma como descreve a sua situação até à bem pouco tempo, confesso que já vi muito do que conta trabalho no CF e entre 2011 e 2012 participei com um grupo de amigos na distribuição de refeições quentes, roupas, bens 1 necessidade, aliás pouco tínhamos mas partilhavamos com quem nada tem. Conheci muita gente nesse período que podiam mudar de vida se houvesse apoio, minha revolta é que as instituições recebem X por cabeça… Enfim não vou escrever mais sobre essas ditas instituições. Forte abraço

  12. Obrigado pelo seu testemunho é de fato comovente,que Deus o ajude a si a todos os sem abrigo deste mundo,bem haja .

  13. Muito bom conhecer uma realidade desta nossa Lisboa, na primeira pessoa. Seria importante alguém conseguir passar estes testemunhos para um documentário de televisão ou cinema, de forma a que mais e mais pessoas conhecem estas situações e que fosse potente para gerar mudanças e transformações.

  14. Bem haja pelo seu testemunho, é triste ver que quem tem poder olha primeiro para fora, em vez de arrumar primeiro a casa onde vive. Que tudo lhe corra bem, pois apesar desta experiência que viveu colheu frutos para ser uma melhor pessoa.

  15. Obrigada pelo seu testemunho é puro e duro! Custa a ouvir o que os nossos pensamentos dizem muitas vezes mas o que se passa é mau muito mau e nós viramos a cara para o lado!! Sinto vergonha de ouvir o que ali se passa, tal como em S. Apolónia, Rossio, Av. da Liberdade, Av. Républica e tantas outras ruas de Lisboa ondenada muda! Casas de milhões para uma minoria e pobreza extrema e indigna para milhões! Quando isto vai mudar?
    Pagamos um dos impostos mais altos para nada!! Triste!!
    Deus o ajude a si e a todos que precisam e que tenha sempre vontade de fazer acontecer porque foi essa a mola da viragem! Bem haja

  16. Fico contente que alguns sem-abrigo ja vivam em casas,mas parece-me que este problema nao se resolve sem resolver o problema do desemprego e com novas politicas de habitacao

  17. Eu sei que algumas instituições recebem dinheiro e não o gastam na alimentação. A alimentação que fornecem é doada. Mas nas minhas crónicas não quero entrar por aí. Quero apenas dar voz a todos os sem abrigo e mostrar pelo que passamos. Grato pelas suas palavras.

  18. Obrigado pelo testemunho
    Faz-nos todos pensar na realidade desta vida , e o que andamos cá a fazer .
    Somos todos humanos .
    Sinto me muito pequeno ao pé de todos vocês .
    O futuro será sempre melhor que o presente
    Eu acredito
    Grande abraço

  19. Obrigada pela sua partilha. Sem dúvida existe muito desconhecimento sobre os problemas das pessoas na condição de sem-abrigo. No seu texto toca na questão do vinho, em tempos conheci alguém que me explicou que o vinho nos dias frios dá uma sensação de calor, um conforto. Existe ainda a idéia de que não querem sair da rua. Por isso pergunto-lhe se realmente a maioria não quer, ou não consegue uma oportunidade?

  20. Muito obrigada pelo seu testemunho! E a sua coragem para partilhar o que verdadeiramente se passa neste submundo e, Dar voz aos nossos concidadãos que vivem em condições sub-humanas para que se acabe com os sem abrigo, de uma vez por todas. Bem haja!

  21. Eu vivi lá por alguns anos infelizmente.. 4 anos mais ou menos..
    Tudo o que eu li aqui e verdade! Eu vivenciei isso, na gare do oriente para quem (é de lá) pode acontecer tudo a qualquer momento seja bom ou mau.. feliz aquele que consegue se virar do avesso e sair dali e até mesmo da situação de sem abrigo! Fui para lá eu tinha 17 anos hoje tenho 26 sou emigrante e tenho a minha família construída e a nossa vidinha confortável.. não foi fácil mas consegui!!

  22. Eunice, ninguém que vive nas ruas quer lá ficar. O problema é que muitos anos a viver na rua desustrutura completamente uma pessoa. Eu vou-lhe dar um exemplo: existe perto de mim uma pessoas qque viveu na rua quase 10 anos. Há pouco tempo que tem uma casa como eu, graças ao programa em que estamos inseridos. Na primeira noite em que ficou na casa, não conseguiu adormecer na cama. Foi dormir para o chão. Eunice, muitos anos na rua, uma pessoa perde tudo. A sua identidade, a sua estrutura, dignidade, tudo. Alguns enlouquecem. Grato pelas suas palavras e por ler a minha crónica.

  23. Sr.Jorge fico tão feliz que tenha superado essa fase menos boa da sua vida! Parabéns por nunca baixar os braços em busca dos seus objetivos! Conheço de perto uma situação igual e fico muito orgulhosa quando a própria pessoa tem força e faz por mudar, porque a força está em vós! Com o apoio necessário se quiserem conseguem! As maiores felicidades para a sua vida!

  24. Obrigada pelo seu testemunho, Deus o abençoe e que consiga mudar a sua vida para melhor, todos nós merecemos viver com dignidade. Custa me passar pela nossa cidade e ver a realidade em que se encontram seres humanos deste país, tanto dinheiro que entra na Santa casa da “Misericórdia” com o dinheiro das raspadinhas sim e só falo desse jogo porque há outros podiam acabar com os sem abrigo, construir Repúblicas como as dos estudantes e dar apoio, “ensinar” e trazer essas pessoas de volta à Vida, dando lhes a “cana para pescar” até conseguirem caminhar sozinhos. Sinto tristeza destes governantes a maior parte Corruptos a desviar milhões por ganância.
    Um bem haja toda a felicidade do mundo.
    Rosário Ramos

  25. Bom dia eu chamo me Anabela batista e uma amiga Zélia Nunes, criamos um grupo que se chama Dê de para os sem abrigo, este grupo pede ajuda amigos com alimentos e vamos ao sábado pelas 20 h levar comida
    Sopa
    Segundo prato
    Sobremesa
    Sandes
    Bolo
    Fazemos de porque está mau para todos, mas ver o sorriso deles quando recebem a comida é gratificante.
    São muito educados falam sempre um pouco já nos conhecem alguns já teem os nossos contatos caso precisem de algo como já aconteceu que nos enviaram mensagem a pedir máscaras, sabonetes, pasta dentes e escovas e nós pedimos e conseguimos levar.
    Estamos neste momento a fazer 30 refeições
    Agradeço de a todos amigos que nos teem ajudado e ajudam a ajudar quem precisa.

  26. Muito obrigado pela partilha, pela coragem e pelo testemunho, desejo de coração tudo de bom para si, e peço desculpa por tanta indiferença pelo sofrimento alheio..

    Que Deus o guarde, e encaminhe sempre

  27. Da Helena
    O Presidente da República está a par destas situações, colaboro por vezes na confecção da alimentação na “Casa” e por vezes somos surpreendidos com ele a ir ajudar, e a agitar as águas para os diversos deparamos do Estado fazerem o seu papel, e devo dizer-lhe que a CML, também os ajuda.
    Cumprimentos

  28. Fantastica descrição. Só sabe descrever quem experencia a vivência.
    Parabéns. Gostei mt de ler embora ficasse com um nó no estômago.
    (O senhor dá licença que eu publique o seu texto no meu blog?)

  29. Jorge… A si e tantos outros Jorges… Lamento profundamente o mal que a vida vos trouxe! Parabenizo-vos pela coragem, pela força de vontade e por mostrarem que são mais fortes que todas essas adversidades! O seu testemunho é incrível e deveria chegar a todos!
    Desejo-lhe as maiores felicidades e que mantenha sempre essa vontade de vencer!
    Muita luz no seu caminho!
    Receba o meu abraço.
    Ana

  30. PARABÉNS por ter tido a força e coragem para sair da situação em que se encontrava e que pode acontecer a qualquer nda.Parabéns também pelo seu testemunho dando a conhecer uma realidade tão dura…está a dar voz a todos aqueles que não têm ou não conseguem se expressar. Desejo do fundo do coração que muitas mais pessoas consigam ultrapassar os obstáculos com que se deparavam e consigam dar a volta à situação.
    Um bem haja!

  31. Muito Obrigada pela coragem, sinceridade e honestidade da sua partilha. Sobretudo, pela sua determinação de mudar algo que, imagino, seja o mais difícil. Isso ė algo que nunca ninguém lhe poderá tirar. Faz parte e está gravado na sua vida. Para sempre. Esse valor inestimável ė seu. Muito obrigada por partilhä-lo.

  32. Bonito de ver que é entre os “indignos” desta sociedade onde se encontra mais dignidade !
    Abraço Companheiro

  33. Agradeço a partilha da sua história e a coragem de escolher uma nova vida para si.
    Bem-haja por acordar e fazer acontecer.
    Tantas pessoas com casa, trabalho e família e continuam adormecidas, infelizes e deprimidas.
    Muita luz no seu caminho!
    A sua história inspira.
    Um abraço

  34. Jorge, fiquei contente de saber que conseguiu sair da rua. No seu testemunho senti um aperto enorme no meu coração. Não imagino o que é por isso! Agradeço a partilha e espero que de algum modo possa alertar uns ou despertar algo positivo para outros .

  35. Em primeiro lugar, obrigada pelo testemunho. Acredito que não seja de todo fácil e é sem duvida inimaginável para quem não vive essa mesma experiência.
    Em segundo, lamento que situações e vivências como as de um sem-abrigo se passem. Muitas vezes queremos ajudar (e fazemos ou não) muitas vezes queremos ignorar (conseguimos ou não). Mas acredito que ninguém consiga ficar indiferente quando vê alguém a passar fome/frio/necessidade de um abrigo… Espero que o Sr se encontre bem neste momento com a sua casa, e que possa ter uma nova oportunidade de ser feliz. Espero igualmente que o nosso país tenha mais iniciativas como esta que o abrigou, e que ajude a olhar pelos nossos, porque todos temos direito a alguma dignidade (casa, privacidade, abrigo e comida)… Pelo menos isso.

  36. A vida do sem abrigo não é fácil. Nem no mesmo barco que se encontram, nem todos conseguem ser humanos uns com os outros. Por isso, eu tento minimizar o vosso sofrimento com refeições diárias para todos vós sem olhar ao vosso estrato social. CASA centro de apoio aos sem abrigo, mas desde já afirmo se o nosso governo quisesse, podia resolver quase todos os casos. Cada caso depois de analisado era encaminhado.

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