Olá, vizinhos!

Quando soubemos de duas petições, uma contra a instalação de um centro para pessoas em situação de sem abrigo em Arroios, e outra contra o prolongamento do centro temporário de acolhimento do Casal Vistoso, no Areeiro, colocou-se-nos um dilema, aqui na Mensagem.

O que fazer?

Para nós era assunto importante. Quem nos segue sabe que temos dado atenção a um tema que a pandemia tornou mais gritante na cidade. Foram várias as reportagens que publicámos, da Catarina Reis, que percorreu os caminhos não percorridos, encontrou o Sr. Jorge – numa história incrível de superação, de alguém que ficou na rua por amor e, felizmente, já recuperou a sua vida num programa de apoio – que nos trouxe o Jorge Costa que, com a sua linguagem perfeita e crua, nos tem contado, na primeira pessoa, como é fácil acabar sem teto e como é difícil a vida da rua.  

A empatia não é um exercício transcendente, antes pelo contrário. Dar a ver é o primeiro passo para que aconteça. Quem conhece estranha menos. Quem estranha menos, odeia menos. Quem sabe mais, pensa melhor. É por isso que as cidades são o primeiro campo de batalha contra os movimentos que vivem precisamente do contrário – do ódio ao outro e ao diferente.

Era neste sentido que vínhamos a trabalhar, e era, de certa forma, ao contrário disso que iam qualquer uma das petições, com linguagem a roçar a desumanidade.

Por isso: que fazer?

Até porque não ignorávamos o sentimento de insegurança que tinha motivado as petições, e um sentimento, para ser verdadeiro só tem de sê-lo.

Fizemos, de certa forma, o mais difícil, sobretudo para um jovem site sobre assuntos da cidade, a precisar de divulgação. Escolhemos o caminho da serenidade. Pusemos gelo nos pulsos e trouxemos as perguntas à boca.

A Catarina Reis e a Carolina Alves trabalharam sobre o assunto, fizeram todas as perguntas e chegaram a algumas conclusões, que hoje apresentamos na reportagem que abre o site.

Aqui os leitores terão acesso ao argumentário das petições, à explicação de quem esteve envolvido nas polémicas.

Mas não ficámos por aqui. Na tradição do Jornalismo de Soluções, que ganha terreno no mundo, fomos também em busca da bitola para este problema: o que se faz “lá fora”, como algumas cidades do mundo tentaram resolvê-lo, e quais foram bem sucedidas nisso.

Surpreenderá talvez, quem leia esta peça, mas as coisas não são bem como apareceram nas redes sociais, e algumas das soluções experimentadas são-no também em Lisboa. Assim tenhamos todos os olhos lavados para o perceber. E o humanismo para o sentir.

É nesse sentido que vão os nossos votos. Bem hajam os que trabalham todos os dias este problema aqui, perto de nós. Não lhes falte energia e vontade.

— Catarina Carvalho

PS – Na semana que vem, vamos ter mais um encontro com leitores. Será no dia 6 de maio e debateremos um tema: jardins e árvores em Lisboa. Será extraordinariamente na quinta-feira, em vez de quarta, por conveniência dos convidados que teremos connosco: alguns dos protagonistas das histórias que temos publicado. E desafiamos-vos a trazerem as vossas histórias e perguntas sobre o tema. Mais notícias até ao final da semana. Pode inscrever-se AQUI.

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