Pode o que se passou entre duas salas mudar Lisboa?


Olá, vizinhos

Os últimos dias da Mensagem poderiam ser um conto passado entre duas salas.

A primeira, a Brasileira do Chiado, onde recebemos os nossos leitores e vizinhos que falam inglês mas querem muito saber o que se passa em Lisboa, a cidade que os acolheu. Foi um debate em zoom e com a presença de Marina Costa Lobo e Geert Linnebank – lá está, um jornalista holandês que vive em Portugal.

Em Lisboa há cerca de 200 mil dos 700 mil imigrantes com autorização de residência em Portugal, que aqui vivem e fazem parte do nosso dia-a-dia, são nossos colegas de trabalho, vizinhos. Grande parte não pode votar – com exceção de comunidades como a brasileira, fruto de um acordo entre países. E vão ficando até fora dos discursos de campanha dos candidatos. Mas nem por isso deixam de se preocupar com o país e a cidade aos quais também pertencem – e, sim, estas legislativas também têm a ver com a nossa vida na cidade.

Abrimos-lhes as portas do Zoom, e contámos-lhes como funciona o nosso sistema de voto, que contas se fazem para eleger deputados para o Parlamento e que partidos fazem hoje parte desta conta toda.

Todos traziam questões sobre política e como funcionam as eleições legislativas em Portugal, e a discussão foi, mais que tudo um momento de inclusão e conhecimento.

Que foi, também, o que aconteceu uns dias mais tarde, numa outra sala de Lisboa, mais uma lição de cidadania.

Já não éramos nós os anfitriões, mas estivemos na Casa dos Direitos Sociais para assistir à primeira aula da universidade popular e comunitária que nasceu em Lisboa – a Pluriversidade Comunitária.

Uma ideia nascida da cabeça de um académico, Rogério Roque Amaro, para fazer transitar o saber dos bairros para os bairros. Porque “o saber não está só na academia”, muitas destas pessoas nem chegam a ela e o conhecimento de vida pode dar-nos tanto ou mais do que um canudo. Aqui, são eles, os nossos vizinhos, quem nos ensinam. Ao lado, têm académicos de várias instituições portugueses (e até internacionais) para validar tudo o que vai para a ‘aula’.

Desde que anunciámos o lançamento da Pluriversidade, têm chegado à nossa caixa de e-mail e de comentários no site dezenas e dezenas de mensagens. Querem fazer parte, saber mais ou só aplaudir.

É a cidade a trabalhar para a cidade – se dúvidas houvesse que há por aí muitos cidadãos a lutar por uma Lisboa melhor.

E, no final de contas, bastarão duas salas para fazer já uma grande mudança.

Lemo-nos por aí!

— Catarina Reis


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