Olá, vizinho/a!
Deve lembrar-se que quando a Mensagem começou houve uma divisão sobre a nossa missão de nos esforçarmos por contar histórias construtivas de Lisboa. Uns confundiam com “boas histórias”, e criticavam a opção. Outros adoravam – lembro o elogio do Nuno Markl sobre “quão incrível pode ser a vida numa cidade como Lisboa”, e como o tínhamos surpreendido, numa era “de tensão e discórdia”.
Passaram três anos, e as coisas não melhoraram muito a esse nível: a tensão continua e a discórdia vence. Mas, por isso mesmo, julgo que hoje se percebe melhor a importância deste jornalismo construtivo. Numa época de polarização, sermos como diz o Dino D’Santiago, radicais da moderação. Congratulamo-nos, por exemplo, ao ver o Público a ser elogiado por mostrar como o Centro para as Migrações no Fundão se tornou um modelo de integração, ou contar como O Jornal do Fundão faz um suplemento bilingue escrito por migrantes, numa reportagem desta semana.
Quando escolhemos esta linha construtiva seguimos o nosso instinto, mostrando uma cidade viva, que sabíamos existir e era pouco mostrada. Mas também nos inspiramos numa tendência do jornalismo internacional que se chama “Jornalismo de Soluções”, nos EUA, e “Construtivo”, na Europa.
Agora fá-lo-emos ainda com mais rigor: fomos aceites na primeira equipa de aceleração de Jornalismo de Soluções do Journalism Fund Europe. Somos os únicos portugueses entre dez redações, escolhidas entre centenas que se candidataram. Em parceria com o ObiMedia, Observatório de Inovação dos Media, da FCSH-UNL vamos trabalhar com os nossos colegas europeus para encontrar abordagens para “aumentar a confiança dos leitores, a participação da audiência”.

Mas então o que é o Jornalismo de Soluções?
É o “jornalismo que investiga e explica, de forma crítica e lúcida, como as pessoas tentam resolver problemas amplamente partilhados”. Simples? Nem tanto, tendo em conta que até os mais suaves dos jornalistas definem como notícias aquilo que “deu errado”. Ora o que o jornalismo de soluções faz é tentar expandir essa definição: “as respostas aos problemas também são dignas de notícia”. Tirei estas citações do site Solutions Journalism.
Basicamente é isto que os leitores da Mensagem sentem quando nos leem, não é? O cansaço ao ver a 30.ª desgraça no telejornal, o apertar do peito ao percorrer as polémicas do Twitter, e, de repente, um sentimento de esperança com a história do varredor de São Vicente que escrever livros contra ao lixo, ou a relembrar o rapper Beto e o seu trabalho social em Chelas…
O que o jornalismo de soluções faz é complementar a cobertura dos problemas, indo atrás das frustrações das pessoas, mas, ao invés de ficar por aí a resmungar, mostrar como esses problemas já foram solucionados. Mostrar como, por exemplo, outras cidades resolvem os mesmos problemas. E quando as autoridades são confrontadas com possíveis soluções, as “desculpas não são suficientes. E a mudança acontece”.
É isto. Há uma lógica por detrás destes jornalismo e não é “ser fofinho”. Segundo estudos recentes os leitores tendem a evitar menos as notícias quando elas lhes dão a sensação de serem atores de uma história em vez de vítimas de um destino.

Não é o que queremos todos?
Se quiser saber mais sobre o Jornalismo de Soluções, veja aqui.
Até breve!

Catarina Carvalho
Co-fundadora e diretora
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