
Olá, vizinho/a
Poderia resumir o ano àquele dia em que Lisboa abanou. Pouco, mas abanou… A cidade acordou antes do sol, estremecida, no final de agosto: um sismo às 4 da madrugada fez tremer camas, janelas e conversas de café. De repente, todos queríamos saber onde nos devíamos encontrar em caso de emergência. A Mensagem deu uma resposta, com uma espécie de “guia de sobrevivência“. Foi o meu último artigo publicado antes de entrar em trabalho de parto, horas depois, num hospital que é precisamente um desses pontos de encontro em caso de sismo em Lisboa.
Hoje quem vos escreve é Catarina Reis, jornalista e editora na Mensagem de Lisboa, quase regressada ao trabalho depois de ter ganho o título mais bonito do mundo – “mãe”. Venho exatamente para fazer o habitual balanço do ano, em que tentámos continuar a ser um abanão na cidade, com réplicas na Área Metropolitana de Lisboa.
Não somos nós que dizemos: numa recolha de testemunhos de final de ano, alguns leitores nossos falavam da Mensagem como um “lugar de fé” na cidade, de descoberta e participação. Como um veículo de soluções, e também debates que provocaram discussões e mudado sítios. E vidas.
Que vidas? Que soluções? – estará a perguntar-se agora. Respondemos no Relatório de Impacto 2024. Normalmente fazemos para nós, este ano partilhamos consigo que nos acompanha. Espreite-o aqui, clicando na imagem:
Lisboa tremeu. Mas a cidade, como nós, vibra, resiste, mesmo quando o tremor assusta. Há quem nos faz acreditar que a Lisboa da gaiola pombalina parece hoje o mais belo e preparado modelo arquitetónico de comunidades: onde Marlene, Varela e Augusta decidem dedicar as vidas à comunidade, e ajudar a reduzir a pobreza e aumentar a cultura; onde a famosa Avenida Almirante Reis, guardou espaço para abrir uma livraria que é um sonho de 1957; e onde dois amigos repõem os bancos que desapareceram das paragens de autocarro, em protesto por um direito de todos os lisboetas.
Na Mensagem sabemos a força que Lisboa tem ao não ser só uma cidade, mas em criar pontes com os territórios que a rodeiam. Foi a nossa missão este ano, com o Projeto Narrativas, primeiro a ir até ao Casal da Boba, na Amadora, e a Algueirão-Mem Martins, em Sintra, mas depois a atravessar mesmo o rio: uma versão do projeto dedicada ao Ambiente, em Setúbal, de onde já saiu o podcast “O Efeito da Borboleta” e vários workshops de jornalismo colaborativo. Mais tarde, já em dezembro, lançamos novos mural de Nuno Saraiva e um livro de Ferreira Fernandes, sobre Américo Ribeiro, também em Setúbal.
Assim continuará a ser em 2025. Certo, só temos uma coisa – que estamos aqui para servir a nossa comunidade, as nossas cidades, e a si caro leitor, ou leitora.
Este foi o ano em que nos empenhámos na sustentabilidade, com parceiros diferentes, de bolsas a projetos com agentes da cidade, aos nossos membros. Nada disso é isento de lutas. O jornalismo criou para si próprio o problema de não conseguir vender o bem que faz – as histórias e as investigações. Mas o nosso desafio é encontrar uma maneira de o conseguir. Em que o jornalismo transitivo, feito para todos, seja também sustentável.
E este é também um desafio para si. Vem connosco nesta caminhada? Veja aqui como contribuir:
Até para o ano, vizinho/a!
Catarina Reis
P.S.: Um post scriptum que é, na verdade, uma manchete – o pesar pela morte de Pedro Sobral, editor da LeYa, presidente da APEL, um companheiro da Mensagem e, mais recentemente, jurado na nossa Bolsa Jorge Costa. Que pena não seguirmos para 2025 juntos. Teremos muitas saudades.
Se ainda não leu:

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