
Olá, vizinhos
Estão a ouvir este burburinho? Lisboa não para e os lisboetas também não. A cidade onde se viveram as revoluções e mudanças, continua a ser palco de lutas, desta vez urbanas. Quer seja numa horta comunitária quer seja numa ciclovia. As pessoas mostram que têm algo a dizer sobre a cidade onde vivem.
E nós mostramos em duas histórias como as vozes dos cidadãos se estão a levantar – e a ser ouvidas – em Lisboa.
É o caso dos moradores do bairro da Horta Nova, em Carnide.
Há nove anos, pela calada da noite, ocuparam e escavaram um terreno contíguo ao bairro e abandonado pela EPUL. A fome batia à porta de muitas famílias e encontraram ali uma forma de sobreviver: criaram hortas.
Só no ano passado é que este espaço lhes foi reconhecido e requalificado oficialmente pela autarquia.
Este sábado, 5 de março, eles são os especialistas que vão ensinar aos nossos membros como se cria uma horta urbana – mesmo à mais pequena escala.
- Inscreva-se no workshop, organizado pela Mensagem, aqui:
Na polémica Almirante Reis, as pessoas também se fazem ouvir e com tanta força que acabaram por ser ouvidas. A questão da ciclovia, que dominou a campanha autárquica, levou a Junta de Freguesia de Arroios, a pedido da Câmara Municipal de Lisboa, a convocar grupos de interesse, comerciantes e cidadãos a dar início a um período de reconstrução participada da importante avenida lisboeta.
- Leia aqui o relato dessa noite de participação pública:
Foram cerca de cem as pessoas que se juntaram esta segunda-feira, no Mercado do Forno do Tijolo. E reclamaram uma intervenção profunda, uma avenida mais humana, com espaço para quem anda a pé e de bicicleta e com mais árvores. O arquiteto paisagista João Castro, incumbido com a liderança do processo participativo que agora se inicia, revelou que, no verão, a diferença de temperatura da Avenida Almirante Reis para a Rua Pascoal de Melo, com mais sombras de árvores, é de cinco graus.
Na nova avenida, a que resultar das ideias defendidas no decorrer da participação cidadã, “deverá haver arvoredo”, garante.
Nós, na Mensagem, gostamos de ver Lisboa a mexer. Gostamos sobretudo de ver os lisboetas a tomar conta da cidade e a transformá-la com as suas ideias e a sua força.
Em tempos tristes, noutras cidades europeias, sentimo-nos ainda mais reconfortados.
Até sábado, na horta!
Catarina Reis e Frederico Raposo
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