Olá vizinho(a)!
Há cerca de um ano, estávamos a descobrir a história do misterioso lazareto de Porto Brandão, e um entrevistado levou-me (quem escreve é a Ana da Cunha) e à Inês Leote ao bairro do Asilo.
O que era o bairro do Asilo e porque tinha este nome?
Esse tinha sido o lugar onde foram realojados os moradores do Asilo 28 de Maio, o tal lazareto, um edifício monumental no cume do Porto Brandão, projetado no século XIX para acolher os viajantes que chegavam a Lisboa, obrigando-os a fazer quarentena e que tinha tido várias vidas – orfanato (ou seja, Asilo), e, depois do 25 de Abril, casa para famílias que chegavam das ex-colónias a Portugal. Em más condições, uma derrocada matara duas crianças no lazareto, e isso deu mais urgência ao realojamento, que até envolveu António Guterres.
Se não leu esta extraordinária história – ou está de férias e com tempo – pode ouvi-la ou lê-la aqui:
Naquelas ideias sempre complexas do que é a “nossa terra” para quem tem ou pertence a várias, o Asilo era um desses lugares: conheci quem tivesse tatuado no braço “Asilo 28 de Maio”, e quem recordasse, com saudade, os tempos do velho Asilo, apesar das más condições. Esses sentimentos passaram para o novo bairro, mesmo para muitos que nasceram ali, herdeiros das histórias de pais e avós – tanto assim que esse ficou o nome informal do bairro.
Hava uma razão para o saudosismo: os lugares de encontro que havia no velho e falhavam no novo bairro. A última festa de que todos se lembram acontecera há 15 anos, sobre a independência de Cabo Verde.
Esta semana, eu e a Inês voltámos à margem sul, para dar conta de uma empreitada que está finalmente a recuperar esse sentimento de união: os mais jovens uniram-se para dar nova vida ao logradouro nas traseiras da urbanização de prédios onde vivem. Apropriaram-se dele e decidiram fazer o que já não se fazia há 15 anos: uma festa!
Foi com a ajuda do colectivo Warehouse, ao abrigo dos fundos do PRR da Câmara Municipal de Almada.
Pode ler esta história de força, empenho e civismo aqui:
A história deste logradouro e dos jovens que lutaram para o recuperar é a prova de que a união faz a força. É disso que se fazem as cidades.
Para nós, jornalistas da Mensagem, foi uma alegria ver uma nova geração a honrar a história do seu bairro, e a lutar para manter a comunidade. E o orgulho da terra, que são várias e se juntam aqui. E acreditamos que, com a nossa série sobre o velho Asilo 28 de Maio, contribuímos um bocadinho para isso.
A si, em férias já com saudades delas, ou ainda à espera, desejo-lhe um bom fim de semana com boas histórias como esta!
Ana da Cunha
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