logotipo mensagem

Olá vizinho, vizinha!

Quando penso o que seriam os últimos 5 anos sem a Mensagem de Lisboa, penso sobretudo nas pessoas, lisboetas da gema (como diria o Pierre Aderne, que é uma delas), de quem nunca os outros lisboetas saberiam, não fosse a sua história ser contada aqui. Deixem-me ser ufana: foi nisso que a Mensagem marcou mesmo a diferença.

Alguém teria ouvido falar na Dona Florentina, que por acaso liga várias das Lisboas da minha vida, porque era a dona da papelaria em frente ao meu liceu Padre António Vieira, e descobri ser a criadora do jardim no logradouro sujo do seu prédio, em Alvalade?

A D. Florentina. Foto: Rita Ansone

No Miguel Macedo e na Silke Jellen que puseram canteiros para evitar os carros na rua deles, em Arroios.

No também jardineiro, este guerrilheiro,Nuno Prates, que mudou as leis da cidade no que diz respeito aos canteiros livres. E, já agora, no Leonardo Rodrigues que começou por nos contar esta história e se tornou nosso cronista de flores e árvores.

Assim como o Stephen O’Reagan e a Rita Ansome – um irlandês e uma letã – ambos retratados pelo seu amor a Lisboa traduzido num projeto, o People of Lisbon. Ele ficou nosso amigo para sempre. Ela é até hoje nossa fotógrafa.

Vizinhos da Baixa. Foto: Rita Ansone

Penso também na Fátima Cardoso que cozinhava de sol a sol na Escola Básica das Galinheiras para que ninguém passasse fome naqueles tempos de Covid.

No Jorge Costa, o nosso cronista cuja história “sem abrigo” emocionou Lisboa e nos deu a conhecer ao Nuno Markl – que nos deu um grande empurrão inicial.

O Manuel Banza que tinha feito um estudo sobre Lisboa como cidade de 15 minutos, e nos introduziu ao conceito, tendo-nos mudado a vida (e nós a dele).

A Laura Almodóvar que meteu mãos à obra numa rádio de bairro, num lugar que já não existe. O carteiro Manuel Lopes que deu nome a imensas ruas da cidade… 

Nesse início, há cinco anos, uma jornalista perguntou: não têm medo de ficar sem assunto? Eu e o Ferreira Fernandes, rimos. Hoje podíamos estar o resto do dia a contar as histórias que descobrimos, e as que ainda temos na gaveta. Por contar. 

Mensagem arraial Mouraria 2023 Festas de Lisboa
Um jornal também é alimentar o amor pela sua cidade. O Arrial Mensagem na Renovar a Mouraria. Foto: Carlos Menezes

Sempre com o mesmo ponto de vista desse primeiro texto que aqui escrevi, “o da gente que faz a cidade. Aqui nunca haverá uma história pequena demais, porque com essas é que se tecem as malhas de uma cidade.” 

No mundo do jornalismo fala-se muito da nossa utilidade. Dos jornalistas. Questionando-a todos os dias, à medida que o mundo estica em direções diferentes, as autocracias avançam, e as pessoas se desacreditam. 

Aqui, na Mensagem, sempre acreditámos que tudo isso se combate na nossa rua. Com os nossos vizinhos. Com empatia. E é isso que acontece quando nos conhecemos uns aos outros. Pertencer, fazer parte, criar laços. É a nossa missão. Ser o lugar onde Lisboa vem para estar junta. Conhecer-se. Não nos grandes acontecimentos mas nas pequenas histórias.

Como dizia o Richard Gingras (antigo vice-presidente para jornalismo da Google), num texto recente,

A missão da imprensa deve ser dotar as comunidades da informação de que necessitam para se compreenderem, e o mundo além delas. Isto inclui não apenas as grandes notícias, mas também as pequenas narrativas do quotidiano. O jornalismo deve ajudar-nos a compreender as nossas comunidades, a desfrutá-las e a fortalecê-las. Deve ajudar-nos a valorizar as diferenças e a encontrar valor nessas distinções. Deve celebrar as esperanças e os sonhos de uma comunidade, e não focar-se meramente no que correu mal.

 E fornecer a esperança, apresentando soluções para problemas ao invés de apenas apontá-los – acrescento eu. 

Comboios de Bicicleta, uma solução para a mobilidade para a escola. Foto: Bicicultura

Nestes cinco anos mudou muita coisa? Mudou.

A sociedade está mais polarizada, o ambiente mais agreste. E embora tenhamos tido um balão de oxigénio com a vitória de António José Seguro, todos sabemos que caminhamos sobre gelo fino que, ao quebrar-se, pode levar-nos à imersão num mundo de ódio ao outro, raiva. Tudo o que destrói uma cidade. E uma sociedade.

Nestes cinco anos, tudo foi fácil?

Nada é fácil numa área sem modelo de negócio óbvio e com ameaças constantes. Os media mundiais vivem em crise. E escapam, curiosamente, os grandes conglomerados em inglês, e os pequenos, que conseguiram trabalhar para as suas comunidades. Nós, juntos, fizemos o que aqui temos. Com o seu apoio, – e da Brasileira do Chiado, do Grupo Valor do Tempo, os sócios que tornaram isto possível.

Em 2025 tornámo-nos sustentáveis de uma forma que muito nos orgulhamos, com parcerias de entidades (públicas e privadas) que valorizam o nosso trabalho pela cidade. 

Falta dizer muito, aqui. Dos murais que fizemos, com o Vhils e o Nuno Saraiva, com base em trabalhos que deram livros, alguns dos que publicámos. Os arraiais. Os prémios. As Mensagens ao Vivo. As bolsas e projetos em comunidades de que nunca se fala.

Mas também os que produziram tudo isto. Os que escreveram estas histórias connosco – freelancers e a nossa olisipógrafa equipa cheia de garra. Quem as edita todos os dias. Quem as fotografa. Quem as desenha. Os que nos apoiaram com o seu carinho, em várias funções. 

Catarina Reis e Nuno Varela debatem o projeto Narrativas no Festival Política. Foto: Inês Leote

A todos, um enorme obrigado partilhando este amor por Lisboa que é o mote deste aniversário. 

E a si, também! 

E muitos parabéns – esta história também é sua. 

Catarina Carvalho

Diretora

PS: Temos um sonho, o de ser totalmente suportados pelos membros da nossa comunidade – um dia havemos de lá chegar. Mas quem quiser pode começar aqui em baixo, com a sua contribuição.

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição: