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A caminho de casa, depois de uma lua de mel em Espanha, Hailey Pash e Scott Stransky decidiram mudar-se para lá. Scott sonhava viver na Europa desde um intercâmbio nos arredores de Valência, que fez nos tempos do liceu, e Hailey não via razões para esperar. 

Mas o processo de obtenção de visto arrastava-se sem progressos. Três ou quatro meses depois de submeterem os primeiros documentos, uns amigos em Amsterdão sugeriram Lisboa. “Depois havia outros amigos que diziam: sabemos que gostam muito de Espanha, mas já foram a Portugal?” conta Scott.

Não tinham ido, e por isso vieram, conhecer diferentes bairros da cidade. Citadinos, sabiam que quereriam ficar em Lisboa. Dão mais prioridade ao espaço do que ao charme de edifícios antigos – têm um cão muito ativo – e decidiram-se por Carnide. Fizeram a mudança de Denver, Colorado, para o bairro lisboeta em maio. 

Scott e Hailey mudaam-se para Lisboa em maio. Vieram para ficar. “Não somos nómadas digitais”, dizem. Foto: Macy Lipkin

Scott tem a sua própria agência de marketing. Em vez de trabalhar de manhã à noite em Denver, trabalha à tarde no seu apartamento em Lisboa. “Ainda trabalho muito, mas não é o trabalho esmagador e stressante que tínhamos em Denver,” diz. Os seus clientes estão num fuso horário com cinco a sete horas mais cedo, por isso de manhã Scott pode fazer exercício ou praticar Português durante e começar o trabalho à distância depois do almoço. 

Hailey era enfermeira no Colorado, um trabalho que não pode fazer à distância, então fundou uma agência de marketing semelhante à de Scott.  

“Não somos nómadas digitais,” diz Scott. “Estamos cá para ficar.” Ele e a Hailey vieram com vistos D7, que permitem a estrangeiros que tenham rendimentos próprios obter residência legal em Portugal. O processo de obtenção do visto implicou demoras e burocracias, mas Hailey e Scott dizem que os funcionários dos serviços de imigracao foram surpreendentemente amáveis. 

O número de americanos que vivem em Lisboa triplicou desde 2010. Agora os americanos são o maior grupo de estrangeiros a comprar casas na Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Lisboa. Em geral, os estrangeiros gastam mais do dobro do que gastam os lisboetas e são responsáveis por quase 20% das vendas de imóveis em Lisboa. Em Lisboa, as casas custam mais do que nunca. Um estudo recente classifica Lisboa como a terceira cidade mais cara para viver, tendo em conta o salário médio de um português e o custo de vida no país. 

James Muscat é cofundador e CEO da Moviinn, uma organização que ajuda pessoas e empresas a mudar-se para Portugal. Tem assistido a um crescimento lento, mas estável no número de americanos que se mudam para Portugal, com picos de procura relacionados com acontecimentos significantes nos Estados Unidos: as eleições presidenciais de 2016 e 2020, o início da pandemia, o movimento Black Lives Matter e a decisão recente do Supremo Tribunal de Justiça americano que reverteu a jurispridência do caso de Roe v. Wade [que protegia a liberdade de escolha das mulheres no que se refere ao aborto]. 

James Muscat, CEO da Moviinn, que ajuda pessoas e empresas a mudar-se para Portugal. Foto: D.R.

Para quem está a rever as suas prioridades, Portugal parece ser uma boa opção, diz Muscat: qualidade de vida, clima, custo de vida relativamente baixo, segurança, localização e incentivos financeiros, como o regime fiscal para o residente não habitual, que oferece aos indivíduos elegíveis uma redução de impostos de vinte por cento durante dez anos. 

“Vemos que o número de americanos que procuram Portugal continua a crescer e que são cada vez mais diversos,” diz Muscat. Vêm de outras partes dos Estados Unidos, não só da Califórnia e de Nova Iorque. Vêm mais famílias, além dos reformados, que se ficassem nos Estados Unidos talvez tivessem hipótese de se reformar”.

O crescimento da comunidade americana em Portugal convida mais pessoas mudar-se para cá. Blogs, vídeos de YouTube e guias de como fazer tornam a mudança mais fácil do que nunca. Isto não quer dizer que não surjam problemas.

Scott e Hailey estão a arrendar a casa deles em Denver, por isso conseguem ver ambos os lados da subida dos preços do mercado imobiliário. Reconhecem que os donos do apartamento onde vivem em Lisboa beneficiam do dinheiro estrangeiro, enquanto se torna cada vez mais difícil para os lisboetas viverem na sua cidade. 

“Preocupo-me que se crie uma sociedade mais desigual, ao estilo americano”, diz Scott. “Há sempre desigualdades de rendimento, mas um influxo de estrangeiros exponencia isso.” 

 Scott não tem uma solução, mas acha que impedir a imigracao não é a resposta. Por agora, agradece a Lisboa por permitir-lhe viver cá. Quer conhecer melhor a cidade, o que implica melhorar o seu português. “Não faz sentido viajar, se trouxeres sempre o teu país contigo,” diz. 

É através dos passeios com o cão Gus, que Scott e Hailey têm conhecido o bairro, alguns vizinhos e palavras em português. Foto: Macy Lipkin

Hailey inscreveu-se num curso de português, promovido pelo Alto Comissariado para as Migrações, e pratica com livros e séries para crianças. “Estou a aprender como uma criança. Primeiro aprendo as minhas palavras, e depois vou juntar as palavras,” diz. 

“Talvez devamos comprar cereais e sentar-nos em frente ao televisor num sábado de manhã a ver desenhos animados como crianças de oito anos,” diz Scott, com humor. Gostaria que as escolhas americanas priorizassem o ensino de outras línguas como Portugal: “És um melhor cidadão do mundo quando consegues comunicar em várias línguas.” 

O ritmo de trabalho mais lento foi uma das razões para a mudança do casal, mas Scott descobriu que pode ser frustrante quando se quer ter alguma coisa feita. Compara a paciência com qualquer outra competência: tem que ser praticada. “Se és forçado a ter paciência a cada minuto de cada dia, aprendes a ter paciência. Começa a transformar o modo como vives cada dia.” 

“Aqui, as pessoas não têm pressa”

Allison e Dustin Baxley também se mudaram para Lisboa pelo ritmo de vida mais lento. Em Brooklyn, Allison sentia que andava sempre com pressa: pressa para deixar aos filhos na escola, pressa para chegar ao trabalho, pressa para ir buscar os filhos à escola, pressa para fazer o jantar e pôr os filhos a dormir, e repetir tudo ao mesmo ritmo, no dia seguinte.

“Aqui, as pessoas não têm pressa,” diz Allison. Num dia produtivo, cumpre um ou dois itens da sua lista de coisas para fazer. Deixa fluir e desfruta.  

Dustin ainda trabalha como contabilista na indústria do cinema. Allison deixou o seu trabalho na área do marketing e começou um blogue, Renovating Life (Renovando a Vida), para documentar a mudança da família para Portugal. Explicou as razões da mudança e escreveu sobre o processo complexo de obter um visto D7

Dustin e Allison, com os filhos Jax e Mia, em Cascais, para onde mudaram há um ano, para uma vida mais tranquila. Foto: Macy Lipkin

Allison e Dustin viveram em Berlim durante seis meses, quando estavam na universidade. Preparavam a mudança para Budapeste, por causa do trabalho de Dustin, quando começou a pandemia. Os meses arrastavam-se sem que outras oportunidades surgissem e então decidiram eles próprios dar o passo.

“Estava desiludida com a minha carreira e queria começar de novo,” diz Allison. Queria segurança, sol e um contexto político mais tranquilo. Viver na Europa abriria um mundo de viagens para os seus filhos, que têm três e seis anos. Ela e Dustin adoraram Portugal quando visitaram o país em 2012, e o custo de vida mais baixo tornou-o ainda mais atraente. Queriam espaço para os filhos brincarem, por isso mudaram-se para Cascais há um ano. 

“No outro dia, a minha filha disse, ‘Gosto mais da nossa casa cá do que da nossa casa em Brooklyn.’ Acho que não poderia mudar para França, por exemplo, e sentir-se em casa, como aqui. Os portugueses são tão acolhedores,” diz Allison. 

Allison deixou Nova Iorque numa altura em que sentia que toda a gente estava a sair. O cunhado ainda vivia perto, umas ruas abaixo, mas só se encontravam uma vez por semana, se tanto. Em Cascais, “as pessoas tem tempo para estar juntas,” diz Allison, em vez de marcar encontro para tomar café com três semanas de antecedência. “Há mais encontros espontâneos aqui. Envio uma mensagem no nosso grupo de WhatsApp a dizer que vamos fazer um churrasco, e três em cinco famílias aparecem.”

Allison gosta que os seus novos amigos sejam de todo o mundo: Califórnia, Argentina, África do Sul, Inglaterra, Canadá, Brasil, Portugal. Estas ligações são mais fortes do que as que tinha em Nova Iorque. “Acho que tenho mais amigos verdadeiros agora, com os quais posso contar para me trazerem medicamentos se estiver doente ou ir buscar os meus filhos à escola se estiver atrasada,” diz. 

A pandemia habituou-a a chamadas longas por FaceTime, portanto não é assim tão diferente, nem difícil, manter o contacto com os amigos nos Estados Unidos. 

Allison não põe de parte voltar a mudar de país no futuro, se os seus filhos quiserem estudar noutro lugar, por exemplo, “mas por agora, é isto. A minha família nem isso percebe,” diz. 

Melhorar o português tem sido mais difícil do que imaginava. Assiste a aulas virtuais e pratica quando sai de casa, mas a fluência dos lisboetas em inglês diminui a necessidade de falar português. “Às vezes pergunto a um português se fala inglês e ele diz que só um pouco e depois mantém uma convesrsa inteira em inglês,” diz Allison. “Se eu alguma vez falasse português tão bem, estaria felicíssima,” diz. 

Quando os lisboetas ouvem o seu sotaque, começam a falar em inglês. “Mas se digo alguma coisa muito bem, respondem logo em português e o meu cérebro para de funcionar,” diz. 

O objetivo de Allison é a fluência. “Quero conseguir a cidadania portuguesa, conhecer mais amigos portugueses, e integrar-me,” diz. Além de aprender a língua, vê a integração como fazer bons e viver mais devagar para desfrutar de cada dia, em vez de “trabalhar cada dia para desfrutar de um par de dias.”

O tempo para estar com os filhos e desfrutar da vida foi uma das razões que levou Allison a querer sair de Brooklyn para Lisboa. Foto: Macy Lipkin

Esse prazer significa dias na praia, festas de aniversários, e cozinhar para um grande grupo, agora que tem tempo. O seu blogue motivou-a a interagir com mais pessoas e forjou amizades: uma mulher que entrou em contacto com ela para fazer perguntas sobre o visto é agora a sua melhor amiga em Portugal. 

Através de grupos de Facebook, conheceu pais de outras crianças que frequentam a mesma escola que os seus filhos, Aprendizes, uma escola privada e bilingue em Cascais. Em Brooklyn, a sua filha andava num jardim de infância bilingue, com inglês e espanhol, por isso já estava habituada a ouvir outras línguas. “Eles vão ser fluentes muito antes do que eu,” diz, a rir. O filho com três anos já sabe as cores em português. 

Allison e Dustin passaram grande parte do seu primeiro ano cá a estabelecer-se: encher uma casa vazia, converter as cartas de condução, obter números de utente de saúde para a família toda. Agora, querem entrar no mundo da imobiliária. “Gostaria de arrendar uma propriedade que mostre como é a cultura portuguesa,” diz. “Queremos contribuir para Portugal, não saqueá-lo.”

“Lisboa é muito cara. É o problema de ter tantos americanos. Sinto mal pelos lisboetas”

Tara e Fernando Muñoz também se mudaram a Lisboa em julho passado. Daqui a cinco anos e com aprovação num teste de português, serão elegíveis para cidadania portuguesa. Os seus filhos poderão frequentar universidades da União Europeia e pagar propinas de residentes. Tara não pode votar, mas sabe qual o partido que apoiará quando puder: PAN, Pessoas–Animais–Natureza. “É bom que tenham um partido político que está a lutar por justiça climática e justiça para os animais,” diz. 

Tara tem um blogue, Vegan Family Adventures (Aventuras da Família Vegana), sobre viagens e opções veganas em Portugal. Fernando trabalha em artes gráficas para uma escola para surdos em Austin, Texas. Maia, a filha de 16 anos do casal, anda na Escola Artística António Arroio. Matias, o filho de 14 anos, foi educado em casa, mas quer matricular-se numa escola pública este ano. 

Fernando, Matias, Tara e Maia Muñoz mudaram-se para Lisboa há um ano. O objetivo é obterem a cidadania portuguesa. Foto: Macy Lipkin

Toda a família fala espanhol: Fernando é chileno e Tara viveu no México e no Chile. Como Hailey e Scott, planearam mudar-se para Espanha, até que um amigo português lhes recomendou Portugal. “Pôs-nos em contacto com a família dele e perguntámos-lhes sobre os bairros e as escolas,” diz Tara. O processo para um visto era mais fácil em Portugal – “e tudo em Portugal é ótimo”, diz Tara – então, mudaram de ideias e rumaram a Lisboa. 

Estão a arrendar um apartamento no Areeiro, mas querem comprar casa. “É muito caro, cá,” diz Tara. “É o problema de ter tantos americanos. Sinto-me mal pelos lisboetas.” 

Maia e Matias Muñoz, irmãos e melhores amigos, integraram-se bem na nova cidade e já têm amigos por cá. Foto: Macy Lipkin

Além do seu trabalho em Austin, Fernando tem um estúdio de arte no LxFactory. Ele e Tara têm conhecido artistas de todo o mundo nos eventos de estúdio aberto. Além disso, Tara tem conhecido amigos através internet, com interesses em comum ou filhos da mesma idade. Por enquanto, a maioria são estrangeiros também. Encontram-se para fazer caminhadas ou ir à piscina do bairro. “Gosto da energia, da arte nas ruas e dos quiosques que estão em toda a parte, para estar na esplanada, com uma bebida fresca, durante um dia de calor”, diz Tara. 

Foi difícil começar a escola em português, mas Maia criou um bom grupo de amigos. A vida na cidade dá-lhe independência. “Pode ir com o seu passe do metro a qualquer lado. Todas as sextas-feiras sai com amigos e não a vemos até à noite,” diz Tara. Não precisar de ter carro é um privilégio para a família, mas Tara diz que foi difícil conseguir o passe navegante familiar. 

Matias fez amigos num clube de xadrez, e ele e a sua irmã são melhores amigas. A família planeia voluntariar-se para trabalhar em abrigos de animais este verão, para ajudar e para conhecer pessoas com as mesmas preocupações ambientais. 

“Ficámos entusiasmados de mudar para Lisboa porque a cidade é uma rampa de lançamento para a Europa e África”

Alan e Lynn [nomes fictícios] estão no processo de mudança do Colorado para Lisboa. Amantes de viagens, há muitos anos que pensam mudar-se para a Europa. A visita de Alan a um amigo em Portugal há cinco anos cativou-o. 

Quando chegou a pandemia, procuraram na internet opções de vistos e lugares para onde mudar. Gostaram Lisboa pela comida, as pessoas, a proximidade aos Estados Unidos e resto da Europa, e o Visto Gold. Lynn veio falar com um advogado e decidir se a família avançaria com a mudança. Sim, decidiu. 

O Visto Gold permite a estrangeiros investir em imbiliário em Portugal em troca de cidadania da UE. O processo tem andado devagar – há problemas legais e sistémicos que têm sido notícia.

“É opaco,” diz Lynn. Mudanças de regras e em todo o processo têm afetado o avanço do mesmo. Os cinco anos em que têm que fazer o investimento antes de se tornarem cidadãos da UE só começam a contar quando o processo estiver concluído,” diz Lynn. 

“Não é o fim da história,” diz Alan, “porque esta escolha não foi meramente financeira.”

Em Lisboa, Alan encontrou um clube desportivo onde os colegas desportistas o convidaram para jantar. A filha mais velha, Paige, está entusiasmada por começar a universidade no outono, mas está a desfrutar do verão em Lisboa. Tem aulas de português de manhã e aulas de surf à tarde. Gosta de ouvir podcasts e andar pelas ruas. “Vejo muitas coisas interessantes assim,” diz. 

Alan e Lynn têm o seu próprio negócio. Pensam em trazê-lo para Portugal, mas por agora, o seu foco está em estabelecerem-se e resolverem a questão dos vistos. Depois do verão, ficarão nos Estados Unidos até a filha mais nova concluir o secundário. Então, serão livres para ir e vir quando quiserem.  

“Estávamos entusiasmados com a mudança porque Lisboa é uma rampa de lançamento para a Europa e África,” diz Lynn. “Mas gostamos tanto de estar cá que não temos ido mais longe do que Cascais.” 

“Se não tens que estar sentado a uma secretária, não interessa onde estás”

Scott e Hailey descrevem-se como “beer people” [apreciadores de cerveja]. Acham que não teriam encontrado uma cena tão forte de cerveja artesanal em Espanha. Até agora, há quatro cervejarias artesanais que adoram, incluindo a Oitava Colina, onde nos conhecemos. Trouxeram uma cerveja para o cervejeiro porque queriam tornar-se “amigos da cerveja.” 

Enquanto se habituam à vida em Lisboa, têm caminhado mais do que nunca. “Estamos a conhecer o bairro através do nosso cão,” diz Hailey. “Prevejo que muitas das nossas ligações no bairro sejam com outros donos de cães.” Têm aprendido frases relacionadas com cães como “que querido” ao falarem com lisboetas na rua. 

A Oitava Colina é uma das cervejarias artesanais preferidas de Hailey e Scott. Foto: Macy Lipkin

Scott vê Lisboa como uma joia escondida. “Os americanos conhecem Espanha, França, Alemanha — conhecem os países grandes. Conhecem a Itália porque é uma bota,” diz. A maioria não sabe nada sobre Portugal. Não há razão para isso.

Mas Portugal está a tornar-se cada vez mais popular entre os americanos. Scott acha que as gerações mais novas são mais aventureiras, viajam para lugares que os pais não conhecem, tiram anos sabáticos ou mudam-se para fora do país. A pandemia mostrou que muitos trabalhos podem ser feitos de qualquer sítio, o que abriu um mundo de possibilidades — tanto para viajar como para viver.

“Se não tens que te sentar a uma secretária, o que importa onde estás?” diz Hailey. Se tivessem ficado em Denver, não teriam tempo nem dinheiro para viajar pela Europa até à reforma. Com uma base em Lisboa, estarão a visitar os seus amigos em Amsterdão em muito pouco tempo.


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* Macy Lipkin nasceu em Boston há 21 anos; está a estagiar na Mensagem num programa de intercâmbio, e ficará em Lisboa para o verão. Está animada para melhorar seu português, experimentar todos os restaurantes veganos e conhecer as ruas desta cidade melhor do que conhece sua cidade natal.


Americans in Lisbon: “I worry that it’s going to create more of an American-style have and have-not society”

The slower pace of life, proximity to the rest of Europe and the simpler process of obtaining a visa are bringing more and more Americans to Lisbon. To stay. And live. Scott and Hayley from Denver, Allison and Dustin from Brooklyn, Fernando and Tara, from Austin, Alan and Lynn from Colorado are some of them.

Scott Stransky, Hailey Pash, and dog, Gus. Foto: Macy Lipkin

On the way home from their honeymoon in Spain, Hailey Pash and Scott Stransky decided to move there. Scott had dreamed of living in Europe since a high school exchange outside Valencia, and Hailey saw no point in waiting.

But the visa application process dragged on without progress. Three or four months after submitting their first papers, their friends in Amsterdam suggested Lisbon.

“Other friends came out of the woodwork and said, we know you love Spain,” Scott said, “But have you been to Portugal?”

They hadn’t, so they came to get a feel for different neighborhoods. City people, they knew they’d want to be in Lisbon. They prioritized space over old-building charm — they have an active dog — and settled in Carnide. They moved there in May from Denver, Colorado.

Scott runs his own marketing agency. Instead of working morning to night in Denver, he works afternoons in his apartment in Lisbon. “I’m still working a lot, but it’s not the crushing, stressful work that we had back home,” he said. His clients are five or seven hours behind, so he can exercise or practice Portuguese in the mornings and hop on calls after lunch.

Hailey was a nurse practitioner in Colorado. Since she can’t do that remotely, she started a healthcare marketing firm similar to Scott’s.

“We’re not digital nomads,” Scott says. “We’re here to stay.” He and Hailey came on D7 visas, which allow foreigners with steady incomes to obtain legal residence in Portugal. The application process had its share of delays and bureaucracy, but Hailey and Scott agreed that the immigration workers they interacted with were surprisingly friendly.

The number of Americans living in Portugal has tripled since 2010. Americans are now the largest group of foreigners buying property in the Urban Rehabilitation Area of Lisbon. On the whole, foreigners spend more than twice what locals spend on real estate, and they are responsible for almost 20% of real estate sales in Lisbon. In Lisbon, home prices are at record highsa recent study ranked Lisbon as the third most expensive city to live in, considering average income and cost of living.

James Muscat the co-founder and CEO of Moviinn, an organization that helps people and organizations move to Portugal said he’s seen slow but steady growth in the number of Americans moving to Portugal, with spikes around major events in the U.S., like the 2016 and 2020 presidential elections, the start of the pandemic, the Black Lives Matter movement, and even the Supreme Court’s recent overturning of Roe v. Wade.

James Muscat, Moviinn CEO, organization that helps people and companies relocate to Portugal. Photo: D.R.

For people reevaluating their priorities, Portugal seems to be a great option, Muscat said: quality of life, weather, relatively low cost of living, safety, location, and financial incentives, like the non-habitual resident program, which offers eligible individuals a twenty-percent tax break for ten years.

“We’re seeing that number continue to grow and become more diverse,” Muscat said. Americans are moving from different parts of the country, not just New York and California. More families are coming, along with retirees who might not have been able to retire back home.

As the community of Americans in Portugal grows, it is likely to invite even more people to make the move. Blogs, YouTube videos, and how-to guides are making it easier than ever.

But this doesn’t mean that problems won’t arise.

Scott and Hailey are renting out their home back in Denver, so they see both sides of rising real estate costs. They recognize that the owners of their apartment benefit from foreign money, while it becomes harder and harder for locals to live in the city.

“I worry that it’s going to create more of an American-style have and have-not society,” Scott said. “There’s always wealth inequality, but an influx of foreigners just lights that on fire.”

Scott doesn’t have a solution, but he doesn’t think halting immigration is the answer. For now, he appreciates Lisbon for allowing him to live here. He wants to get to know the city better, which means improving his Portuguese.

“There’s no point in traveling if you just bring home with you,” he said.

Hailey signed up for a Portuguese class from the government and practices through children’s books and cartoons. “I’m learning like a child. I learn my words first, and then I will put words together,” she said. Scott answers with humour: “Maybe we should buy cereal and sit in front of the TV on a Saturday morning, watching cartoons like eight-year-olds.”

He wishes U.S. schools prioritized bilingualism like Portugal does: “It makes you a better citizen of the world when you can communicate in multiple languages.”

The slower pace of work was one reason they moved, but Scott found that it can be frustrating when he wants to get something done. He compared patience to any other skill: it needs to be practiced.

“If you’re forced to be patient every minute of every day, then you learn to be patient. It starts to transform how you move through your day.”

“People don’t rush around here”

Allison and Dustin Baxley also moved to Lisbon for the slower pace of life. Back in Brooklyn, Allison felt like she was always on the run: running to drop off the kids, running to work, running to pick up the kids, rushing to make dinner and put the kids to bed, and then doing it all again the next day.

“People don’t rush around here,” Allison says. She checks one or two tasks off her to-do list on a good day. She lets things go at the pace that they go and enjoys it.

Dustin, Allison, Jax, and Mia Baxley in Lisbon. Foto: Macy Lipkin

Dustin still works as an accountant in the film industry. Allison left her marketing job and started a blog, Renovating Life, to document her family’s move to Portugal. She explained why they moved and described having to chase moving targets in applying for D7 visas.

Allison and Dustin lived in Berlin for six months during college. They were preparing to move to Budapest for Dustin’s work when the pandemic began. The months dragged on without any other opportunities, so they decided to make a move themselves.

“I was disillusioned with my career and looking for a fresh start,” Allison said. She wanted safety, sun, and less tumultuous politics. Residing in Europe would open up a world of travel for her kids, who are three and six. She and Dustin had loved Portugal when they visited in 2012, and the lower cost of living made it even more appealing. They wanted space for their kids to run around, so they moved to Cascais last July.

“Just the other day, my daughter said, ‘I like our house here more than I liked our house in Brooklyn.’ I don’t think I could’ve moved to France, for instance, and felt right at home. Portuguese people are so welcoming,” Allison said.

Allison left New York at a time when she felt like everyone was moving away. Her brother-in-law still lived down the street, but they only got together once a week, if that. In Cascais, “people have the time to just hang out,” Allison said, rather than booking coffee dates three weeks in advance. “There are more impromptu hangouts here. I’ll message everyone in our WhatsApp group that we’re barbecuing, and three out of five families will come over.”

Allison loves that her new friends are from all over the world: California, Argentina, South Africa, England, Canada, Brazil, and Portugal. These connections are stronger than the ones she had in New York. “I feel like I have more true friends now, who I could count on to bring me medicine if I’m sick or pick up my kids if I’m running late,” she said.

The pandemic got her used to long FaceTime calls, so keeping in touch with friends in the U.S. doesn’t feel all that different.

Allison might consider leaving in the future, maybe if her kids want to go to school somewhere else, “but for now, this is it. My family doesn’t even understand that,” she said.

Improving her Portuguese has been harder than Allison expected. She’s taking online classes and practices when she’s out in public, but locals’ fluency in English has limited the times when she’s needed to speak Portuguese. “Sometimes I ask Portuguese people if they speak English, fala inglês?, and they say just a little, and then they have a full English conversation,” she said. “If I ever spoke Portuguese that well, I’d be so happy,” she said.

Locals usually hear her accent and switch to English. “But if I say something too well, they’ll rattle back in Portuguese, and my brain just stops working,” she said.

The goal is still to become fluent. “I want to get citizenship, make more Portuguese friends, and really integrate,” she said. On top of learning the language, she sees integration as making long-term friends and slowing down to enjoy every day, rather than “working every day to enjoy a couple days.”

Time to be with the kids and enjoy life are some of the reasons why Dustin, Allison, Jax, and Mia Baxley moved from Brooklyn to Lisbon. Foto: Macy Lipkin

That enjoyment looks like beach days, birthday parties, and cooking for a large group, now that she has the time. Her blog has pushed her to interact with more people, and it’s even led to friendships: a woman who reached out with visa questions is now her best friend here.

Through Facebook groups, she met other parents who were putting their kids in the same school, Aprendizes, a private dual-language school in Cascais. Her daughter attended a bilingual Spanish kindergarten in Brooklyn, so she was used to hearing a different language in class. “My kids are gonna be fluent before I even come close,” Allison said, noting that her three-year-old already knows his colors in Portuguese.

Allison and Dustin spent much of their first year here just getting settled: furnishing an empty house, converting their driver’s licenses, getting health numbers for the whole family. Eventually, they want to get into real estate. “I’d love to rent out a local property that shows what Portuguese culture is like,” she said. “We want to contribute to Portugal, not take away from it.”

“It’s really expensive here. That’s the problem with having so many Americans come. I feel bad for the locals.”

Tara and Fernando Muñoz also moved to Lisbon last July. After six years here and a language test, they’ll be eligible for Portuguese citizenship. Their kids will be able to attend EU universities at EU prices. Tara can’t vote yet, but she knows which party she’ll support when she can: PAN, short for People-Animals-Nature. “It’s nice that they have a political party that’s fighting for climate justice and animal justice,” she said.

Tara runs a blog, Vegan Family Adventures, about travel and vegan options in Portugal. Fernando does publications and graphic design for Texas School for the Deaf in Austin.

Their sixteen-year-old daughter, Maia, attends Escola Artística António Arroio, a public arts high school. Their fourteen-year-old son, Matias, is homeschooled but plans to enroll in public school this fall.

The Muñoz Family: Fernando, Matias, Tara, Maia. Foto: Macy Lipkin

The whole family speaks Spanish: Fernando is Chilean and Tara has lived in Mexico and Chile. Like Hailey and Scott, they initially planned to move to Spain, until a Portuguese friend suggested they consider Portugal.

“He connected us with his family, and we asked them about the different neighborhoods and what schools the kids should go to,” Tara said. In the end, Portugal’s visa process was easier, “and everything in Portugal is amazing,” Tara said, so they changed their plans and moved to Lisbon.

They’re renting an apartment in Areeiro but looking to buy. “It’s really expensive here, though,” Tara said. “That’s the problem with having so many Americans come. I feel bad for the locals.”

In addition to his Austin-based job, Fernando has an art studio at LxFactory. He and Tara have befriended artists from all over the world at open studio events. Outside of that, Tara has met friends online who share interests or have kids the same age as hers.

For now, most are fellow foreigners. They’ll meet for walks and swim at the neighborhood pool. “I like the energy, the street art, and the little kiosks that are everywhere,” Tara said, for sitting down with a cool drink on a warm day.

Starting school in Portuguese was challenging, but Maia has made a solid group of friends. City life offers her independence. “She can take her metro pass and go anywhere. Every Friday afternoon she goes out with friends, and we don’t see her until night,” Tara said.

The family loves that they don’t need a car, though Tara had to jump through hoops to get family navegante passes for 80 euro a month.

Matias has met other kids through a teen chess club, and he and his sister are best friends. The family plans to volunteer at animal shelters this summer, both to help out and meet like-minded folks.

“We were excited to move because Lisbon is a launchpad for Europe and Africa”

Alan and Lynn [not their real name, as they want to stay anonymous] are in the process of moving to Lisbon from Colorado. Frequent travelers, they’d been thinking of moving to Europe for years. Alan visited a friend in Portugal five years ago and loved it.

When the pandemic hit, they scoured the internet for visa options and places to move. They liked Lisbon for its food, people, proximity to the U.S. and the rest of Europe, and Golden Visa. Lynn came to meet with a lawyer and decide whether the family was going to go ahead with the move. She said yes.

The Golden Visa allows foreigners to invest in property in Portugal in exchange for EU citizenship. The process has moved slowly – there have been many legal and systemic problems in the news.

“It’s opaque,” Lynn said. Changes in rules and processes have stalled their progress. The five years they need to invest before becoming citizens don’t start until the process is complete, Lynn said.

“It’s not a deal-killer,” Alan said, “because this choice wasn’t purely financial.”

In Lisbon, Alan found a sports club where fellow athletes invited him to dinner. His older daughter, Paige, is excited to start college in the fall, but she’s enjoying her summer in Lisbon, taking Portuguese classes in the mornings and surfing lessons in the afternoons. She likes listening to podcasts and wandering the streets. “I see so much interesting stuff that way,” she said.

Alan and Lynn own their own business. They’re thinking of bringing it to Portugal, but for now, they’re focused on getting settled and squaring away their visas. After the summer, they’ll stay in the U.S. until their younger daughter finishes high school, and then they’ll be free to come and go as they please.

“We were excited to move because Lisbon is a launchpad for Europe and Africa,” Lynn said. “But we love it so much here that we haven’t gone farther than Cascais.”

“If you don’t have to sit at a desk, why does it matter where you are?”

Scott and Hailey are self-described beer people. They don’t think they would’ve found such a solid craft brewery scene in Spain. So far, there are four that they really like, including Oitava Colina, where we met. They brought a beer for the brewer because they wanted to make “beer friends.”

Scott Stransky, Hailey Pash, and dog, Gus Foto: Macy Lipkin

As they settle in, they’ve been walking more than ever. “We’re learning our neighborhood by way of the dog,” Hailey said. “I anticipate a lot of our neighborhood connections will be with other dog owners.” They’ve picked up dog-related phrases like “que querido,” how tender, from locals they’ve met on the street.

Scott sees Lisbon as a hidden gem. “Americans know Spain, France, Germany — they know the big countries. They know Italy because it’s a boot,” he said.

For no good reason, many don’t learn about Portugal in school.

But Portugal is becoming increasingly popular with Americans. Scott thinks younger generations are more adventurous, traveling where their parents didn’t, taking gap years or moving abroad. The pandemic taught us that many jobs can be done from anywhere, and this opened a world of opportunity — both for travel and relocation.

“If you don’t have to sit at a desk, why does it matter where you are?” Hailey said. If they’d stayed in Denver, they wouldn’t have had the time or money to travel Europe until retirement. With a home base in Lisbon, they’ll be visiting their friends in Amsterdam in no time.


* Macy Lipkin was born in Boston 21 years ago; is interning in Lisbon for the summer. Excited to improve her Portuguese, try all the vegan restaurants, and get to know the streets better than she knows her hometown. 

Macy Lipkin nasceu em Boston há 21 anos; está a estagiar na Mensagem num programa de intercâmbio CIEE, e ficará em Lisboa para o verão. Está animada para melhorar seu português, experimentar todos os restaurantes veganos e conhecer as ruas desta cidade melhor do que conhece sua cidade natal.

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1 Comentário

  1. O nosso país é considerado um paraíso na Europa, é um bom local para se viver. É natural que atraiam cada vez mais estrangeiros para se fixarem por cá.
    Existem vários factores que tornam o país excelente para se viver desde, segurança, paz, clima, alimentação, mar, história, etc.

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