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Lindy Reid recebe-nos à porta do seu apartamento no Chiado, desculpando-se por estar coberta de farinha. Se não dissesse não notávamos, uma vez que usa um elegante vestido branco que ofusca tudo e umas vistosas botas vermelhas  – não exatamente a indumentária que se esperaria numa mulher que trabalha na cozinha.

A Lindy vive em Lisboa há 5 anos. “Sou dos EUA, de New Hampshire, mas sempre quis ir viver para fora. Fiz algumas pesquisas e vim parar a Lisboa.”

Quando encontrámos Lindy, ela já estava a fazer bagels, é isso que Lindy faz – Lindy faz bagels. Tem uma mesa coberta de fileiras de massa mole com o formato tradicional dos bagels.

Torna-se evidente que Lindy é uma nostálgica, pois tudo o que faz parece remeter para a sua infância ou para a sua distante cidade natal. “Os bagels são grandes no lugar de onde sou. Só percebi que lhes sentia a falta quando cheguei aqui.”

Lindy fez muitas coisas antes de realizar o seu seu sonho de fazer bagels. “Trabalhei em moda durante algum tempo.” Isso explica o vestido. “Gosto de roupas, mas também ensinei inglês online quando cheguei aqui.”

É confortável ver Lindy a fazer os seus bagels. É fácil imaginá-la na capa de um livro de receitas. Corta a massa com precisão. “Tem que ser sempre consistente”, comenta, enquanto o faz. Cuidado, Martha Stewart!

Lindy confessa amar Lisboa. “É fácil conhecer pessoas aqui. As pessoas querem aprender coisas novas.” Note-se que ela poderia estar a viver em Los Angeles. É onde mora o seu namorado, produtor de cinema. “Lisboa é mais para mim”, justifica.

A conversa sobre as dificuldades de um relacionamento à distância faz passar o tempo enquanto a massa cresce. “Leva 40 minutos a crescer.” O quê? O entrevistador está a ficar com fome e impaciente.

O apartamento de Lindy é como ela – luminoso e ensolarado. Ela senta-se à janela para ler o livro que anda a ler – Crime e Castigo, de Dostoievsky. Inesperado.

O que mais preocupa Lindy agora é que, depois do negócio online, está a arriscar abrir a sua própria loja física de bagels em Lisboa. Ficará perto do Cais do Sodré. “Estou muito ansiosa. Seria difícil fazê-lo no meu país, mas fazê-lo num país com regras e leis diferentes torna tudo muito intenso”. Apesar da pressão, ela admite: “Durmo muito bem”.

Finalmente a massa cresceu, e Lindy continua a fazer o que faz melhor – bagels. Aprendemos que os bagels devem ser fervidos antes de colocados no forno. É uma revelação. “Sim, têm que ser fervidos. É isso que lhes dá a textura mastigável.”

Todas as receitas de bagels de Lindy têm um significado pessoal para ela. “Muitos fiz para amigos em casa, outros são receitas de família.” Lá vem aquela nostalgia de novo.

A marca de bagels da Lindy chama-se Rhodo. “Vem do nome da flor Rhododendron [Rododendro] – que cresce à volta da minha cidade natal. Não tem nada a ver com bagels.”

Enquanto a consersa continua, Lindy aplica queijo creme e salmão num bagel e uma mistura de cogumelos noutro. Os olhos começam a lacrimejar. É difícil continuar concentrado nas respostas dela. As perguntas desaparecem. Há que admitir que, por vezes, é só hora de comer.

Os bagels são devorados com satisfação. Lindy parece feliz. Sorri.

Lindy, tens algumas palavras proféticas com que queiras encerrar a conversa?

“Sê gentil. Sê gentil.”

Ela sorri novamente.

Podemos encerrar por aqui.

Parceria com o projeto People of Lisbon.


Lindy makes bagels

Lindy Reid is from New Hampshire, USA, and her boyfriend, a film producer, lives in Los Angeles, but she chose Lisbon to live. And give free rein to her talent: bagels.

Lindy Reid greets you at the door of her Chiado apartment and claims to be covered in flour. It’s hard to notice as she is stylishly dressed in a standout white number and eye popping red boots – not quite the attire you might expect from a woman who has been slaving in the kitchen.

Lindy has been living in Lisbon for 5 years. “Originally I’m from the US. My state is New Hampshire. I always wanted to live abroad. I did some research and Lisbon is where I ended up.”

When we meet Lindy she is already making bagels, for that is what Lindy does – Lindy makes bagels. She has a table adorned with rows of squishy looking dough in the traditional bagel shape.

It becomes apparent that Lindy is a nostalgic as everything she does seems to hint to her upbringing or faraway hometown. “Bagels are big where I am from. I only realized I missed them when I came here.”

Lindy did many things on the road to realizing her bagel dreams. “I worked in fashion for a while.” That explains the dress sense. “I do like clothes but I also thaught English online when I first arrived here.”

You feel comfortable watching Lindy make her bagels. You could imagine seeing her on the front of a cookbook. She cuts the dough to precision. “Every time it has to be consistent.” Martha Stewart watch out.

Lindy admits to loving Lisbon. “It’s easy to meet people here. People here want to learn new things.” It should be noted that she could be living in Los Angeles. That is where her film producer boyfriend lives. “Here is more for me.”

Chit chat about the difficulties of a long-distance relationship passes the time as the dough rises. “It takes 40 minutes to rise.” What?! The writer is getting hungry and impatient.

Lindy’s apartment is like her – bright and sunny. She sits by the window to read her current book – Crime and Punishment by Dostoievsky. Not expected.

What’s most heavy for Lindy now is that she is taking the plunge to open her own bagel cafe in Lisbon. It will be close to Cais Do Sodré. “I’m very anxious about it. It would be hard to do it in my country, but to do it in a country with different rules and laws makes it very intense.” Despite the pressure she admits, “I sleep just fine.”

Finally the dough has risen, and Lindy goes about doing what she does best – making bagels. We learn that bagels need to be boiled before being put in the oven. It’s a bagel revelation. “They need to be boiled. That’s what gives them the chewy texture.”

All Lindy’s bagel recipes have a personal resonance for her. “A lot of them I have made for friends at home, or are family recipes.” There is that nostalgia again.

Lindy’s bagel brand is called Rhodo. “It’s named after the flower Rhododendron – which was around my hometown growing up. It has nothing to do with bagels.”

As this chit chat goes on Lindy is applying cream cheese and salmon to one bagel and a mushroom concoction to another. Eyes begin to water. It’s hard to focus on her answers anymore. The questions become inane. Sometimes it’s just time to eat.

The bagels are devoured with satisfaction. Lindy seems happy. She smiles.

Does Lindy have any prophetic words to wrap the conversation?

“Be kind. Be kind.”

She smiles again.

We can leave it there.

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