Olá vizinhos!

Dino D’Santiago não é só um dos artistas mais famosos de Portugal no momento. É um ser de luz. E essa luz pode guiar-nos, fazer-nos descobrir que há um outro caminho: num mundo de divisões, ele junta; num ambiente de pessoas que acham que por terem opiniões diferentes não podem sequer falar, ele abraça; aos que acham que toda a luta tem de ser guerra, ele oferece um sorriso aberto.

E isto tudo sem deixar de falar dos temas difíceis – como é bem prova o seu disco acabadinho de sair, Badio. Aliás, essa é a sua grande diferença, o lado pelo qual ele aborda esses temas. Com futuro em vez de passado: o da sua “nação crioula, bela”.

“Nós realmente temos nas nossas mãos a possibilidade de transformar isto num mundo bem melhor, e raramente na História tu tiveste a oportunidade de a reescrever. Não é esquecer o que aconteceu, mas é o que podemos fazer de melhor para que os nossos filhos, os filhos dos nossos filhos, e as novas gerações, e a nova humanidade. O mundo nunca foi tão crioulo, em todas as nações. Então porque é que não nos assumimos realmente como as Nações Unidas e trabalhamos juntos, construímos juntos, sem haver mais privilégio?”

É isto.

E isto Dino aprendeu no bairro onde foi criado, a que ele já chamou as “United Colors of Benetton” dos pobres, o dos pescadores, em Quarteira. E em casa, com os pais de quem se orgulha tanto, cuja religião homenageia, mesmo que não concorde com tudo. Ela que os guiou para o lado bom da vida, apesar de todas as dificuldades.

Talvez nunca tenha feito tanto sentido dizer: Dino é uma bênção. E Lisboa só pode aproveitá-la. Temos sorte que ele tenha vindo para cá, embora isso fosse praticamente uma inevitabilidade.

Ele próprio já fez muito pela cidade com o seu projeto Lisboa Criola que está a trabalhar por essa mistura. Em breve, na semana que vem, vamos apresentar um projeto novo, dele com a Mensagem – de que esta entrevista é uma antecipação.

Qual é a Lisboa de Dino D’Santiago?

“É uma cidade aculturada, mesmo que muitas vezes não se aperceba e que quem a habite não se aperceba que ela é aculturada… há milhares de anos. E depois há umas centenas de anos mais assumidamente com uma das capitais europeias mais diversificadas.”

Leiam esta entrevista e confiram isso mesmo:

Dino D’Santiago: “A minha Lisboa é uma cidade aculturada e tem os olhos mais abertos. É o epicentro da cultura que se misturou de forma incrível”

Uma entrevista sobre a descoberta da cidade crioula, das misturas e dos extremos. Da bondade e da energia que o cantor põe toda no seu novo disco, Badiu – lançado esta sexta-feira. Para saborear – ler, ver e ouvir.

Emocionem-se como nós nos emocionamos.

E até breve!

Catarina Carvalho

PS 1: A partir desta semana já podem subscrever as nossas notificações via push, para nunca perderem o fio à meada das histórias da nossa Lisboa.

PS 2: Esta semana a Mensagem ganhou o ouro nos prémios de Inovação em Media, na categoria Lançamento Projeto Digital do ano, da Meios & Publicidade. É muito importante para nós, por tudo o que significa, mas também pelo que mostra de como se pode evoluir no meio jornalístico, quebrando as barreiras tradicionais e inovando. Obrigado aos nossos membros, leitores, seguidores. E ao júri que nos selecionou.

PS 3: Se não costumam seguir a Banda Desenhada sobre Lisboa escrita por Ferreira Fernandes e Nuno Saraiva, aproveitem: acaba de sair um novo episódio, exclusivo, para já, dos nossos subscritores:

Josephine Baker, heroína negra, e espia em Lisboa, vai entrar no Panteão de Paris

A cantora americana que rompeu preconceitos e foi estrela nos anos 20, vai ser a primeira mulher negra a ser homenageada na necrópole parisiense. Em Lisboa, ainda há sinais da sua marcante passagem, em 1939.

Em Lisboa, o forró das gringas mostra o lado “for all” do ritmo nordestino

Mais do que um estilo musical, o forró é um mistério. Um ritmo que dissimula na batida festiva a melancolia e o lamento de uma legião de brasileiros massacrados pela seca e que, durante anos, […]

Metro: escadas rolantes e elevadores fora de serviço. De quem é a responsabilidade e como resolver o problema?

Chegar à estação do Metro e dar de caras com as escadas rolantes fora de serviço é chato. Quando acontece todos os dias, porque a manutenção tarda em chegar, mais chato é. Mas o chato […]

No Príncipe Real, há uma guerra de vizinhos entre a memória e a moda

Ouvem-se os acordes de uma guitarra. O ritmo da Bossa Nova que começa a pulsar camuflando as conversas em línguas do cinema. Há um ambiente cosmopolita, na esplanada do Príncipe Real. O sol aquece a […]

Lisboa merece um jornal para uma comunidade de cidadãos que valorizam a cidade em que vivem. Contribua para que este projeto possa crescer e fortalecer-se:

Já nos segue nas redes sociais?