Olá vizinha (o)!
Depois de uma pausa, voltamos para lhe dar conta de tendências novas de urbanismo e da vida em Lisboa. O questionamento do estacionamento, os novos habitantes das Vilas da cidade e os novos usos de vários conventos.
Não comece já a fazer esgares de dúvida! Sabia que as regras mandam que os novos prédios – sejam eles de habitação ou de escritórios – sejam obrigados a ter parques? Tudo bem até aqui, certo? Toda a gente precisa de um lugar para por o carro. Pois é. Mas e se lhe dissermos que os parques subterrâneos encarecem o custo total das obras em 12,5% – se for um por apartamento – e construir dois lugares torna a construção até 25% mais cara?
E que isso pode estar a impedir a construção mais barata, empurrando os agentes do setor para o luxo? Ah, pois é. Está tudo explicado neste texto do Frederico Raposo.
Em Lisboa, nas duas zonas de grande desenvolvimento, Campo Grande e Entrecampos, estão previstos milhares de lugares, em áreas já engarrafadas e onde os transportes públicos estão à disposição. Se calhar já era tempo de repensar isto – e os questionamentos do modelo vêm até já dos EUA, a pátria do urbanismo centrado nos carros…
O Frederico falou com Donald Shoup, o maior guru em estacionamento. Ele disse-lhe que “é óbvio que é um terrível erro haver obrigatoriedade de construir estacionamento. Não só aumenta o custo das habitações, como significa que muita habitação não será construída”.
A Ana da Cunha encontrou nos novos habitantes das Vilas de Lisboa pessoas em busca de um modo de vida próximo, e que parece já um sonho na cidade. Na Vila Luz falou com jovens herdeiras que recuperaram as casas com os amigos – recuperando o sentido de comunidade destes lugares tão lisboetas – e operários – do início do século XX. Na Vila Paulo e na Vila Mendonça, igual cenário.
Os motivos que atraem os jovens às vilas são vários: algumas têm preços ligeiramente abaixo do mercado, outras, embora já afetadas pela especulação imobiliária, surgem como oportunidades. Ao mesmo tempo, o convívio com os mais antigos habitantes tornou-se uma mais-valia, e esta mistura geracional permite combater a solidão e o isolamento.
Já em 2017, a Câmara Municipal de Lisboa anunciara a reabilitação de 9 pátios e vilas municipais, e um dos objetivos estabelecidos era precisamente atrair arrendamento acessível para jovens.
Nas últimas semanas, a Ana palmilhou várias vilas, e foram raros os casos em que não encontrou jovens a morar, como explica nesta reportagem:
Já na semana passada, a Ana tinha dado conta do potencial de transformação de vários conventos na cidade em habitação acessível. Possíveis soluçõe para a crise de habitação.
Basta querer. E fazer.
Já pensou em fazer uma visita a estes lugares tão típicos da cidade? Arrisque!
Boa Primavera e até breve!
PS1 – A Mensagem vai estar no Festival Política com o projeto Narrativas. É no dia 3, às 17h30, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, venha conversar connosco e com os nossos parceiros, o grupo cultural Unidigrazz, em Mem Martins, a associação juvenil Kriativu, de Chelas, e a Associação Cavaleiros-São Brás, de Casal da Boba. Será que contar estas histórias ajuda a criar uma consciência destes territórios, aumentar a participação cívica, associativa e eleitoral? Como aproximar as reivindicações destas populações dos centros de decisão e empoderar quem lá vive a ter maior participação política?
PS – No mês dos 50 anos da Revolução começamos com uma memória do marcante e de bom prenúncio, o concerto do Coliseu, a 29 de Março de 1974 – um texto do jornalista Pedro Tadeu, que muito nos alegra com a sua estreia na Mensagem. Bem Vindo!
Catarina Carvalho
Aproveite para ler estas histórias:

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:









