Abril subiu ao palco do Jardim de Inverno (Sala Bernardo Sassetti) do Teatro São Luiz, no Chiado, numa edição da Mensagem ao Vivo que, como já é habitual, esgotou (em oito minutos!). Uma edição dedicada à música do Abril que mudou as nossas vidas, o de 1974, e às histórias de resistência daquele tempo e de hoje.

A sessão arrancou com a música de José Mário Branco e Chico Buarque, interpretada por um sexteto e Mariana Vital, a cantora e jornalista que passou também pela Mensagem. Mariana recordou a Lisboa de outros tempos: a cidade onde cresceu, percorrendo a Calçada do Combro de mão dada com a avó, rumo à alfaiataria onde os avós trabalharam até que a gentrificação ditou o seu fecho.

A viagem continuou a fazer-se pelo tempo, com o relato de Maria Jorgete Teixeira, mulher ativista que, em Abril de 1974, saiu à rua, com uma evidente barriga de grávida, para celebrar o dia pelo qual tanto ansiara. Ela, que se tinha envolvido nas lutas estudantis que a levaram a ser suspensa da Faculdade de Direito, onde estudava.

A revolução fez-se de muitos rostos, alguns deles mais desconhecidos, como o de Maria Jorgete. É exatamente para tornar conhecidos esses desconhecidos que foi criado o projeto musical “Anónimos de Abril”, do cantautor Rogério Charraz e do apresentador de televisão José Fialho Gouveia. Juntos, resgataram a memória de uma nova heroína da revolução, em estreia absoluta na Mensagem ao Vivo: Luísa Vaz Oliveira que, com apenas 22 anos e estudante de Económicas, foi presa pela PIDE durante 18 meses, depois de, tal como Maria Jorgete, se ter envolvido nas lutas estudantis.

A importância da liberdade conquistada pelo 25 de Abril ganhou vida com a subida ao palco do jornalista Ricardo Farinha, o professor Filipe das Neves e o músico Babidi. Babidi, que esteve preso na prisão do Linhó, encontrou a liberdade dentro daquelas quatro paredes ao cruzar-se com o projeto “De Dentro Para Fora” – documentado aqui, na Mensagem. Durante meses, os reclusos produziram as próprias músicas, com a orientação de Filipe das Neves, que serão editadas num álbum com lançamento marcado para o dia 25 deste mês, apadrinhado por Dino D’Santiago.

Da música partimos para a literatura, com a leitura comovente de uma carta de uma filha dirigida ao seu pai, que morrera a lutar por Abril. Um postal lido e escrito pela cronista da Mensagem Maria do Rosário Pedreira.

Tudo culminou com a atuação do Coro da Achada, conhecido por interpretar temas de intervenção: 50 vozes pujantes, lideradas pelo maestro Pedro Rodrigues, aqueceram a plateia para que, no final, os cravos vermelhos voassem ao som de uma “Grândola Vila Morena” que todos entoaram em uníssono. Um hino que uniu 150 espectadores, jornalistas e protagonistas de histórias emocionantes numa verdadeira homenagem à liberdade.

Os cravos, esses, foram também celebrados na ilustração do artista chinês Zhou Yi, que, pela segunda vez, marcou presença como ilustrador da Mensagem ao Vivo.

Recorde a última edição:

A todos os que não puderam entrar, a boa notícia é que não ficamos por aqui: temos ainda mais três edições e a próxima é já dia 31 de maio – e, depois, 21 de junho e 5 de julho. A entrada é gratuita, mas limitada a maiores de 3 anos.

Contámos, desde a primeira hora, com o entusiasmo de Miguel Loureiro, diretor, e de toda a equipa do teatro e da Lisboa Cultura, que entraram nesta aventura connosco e a quem muito agradecemos. E também, claro, a quem esteve em palco, voluntários das histórias desta cidade!

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Coordenação editorial e de palco: Ana da Cunha e Catarina Reis
Produção: Ana Narciso
Comunicação: Joana César
Vídeo e fotos: Inês Leote
Apoios e patrocínios: Ana Narciso
Ilustrações: Nuno Saraiva
Histórias, ideias e curadoria: Ferreira Fernandes, Álvaro Filho, Catarina Reis, Inês Leote, Frederico Raposo e toda a equipa da Mensagem de Lisboa
Direção: Catarina Carvalho

Esta edição contou com o apoio da INTERFLORA, que nos deu os cravos que estavam em palco e com o já habitual patrocínio da gráfica CUBO MAGNÉTICO.


Ana da Cunha

Nasceu no Porto, há 28 anos, mas desde 2019 que faz do Alfa Pendular a sua casa. Em Lisboa, descobriu o amor às histórias, ouvindo-as e contando-as na Avenida de Berna, na Universidade Nova de Lisboa.

ana.cunha@amensagem.pt

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