Coro da Achada
Foto: Inês Leote.

Em alto e bom som ecoam as vozes dos cantores pelo Centro Mário Dionísio, na Mouraria. De modernismo e outros ismos, fazem-se as paredes onde estão expostas frases e quadros criados pelo artista que dá nome a esta morada. Lê-se a letras vermelhas e laranjas “É preciso criar os Dias”.

E é isso mesmo que o Coro da Casa da Achada faz todas as quartas feiras às 21 horas, desde junho de 2009. Um projeto que surge com o nascimento da Casa da Achada, um Pólo cultural que partindo do espólio, interesses e obra do artista Mário Dionisio, cria um espaço de encontro para a comunidade.

“A ideia é que isto seja um coro para quem diz que não sabe cantar, ou julga que não sabe cantar, toda a gente canta!”, comenta o maestro.

É Pedro Rodrigues quem dá indicações e garante que, seja em cânone ou em uníssono, o coro que se ouve pelas ruelas da Mouraria esteja alinhado. Afinados ou desafinados, o que importa é não perder a vontade de cantar, explica o maestro. “Há pessoas que dizem ah!, eu sou desafinado, mas o objetivo é que não haja exclusão de nenhuma espécie. Mesmo pessoas que nunca cantaram, na verdade, cantam no Coro da Achada.”

Kantata do Teto Incerto Casa da Achada Mouraria
Foto: Inês Leote

O valor agregador faz do Coro da Achada um projeto único, que conta já com um catálogo de canções escolhidas para todos aqueles que querem dar voz a canções de luta, resistência e a poemas de Mário Dionísio.

A escolha do repertório não é feita de forma inconsciente, reflete a filosofia do coro, explica Pedro Rodrigues. “A vontade e necessidade de intervenção passa pela própria forma de fazer o coro, com esta abertura, este repertório, esta diversidade, que é político em si mesmo. Queremos ter uma intervenção que tem em vista diversos horizontes, no bairro, na cidade, na região e no mundo.”

A existência do Coro da Casa da Achada não deixa morrer a vontade de se criar um espaço para a comunidade na Mouraria. De portas abertas a vizinhos, amigos e familiares, é um espaço destinado não só para cantar, mas também para a partilha experiências, essa é a sua força motriz.

Esta reportagem faz parte da “Mensagem Rádio”, um programa que passa quinzenalmente na RDP África (do grupo RTP), à terça e sexta-feira, e em permanência: no site da Mensagem, em rdpafrica.rtp.pt e no Spotify.


Mariana Vital

Alfacinha de gema, criada no elétrico 28, foi nas ruas onde cresceu e através das pessoas que a cidade lhe foi dando a conhecer que descobriu a paixão por contar histórias. É através da palavra – lida, escrita, falada ou cantada – que chega, por esses carris fora, à sua paragem. Está a estagiar na Mensagem de Lisboa.

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1 Comment

  1. Vocês são do melhor que há em comunicação. Genuínos, sem sofismas, diretos, simples (não simplistas). É um gosto ler-Vos.
    Parabéns.

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