O Tejo, o rio que é mais belo do que aquele que corre pela aldeia de Alberto Caeiro, não é um rio que marca apenas a história de Lisboa. Com uma extensão de mais de 1000 quilómetros, o Tejo é berço de histórias e tradições, unindo Portugal e Espanha. Desde 2012 que este património natural e histórico é celebrado a bordo do Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, numa viagem de 325 quilómetros que parte do interior raiano, ainda em Espanha, até Oeiras.

Foi a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos que, entre maio e junho de 2024, a jornalista da Mensagem Ana da Cunha embarcou neste cruzeiro, que nasceu sobretudo da vontade de homenagear a cultura dos avieiros – pescadores oriundos da Praia da Vieira, em Vieira de Leiria, que assentaram nas margens do rio Tejo, mudando profundamente a sua história e vivência.

A viagem a bordo do cruzeiro ganha agora vida na obra Tejo, Um cruzeiro religioso e cultural”, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, um livro que celebra as tradições, a religiosidade, as danças, os cantares e iguarias ribeirinhas.

tejo
Tejo, Um cruzeiro religioso e cultural”, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, escrito por Ana da Cunha. Foto: Inês Leote

O livro será apresentado no próximo dia 10 de junho, pelas 17 horas, na Feira do Livro de Lisboa. A conversa contará com a presença de João Monteiro Serrano, presidente da Confraria Ibérica do Tejo (CIT) e principal dinamizador da candidatura da cultura avieira a Património nacional e da UNESCO, e de José Gaspar, membro da CIT e autor da peça de teatro e do livro Gente do Nosso Pano, inspirado em testemunhos de avieiros.

Um barco no Tejo com uma santa

O Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo surgiu na sequência da candidatura da cultura avieira a Património Nacional e da UNESCO, que se traduziu também na criação de uma Imagem que simboliza a religiosidade avieira e a união dos povos ribeirinhos: a Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo.

Criada a partir dos contributos da comunidade avieira e reconhecida pela Igreja Católica, a Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo protagoniza este cruzeiro, seguindo a bordo dos barcos típicos dos avieiros (as bateiras), parando pelos vários pontos do Tejo para saudar as suas comunidades.

Em 2016, a luta pela elevação da cultura avieira a património nacional resultou na inscrição das “Artes e saberes de construção e uso da bateira avieira no rio Tejo (Caneiras, Santarém)” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Mas o caminho não fica por aqui.

O cruzeiro continua a trilhar o Tejo todos os anos, com a Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo a mobilizar comunidades, que saem à rua para a celebrar e para manter viva a cultura avieira e ribeirinha. No passado dia 17 de maio, o cruzeiro reiniciou a sua jornada, no Rosmaninhal, continuando rio abaixo, chegando a Oeiras no dia 29 de junho.

Sobre a autora:

Ana da Cunha

Nasceu no Porto, há 28 anos, mas desde 2019 que faz do Alfa Pendular a sua casa. Em Lisboa, descobriu o amor às histórias, ouvindo-as e contando-as na Avenida de Berna, na Universidade Nova de Lisboa.

ana.cunha@amensagem.pt

As histórias da Mensagem que viraram livros – conheça-os aqui:


O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:

Entre na conversa

1 Comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *