Já se sabe como a subida do preço das casas em Lisboa criou um fenómeno na área metropolitana: há quem deixe de viver na cidade para viver na periferia, onde a habitação tende a ser mais barata. Foi o caso do Carlos Serrano. Mas com esta migração veio a perda de um direito: o direito ao lazer, tal e qual como conhecia.

Parece um direito banal, fútil até, mas dizem anos de investigações que a saúde e o bem-estar se semeiam também na socialização e na diversão.

Em São João da Talha, não abundam opções para miúdos e graúdos se divertirem à noite, o que obriga a fazer a viagem até Lisboa, onde a noite é paralela ao dia, as discotecas são muitas e os bares outros tantos.

O problema? A falta de transportes de volta a casa.

Todas as sextas-feiras, Carlos junta-se religiosamente a um grupo de amigos, que há mais de dez anos se reúne à porta da Ginjinha Sem Rival, no Rossio. A tarefa tornou-se mais difícil de concretizar desde que se mudou para a periferia da grande cidade, mas nem por isso deixa de comparecer. Agora, com outro esforço: tem de dividir-se entre parar o passo de dança antes das 1:00, para apanhar o último autocarro da noite até São João da Talha, ou estender a noite e aguardar pelo primeiro autocarro da manhã, às 6:00.

Várias vezes, a solução passa por ficar a dormir em casa de um dos amigos, para que não passe o único dia de lazer da semana em pressa.

Esta é a história contada no segundo episódio da série documental da Mensagem. Uma oportunidade para questionarmos: “Cidades para quem?”, a pergunta que deu nome à série.

Veja aqui o segundo episódio, “Direito ao lazer”:

Saiba mais sobre a série aqui.

Todos os episódios disponíveis:

1 – “Direito à família” – Filipa abdicou de viver com a filha por causa dos transportes. Três horas e três transportes separam a casa e o trabalho

2 – “Direito ao lazer” – Carlos migrou para São João da Talha e pôs em risco o direito ao lazer, por já não morar em Lisboa

Ficha Técnica:
Produção – Catarina Reis e Frederico Raposo
Imagem e edição – Inês Leote


O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz dantes pagava-se com anúncios e venda de jornais. Esses tempos acabaram – hoje são apenas o negócio das grandes plataformas. O jornalismo, hoje, é uma questão de serviço e de comunidade. Se gosta do que fazemos na Mensagem, se gosta de fazer parte desta comunidade, ajude-nos a crescer, ir para zonas que pouco se conhecem. Por isso, precisamos de si. Junte-se a nós e contribua:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *