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Marlon Silva em casa. DJ Marfox no palco. Mas sempre da Quinta do Mocho, em Sacavém, onde faz questão de dar todas as entrevistas. Quer mostrar que o bairro não é o que muitos pintam. Por outro lado, é o que muitos pintaram: este é um dos bairros da zona metropolitana de Lisboa que mais arte urbana tem nas suas fachadas.

Estas fachadas e laterais contam as histórias destas ruas e de muitas pessoas e questões que com elas se cruzam: Bob Marley, Amílcar Cabral, António Guterres, ao lado de gente que aqui mora. Pinturas que são exemplo da mistura, do talento e da luta. Do que, por aqui, há em cada esquina.

“Tentava juntar duas músicas ao mesmo tempo, sobretudo o instrumental”. Marfox estava longe de imaginar que aquele seria o futuro de uma carreira de sucesso. Foto: Nuno Mota Gomes

E do que é, também, Marfox, o primeiro português a aparecer na revista Rolling Stone, em 2014, como um dos artistas a merecer atenção. DJ que corre mundo a espalhar sonoridades desta combinação que é Lisboa: kuduro, funaná, semba, tarraxinha, entre outras. Este ano participou no Festival da Canção, com a música “Dégrá.dê” interpretada por Tristany e Pongo.

Marfox recorda os tempos em que as suas músicas se espalharam pelo mundo numa altura em que não havia redes sociais nem plataformas. Era por bluetooth, de telemóvel em telemóvel. E também em programas como o Emule, que permitia fazer download de tudo e mais alguma coisa.

Foi por aí mesmo que se espalhou a primeira compilação de batidas dos DJ’s Do Guetto, grupo que integrou no arranque da carreira.

O início, na Portela… e o primo Toni

A música sempre esteve muito presente no bairro onde Marlon cresceu, a já extinta Quinta da Vitória, na Portela. Ali havia influência de ritmos de África à Índia – e que hoje se tornaram inspiração para as suas sonoridades.

Mas também na sua casa. “Agora tiveste sorte quando entraste, mas a minha mãe costuma estar sempre a ouvir alguma coisa”, diz, sorridente, a tentar mostrar como a febre da música não é só dele, enquanto entramos no seu estúdio.

Marfox vive aqui bem perto com a mulher, mas ainda é nesta divisão na casa da mãe que todos os dias trabalha. Também dá aulas a quem se quer profissionalizar, no seu recente projeto B2B studio – com o DJ NK, do grupo desde sempre.

Do pai teve igualmente influências musicais. Marfox lembra-se de como ele recebia artistas são tomenses em casa, o filho bebendo dessa cultura vinda da terra dos pais. Mas foi mesmo o primo da mãe dele que se tornou a sua grande inspiração. Toni era DJ, tocava em discotecas, festas no bairro, aniversários, e Marfox foi ganhando esse bichinho observando. Sendo curioso.

Nessa altura, tinha 4, 5 anos e não havia sequer oportunidade de mexer no equipamento. Ficava a ver, a apreciar. O que lhe dava mais gozo era como Toni dominava a pista. “Uma música mais lenta. Outra mais rápida. E as emoções que ele criava.” 

Essa relação entre o DJ e o público mexia com ele. As batidas mexiam com ele. Anos mais tarde, começou ele mesmo a mexer em programas de DJ para o computador. O primeiro foi o Automix, que um colega dele lhe mostrou, e vinha com a caixa dos cereais.

“Fiz esforço para comprar, porque nem havia dinheiro para cereais… Era pão e chá”. 

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Marlon Silva explica quem é DJ Marfox, numa caminhada pelas ruas da Quinta do Mocho. Vídeo: Nuno Mota Gomes

Começou por instalar o programa num computador da escola e só mais tarde teve acesso a um em casa. Apareceu depois o Virtual DJ, outro programa melhor, e como havia amigos e conhecidos que traziam CD’s de Angola, gravava as músicas para poder explorar o entusiasmo.

“Tentava juntar duas músicas ao mesmo tempo, sobretudo o instrumental”. Marfox estava longe de imaginar que aquele seria o futuro de uma carreira de sucesso, mas quanto mais experimentava, mais queria perceber a lógica das batidas sincronizadas. 

As coisas mudaram muito. Do programa da caixa dos cereais para um estúdio com equipamento topo de gama. Das experimentações amadoras para atuações pelos quatro cantos do mundo. Mas nada aconteceu do dia para a noite.

DJ Nervoso e a Editora Príncipe

A revolução deu-se em 2004, quando numa festa Marfox conheceu o DJ Nervoso, uma referência da música underground e que tem o seu retrato desenhado por Vhils na fachada de um dos prédios na Quinta do Mocho.

Ficou estupefacto com o que ouvia, chegando mesmo a duvidar que aqueles beats fossem dele. Tinham de ter vindo de Angola. Nervoso mostrou-lhe toda a construção das músicas no programa de produção, em plena festa.

“Ele estava só a provar-me que era bom.”

DJ Marfox à frente do mural (desenhado por Vhils) do amigo e mentor, DJ Nervoso, que vive na Quinta do Mocho. “Ele era master. Fazia beats terríveis. E nós queríamos acompanhar.” Foto: Nuno Mota Gomes

Na altura, Marfox estudava informática e já tinha o grupo DJ’s do Guetto. “Mas nós não sabíamos produzir bem”. Criavam mix’s para grupos de dança de kuduro, sobretudo da Linha de Sintra. “Era uma febre e nós fazíamos parte”. 

O DJ Nervoso passou a ser uma fonte de ensinamento. Marfox saía das aulas, ia a pé da Portela até ao Mocho, e ficava sentado à espera, às vezes horas, que ele voltasse do trabalho. “Se eu queria aprender, tinha de estar ali.”

E assim, aos poucos, Marfox ia fazendo a ponte do que aprendia para os outros membros do grupo que não eram dali. “O Nervoso era master. Fazia beats terríveis. E nós queríamos acompanhar.”

“Foi assim que me fui fazendo. Não dava para tocar aqui, vamos tocar onde dá”. De Berlim a Sydney. De Tóquio a São Paulo, passando por Nova Iorque. E muito mais.

DJ Marfox

Nalgumas festas, às vezes surgiam oportunidades que não se podiam desperdiçar. “O Nervoso era o DJ principal e dizia-me: ‘Vai puto, toca aí!’”.

Marfox não esquece quando arriscou tocar uma música que ele mesmo produzira, sem que antes houvesse tempo de ter a aprovação do Nervoso. Fez sucesso na pista e o seu mentor não lhe poupou os elogios. 

“Ele só me dizia: ‘Já chegaste lá, já percebeste tudo’”. De repente, a música dele começou a espalhar-se entre amigos, no bairro, festas aqui, escolas ali. E o processo foi crescendo, até chegar à Editora Príncipe: o trampolim dele e muitos outros.

O primeiro contacto com a Príncipe foi em 2007, curiosamente na Gulbenkian, onde Marfox toca este domingo, 10 de julho, no Jardim de Verão com a curadoria de Dino D’Santiago.

Foi num projeto em que Marfox estava meio invisível – outro artista quis um beat dele para cantar por cima. Essa atuação aconteceu numa sexta. E no sábado chega-lhe a notícia que queriam falar com ele na Gulbenkian.

Marfox não tinha nada a perder e foi lá. “Havia mais programação, a televisão andava a filmar, e eu subi ao palco e brinquei com os vinis”. Quem ouvia estava rendido com as habilidades, mas Marfox explicou: “Eu faço é kuduro”, como se falasse de algo irreverente. Foi isso mesmo o que a Príncipe quis. 

Nessa altura Marfox estava a “bater”. A sua música corria por todo o lado. “A chapa estava quente”, diz, bem disposto como sempre. Os anos foram passando, também surgiram novos artistas e Marfox parou. Para se consolidar. 

Afinal, ainda havia a escola para terminar e a produtora estava a crescer. Mas eles vieram ajudá-lo a profissionalizar-se, a encarar o trabalho como um negócio e dando-lhe a projeção que merecia. E tudo se concretizou.

“A editoria Príncipe deu um selo e uma identidade a muitas vidas da periferia”, diz DJ Marfox. Foto: Nuno Mota Gomes

“Tu conhecias a minha música e gostavas, mas depois não houve continuidade”. Marfox aponta para mim e lembra como não havia muita margem de crescimento para a música underground chegar ao centro.

Os Buraka Som Sistema abriram um pouco esse caminho, mas antes deles já havia muitos outros artistas à procura desse espaço. Por várias razões, não conseguiam.

Quando a Editora Príncipe pega em artistas que exploram estas sonoridades agressivas, do kuduro e funaná à mistura com a eletrónica e techno, dá-lhes palco e o público de todo o lado aprova, começam a criar-se mais e mais oportunidades. É o caso de outros DJ’s amigos de Marfox que seguiram os seus passos e alguns adotaram parte do nome artístico: Danifox, Nigga Fox ou Lycox. Mas também Firmeza, Piquenos Djs do Gueto, Nídia, Niagara e até Nervoso.

“A editoria deu um selo e uma identidade a muitas vidas da periferia”, diz Marfox. Houve lugar para que vários artistas se cruzassem com um público que dificilmente encontrariam de outra forma. “Nem num restaurante. E se calhar nem iam olhar uns para os outros. E a música junta todos”.

Música de Lisboa e do país. 

A Gulbenkian como lugar da mudança

DJ Marfox encontra mais um amigo pelas ruas da Quinta do Mocho. Os dois estão empolgados com a iniciativa do Jardim de Verão, na Gulbenkian. Foto: Nuno Mota Gomes

Descemos do estúdio para uma volta pelas ruas da Quinta do Mocho. Marfox cumprimenta praticamente todos com quem se cruza. Ele é um exemplo de sucesso aqui no bairro, que, arrisca dizer com confiança, é o que tem mais DJ’s por metro quadrado. Como ele, há outros talentos em cada bloco. Mas nem sempre existem as oportunidades.

À porta de uma mercearia encontra um amigo, que gere o negócio, e troca dois dedos de conversa. Convida-o para ir à Gulbenkian, no domingo. O amigo tem visto nas redes sociais imensa gente conhecida a curtir os concertos. Está empolgado com a iniciativa.

O Jardim de Verão, na Gulbenkian, com a curadoria de Dino D’Santiago, com músicos afro-descendentes é um exemplo da mudança. “A coisa está a tornar-se mais séria. Está a ganhar corpo”.

Marfox tem a certeza que daqui para a frente só tem a melhorar esta valorização da arte que estava “escondida” – para alguns. 

Porque a música dele e de outros não é de ontem e as festas, nesta última década, também foram acontecendo. Mas algo mudou muito. “Lá longe, em 2007, o público não era este. Essa é que é a diferença”. Seja quem for que está na pista ou em casa, se estiver a curtir as suas batidas, esse é o seu propósito. É preciso abrir portas. Haver lugares de conexão.

Afinal, não é a primeira vez que Marfox vai tocar à Gulbenkian, nem NBC, nem outros que estão entre os artistas do programa. Mas o seu vizinho e tantos outros não iam lá, porque nunca se sentiram parte desse espaço. Também nunca tinha havido uma programação assim, com dezenas de artistas todos ao mesmo nível, juntando tantos estilos e identidades. Mas as redes sociais mudaram tudo. “Tu vês que aquele está lá e o outro também foi. E também queres ir”. 

“Não sou africano nem português, sou o quê?”

Marfox nasceu em Lisboa. Os pais vieram de São Tomé, terra que ainda não pisou – não surgiu a oportunidade certa. Mas por isso mesmo, foi vivendo com um sentimento de falta de identidade. Não há muitos anos, sentia-se imigrante, tanto em Portugal como para a comunidade PALOP. 

Cresceu a ouvir piadas como: “Tu não nasceste em África, não subiste a coqueiros”. Mas também a sentir-se excluído da cidade e do país que o viu nascer.

Havia pressão dos dois lados. “Mas eu sou o quê?”.

A idade trouxe-lhe outra maneira de olhar para ele próprio, e para fora. Começou a entender-se, a perceber que faz parte e a deixar de aceitar que dissessem o contrário. 

“Se não fosse esta música não iria conhecer os países, cidades e pessoas que tenho tido oportunidade. Se calhar era só um puto da Portela”, diz DJ Marfox. Foto: Nuno Mota Gomes

E, por isso mesmo, o seu primeiro EP é já essa definição – «Eu Sei Quem Sou» (2012). “Nesta música cabem são tomenses, cabo verdianos, guineenses, angolanos, portugueses, ciganos, indianos. Eu sou isso. Sou Lisboa”.

E Lisboa também é Marfox e a sua música. Apesar de ele reconhecer não ser fácil de interpretar à primeira.

Ainda assim, as mentalidades já mudaram muito: “Nós antes não íamos ao Porto tocar. Agora já nos chamam lá”. No entanto, considera que ainda faltam mais polos culturais no país a apostar na diversidade.

Foram dez anos a partir pedra, literalmente, com muitas viagens pelo mundo a espalhar estas sonoridades e a trazer carimbos de aprovação. “Foi assim que me fui fazendo. Não dava para tocar aqui, vamos tocar onde dá”.

De Berlim a Sydney. De Tóquio a São Paulo, passando por Nova Iorque. E muito mais.

“Se não fosse esta música não iria conhecer os países, cidades e pessoas que tenho tido oportunidade. Se calhar era só um puto da Portela”. E, de facto, a história comprovou-o, como nos conta logo a seguir.

Nas páginas da Rolling Stone

2014 foi um ano de viragem na sua carreira, e Marfox regressava a Nova Iorque para uma atuação no mítico museu de arte moderna MoMa, onde também conheceu um jornalista da Rolling Stone. No final do set, um rapaz veio dizer-lhe que tinha adorado a sua música e a perguntar-lhe de onde era. “I’m from Portugal”. E do outro lado recebeu, surpreso: “Eu sou português!”. 

Foto: Luís Barra (Revista Visão n.º 1115, 17 de julho de 2014.

A história já era bonita se terminasse aqui. Mas Marfox afunila ao máximo o seu mapa: “Eu sou da Portela de Sacavém”. E tudo o que não esperava era a resposta. “Eu também sou da Portela!”. 

Marfox mostrou-lhe uma fotografia em cima dos destroços da casa onde crescera. E com o dedo, o outro rapaz apontou e disse: “Eu vivi 22 anos naquele prédio”. 

Duas vidas que nunca se tinham cruzado na Portela – que viviam separadas por um muro invisível – foram conhecer-se no MoMa, em Manhattan.

“Só lhe perguntei: ‘Mano, tu vias ali a realidade, nunca paraste para ouvir?”.

Esse episódio ensinou-lhe uma lição: não basta a música ser boa, é preciso estar num contexto que quebre barreiras. Esses muros invisíveis. E isso aconteceu em Nova Iorque. E ele tem pena. 

Da Quinta da Vitória guarda memórias e um tijolo

Marfox viveu na Quinta da Vitória, na Portela, até à última fase de demolição das barracas. Em 2014, a família foi realojada na Quinta do Mocho.

Enquanto caminhamos por este que também é o seu bairro, não faltam cumprimentos de admiração, sorrisos e alguns abraços. “Aqui há sempre churrascos. Mas vamos ali à frente ter com uma senhora que me viu nascer”.

Há cadeiras e arcas frigoríficas à beira da estrada e à sombra. Compramos uma cerveja cada. Brindamos antes do primeiro gole. Este é um dos pontos de encontro da zona.

Ainda assim, Marfox tem saudades de outros tempos. “Isto de viver em bloco é triste. Hoje em dia não vejo quase ninguém”. Lembra a infância tranquila e com muita brincadeira, entre as ruelas da Quinta da Vitória onde havia mais proximidade entre a vizinhança. 

À sua volta, DJ Marfox teve vários amigos que foram presos. Viu e continua a ver histórias de vida muito difíceis. Cresceu a gerir muita coisa, na rua e em casa. Mas lembra-se de uma infância com muita brincadeira e proximidade entre a vizinhança. Fotos: Direitos Reservados

Da barraca 18 guarda, para sempre, memórias e um tijolo. Está guardado a um canto no seu estúdio – em casa da mãe. “Anda sempre comigo. O Vhils já me disse que há uma técnica para emoldurar”. Os seus olhos brilham.

Das dificuldades, lembra-se pouco, e para dizer como o fortaleceram. Passou pelo sonho de ser jogador de futebol, mas rapidamente lhe passou. Primeiro, porque era considerado estrangeiro e isso dificultava muito ter lugar nas equipas – as regras só permitiam um em campo.

Depois, percebeu que a sua cena era outra: “Na música ninguém gritava comigo”, diz, divertido. 

Sem esta vida, Marfox não acredita que seria o mesmo. “A minha música é como o batimento do coração. É a minha pessoa”. Foto: Nuno Mota Gomes

À volta teve vários amigos que foram presos. Viu e continua a ver histórias de vida muito difíceis. Cresceu a gerir muita coisa, na rua e em casa. “Vais ao centro comercial e a polícia aparece a dizer que roubaste uma cassete e levam-te para a esquadra”. Tinha 6 anos. Na escola os livros só chegavam em dezembro, por integrar o Serviço de Acção Social Escolar.

A sua música vem de todas essas experiências. Sem esta vida, Marfox não acredita que seria o mesmo. “A minha música é como o batimento do coração. É a minha pessoa”. Tem agressividade das batidas, porque veio de um lugar complicado. Tem romantismo, porque é onde ele se encontra. É o DJ Marfox.

É ele que comanda tudo. As sonoridades e o seu percurso. “Eu escolhi ser DJ e, felizmente, encontrei na música a paz que precisava”.


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Nuno Mota Gomes

É jornalista. Adora escrever, fotografar e perder-se em pensamentos. Anda de mota, faz surf, viaja sempre que pode – e nem sempre para o estrangeiro. Agora fá-lo mais aqui, em Lisboa, onde nasceu. Um Interrail abriu-lhe horizontes, publicou um livro e muitas reportagens de viagens na Volta ao Mundo – onde se estreou na TV. Passou ainda por outras publicações e durante dois anos integrou o Diário de Notícias. Há quem diga que percebe de redes sociais. Tem 29 anos. 

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