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We meet Suresh Nampuri at the Prazeres Cemetery in Lisbon on one of those days where the sun seems to scorch through your flesh and into your bones.

At the time of meeting we really don’t know much about Suresh. We have heard that he is a writer and sometime playwright. The information we have in advance is vague. 

“This is the cemetery of pleasure” he says as he walks through the gates of the cemetery in a brilliantly yellow t-shirt that seems to be perfectly in sync with the weather. “It feels like a vampire’s nickname for it.”

Suresh is a scientist and has a haircut like Einstein’s. Researcher at Instituto Superior Técnico, he studies String Theory. Photo: Rita Ansone

Suresh is not shy. In-fact he is an interviewer’s dream. You ask a question and he talks. And talks. And talks. Not in a bad way we might add – as he often gives pearls. But you do need to pay attention.

“This is where I come when I have to develop scripts.”

He then goes off on a tangent. “This is the first place in Lisbon that made me feel like I landed home.”

Why is that?

“There is a scene that was shot in the cemetery in the 1970s from the Alec Guinness version of Tinker Tailor Soldier Spy. I had forgotten that the scene was shot in Lisbon. There was a wonderful moment when I walked into the cemetery and I realized I was in exactly the same spot as in the scene. It felt complete. It felt real and right.”

Lets get some clarification on what Suresh actually does.

“I direct plays. I also write plays. One of my friends described the type of play I write as those that make people want to kill themselves.”

Suresh has wild hair. Mad scientist hair. It seems to have a life of its own, going off in different directions. He runs his hand through it from time to time but it seems just to immediately spring back to the position it was in.

“I do like a sense of hope and optimism. I like people fighting, clinging on to a cliff.”

We continue our walk around the graveyard. Suresh starts talking again. Answering a question he hasn’t been asked. He talks about tragedy and what tragedy reveals about human nature. This writer (who has some interest in the dramatic arts) tries to follow along – and then a booming plane flies overhead. We notice that a lot of planes fly directly over the graveyard, disrupting the tranquility.

Suresh thinks that only a vampire could have named a cemetery the Cemetery of Pleasures, as he call it. Photo: Rita Ansone

Suresh picks up his thoughts like a pro. Like a born entertainer. You could imagine him doing a Ted Talk.

“I think of stories as equations to be solved.” He talks for 3 minutes uninterrupted about writing a story about his father, and the problem he had to solve to complete the story. A plane flies over again. He pauses. It’s a chance for me to jump in.

I try to delve into Sureshs feelings when his father died almost 5 years ago. “I felt numb. Not in an insensitive way. I could talk about it freely. I didn’t feel anything. That disturbed me.’

For the record Suresh had a good relationship with his father. “There were no daddy issues.”

Suresh is now walking fast in the heat. We ask him to slow down. Did his father walk fast? “No he didn’t actually. But when I was growing up I developed long gawky legs. I would move around like Spiderman. I think I start slowly, but when my thoughts start going then I hit my stride. I’m a very vocal person. I like talking to myself too.”

Suresh Nampuri talks and talks and talks. No need to ask questions. “I’m a very vocal person,” he says. Photo: Rita Ansone.

Suresh was brought up in Bombay – in a part of the city he describes as an Oasis. “I was surrounded by people from all over the world. And different cultures. I developed many different accents. It was only when I was 12 when I took a train trip that I discovered there was a place around me called India. Bombay set me up for the world. It meant I could call any place home.”

It was study that led Suresh to leaving India when he was 18. “I wanted to study physics. I went to France and Germany.”

I try to be clever by asking Suresh how many planets are in the universe. He takes a considered pause for the first time in our conversation, looking off into the middle distance. “That is a highly expansive question. Like the sound of one hand clapping.” He is truly stumped.

What is his favorite planet? “Mars.” Do aliens exist? “They should” Do they walk amongst us? “I would say no. They are not here.”

Each one of these questions had longer answers ofcoarse.

If you wonder why we have gone down this line of out there questioning, it’s because Suresh is also a string theorist. I ask Suresh to tell me one thing that could make me interested in the subject – and to keep it simple.

“You are ambitious aren’t you?”

He takes pause again…

Born and raised in Bombay, Suresh left India to study physics. After France and Germany, he came to Portugal and stayed in Lisbon. Photo: Rita Ansone.

“Everything that you see around yourself can be thought of in terms of geometry. In other words everything can be thought of in terms of length scales. Which is what most teenage boys worry about.”

Suresh gives a smirk and drops the mic.

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Suresh Nampuri, the physicist from Técnico who writes theater and goes to Cemitério dos Prazeres for inspiration

He grew up in Bombay, but only became aware of India at the age of 12, on a train journey. The study of Physics took him to France, Germany and now Lisbon, where he is a researcher at the Instituto Superior Técnico, a specialist in String Theory and a playwright in his spare time.

Encontramo-nos com Suresh Nampuri no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, num daqueles dias em que o sol parece atravessar a carne até aos ossos.

Não sabemos muito sobre Suresh. Ouvimos dizer que é escritor e dramaturgo ocasional. A informação de que dispomos é vaga.

“Este é o cemitério dos prazeres”, diz ele enquanto atravessa os portões de t-shirt amarelo vivo em perfeita sintonia com o dia de sol intenso. “Parece um nome dado por vampiros”.

Suresh não é tímido. Na verdade, é o sonho de qualquer entrevistador. Fazes uma pergunta e ele fala. E fala. E fala. Não é mau – dá-nos muitas pérolas. Mas é preciso estar com atenção.

“É para aqui que venho quando tenho que escrever as minhas peças”.

A seguir, sai pela tangente. “Este é o primeiro lugar em Lisboa que me fez sentir como se tivesse aterrado em casa.”


“Há uma cena de A Toupeira [Tinker Tailor Soldier Spy], da versão de Alec Guinness, que foi filmada neste cemitério na década de 1970. Não me lembrava que a cena tinha sido filmada em Lisboa. Houve um momento maravilhoso quando entrei no cemitério e percebi que estava exatamente no mesmo local dessa cena. Foi perfeito. Tudo certo e real.”

Tentamos perceber o que Suresh realmente faz.

“Eu dirijo peças de teatro. Também escrevo peças de teatro. Um amigo meu diz que escrevo peças de teatro que fazem as pessoas quererem matar-se.”

Suresh é cientista e tem um cabelo a lembrar o de Einstein. Investigador do Instituto Superior Técnico, estuda a Teoria das Cordas. Foto: Rita Ansone

O cabelo de Suresh é selvagem. Cabelo de cientista louco. Parece ter vida própria, vai em diferentes direções. De vez em quando, Suresh passa a mão pelo cabelo, mas o “penteado” volta imediatamente à posição original.

“Gosto da sensação de esperança e otimismo. Gosto de pessoas a lutar pela sobrevivência, agarradas a um penhasco.”

Continuamos a caminhada pelo cemitério. Suresh começa a falar novamente, respondendo a uma pergunta que não foi feita. Discorre sobre a tragédia e o que esta revela sobre a natureza humana. Este entrevistador (que tem algum interesse nas artes dramáticas) tenta acompanhar – e eis que passa um ruidoso avião. Damo-nos conta que são muitos os aviões que sobrevoam diretamente o cemitério, perturbando a tranquilidade do lugar.

Suresh encadeia os pensamentos como um profissional. Como um entertainer. Poderíamos imaginá-lo a fazer uma Ted Talk.

Suresh Nampuri fala e fala e fala. Não é preciso fazer perguntas. “Sou uma pessoa muito vocal”, diz ele. Foto: Rita Ansone

“Penso nas histórias como equações por resolver.” Suresh fala durante três minutos ininterruptos sobre uma história acerca do seu pai, e o problema que teve de resolver para a completar. Um avião sobrevoa novamente o cemitério. Suresh faz uma pausa. É a minha oportunidade de intervir.

Tento mergulhar nos sentimentos de Suresh em relação à morte do pai, há quase cinco anos. “Senti-me entorpecido, mas não de uma forma insensível. Podia falar sobre isso livremente, não sentia nada. Isso perturbou-me.”

Para que conste, Suresh tinha um bom relacionamento com seu pai. “Não tinha problemas por resolver com o meu pai.”

Suresh caminha rapidamente, debaixo de um intenso calor. Pedimos-lhe que abrande. O seu pai andava depressa? “Não, não andava. Mas com o crescimento, as minhas pernas ficaram compridas e desajeitadas. Movimentava-me como o Homem-Aranha. Acho que começo devagar, mas à medida que os meus pensamentos vão surgindo, acelero o passo. Sou uma pessoa muito vocal. Gosto de falar sozinho.”

Suresh foi criado em Bombaim – numa parte da cidade que descreve como um oásis. “Estava rodeado por pessoas de todo o mundo. E por diferentes culturas. Desenvolvi muitos sotaques diferentes. Só quando tinha 12 anos, e fiz uma viagem de comboio, é que descobri que havia um lugar em meu redor chamado Índia. Bombaim preparou-me para o mundo. Deu-me a capacidade de chamar lar a qualquer lugar.”

Foram os estudos que levaram Suresh a deixar a Índia aos 18 anos. “Eu queria estudar Física. Fui para França e para a Alemanha.”

Para parecer inteligente, pergunto a Suresh quantos planetas existem no universo. Ele faz uma longa pausa pela primeira vez na nossa conversa, com o olhar longe. “Essa é uma questão muito ampla. Como o som de uma mão a bater palmas.” Ele está verdadeiramente perplexo.

Qual é o seu planeta favorito? “Marte”. Existem extraterrestres? “Deveriam existir” Eles andam entre nós? “Diria que não. Não estão aqui.”

Cada uma destas perguntas teve respostas mais longas, claro.

Se está a questionar-se por que mudámos de repente de assunto, é porque Suresh também é físico e matemático, especialista na teoria das cordas. Peço a Suresh que me diga alguma coisa que me faça interessar-me pelo assunto – e que seja simples.

“És ambicioso, não és?”

Faz uma pausa novamente…

Suresh acha que só um vampiro poderia ter batizado um cemitério com o nome de Cemitério dos Prazeres. Foto: Rita Ansone

“Tudo o que vês à tua volta pode ser pensado em termos geométricos. Noutras palavras, tudo pode ser pensado em termos de escalas de comprimento. Que é com o que a maioria dos adolescentes se preocupa.”

Suresh sorri e larga o microfone.

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