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Quantas árvores tenho à minha volta? Foi a pergunta que levou Cristina Dias a usar os seus conhecimentos na área dos dados e dos sistemas de informação geográfica para criar um mapa acessível a todos os lisboetas.

A ideia surgiu depois de encontrar, neste artigo da Mensagem, o mapa que mostra a escassez de pontos de arvoredo na zona da baixa de Lisboa. Percebeu que os dados com a localização das árvores na cidade estavam disponíveis e pôs mãos à obra. Fez tudo “num par de horas”, conta.

Ao ler sobre o potencial das árvores para o conforto térmico da cidade lembrou-se: “há aqui uma aplicação que posso usar, que basicamente calcula quantos elementos temos numa certa distância”. Usou uma plataforma de sistemas de informação geográfica que utiliza profissionalmente e “foi só meter para lá os dados, fazer umas configurações e meter as cores”. “Não andei aqui a fazer programação, nem nada”.

Jardim do Príncipe Real. Foto: Rita Ansone

“Pegar em dados, fazer aplicações, tudo muito simples, muito fácil, muito agradável de interagir”. É isso que gosta de fazer e foi isso que fez. A cientista geoespacial, que não gosta de ir por “vias muito complexas de código” e pretende “democratizar tudo o que é ciência geoespacial”, criou assim um mapa, acessível a todas as pessoas.

O mapa interativo permite saber, a partir da localização atual de quem o utiliza, ou através da seleção manual de qualquer ponto do concelho, quantas árvores estão num raio de proximidade personalizável. Para além de saber a quantidade de árvores dentro do raio definido, é ainda possível consultar a espécie e a distância para cada ponto definido.

“É muito simples de fazer, mas daí a magia disto tudo”

Como muitos lisboetas, Cristina nasceu dentro dos limites do concelho, mas vivia às portas da cidade, na Amadora. Começou os estudos na Faculdade de Letras, mas deixou o país em direção a Genebra, na Suíça. Por lá ficou sete anos, antes de seguir para a Austrália durante outros cinco anos, onde fez o segundo mestrado, em Ciência Geoespacial. Só em 2019 regressou “à base”, a Lisboa. Antes de ter saído, confessa, tinha uma relação “pouco apaixonada” com a cidade.

As coisas só foram mudando enquanto esteve fora. “Pacifiquei-me um bocadinho com a ideia de Lisboa”. Quando se decidiu a voltar, a escolha foi natural e a relação com as ruas da cidade começou a tornar-se “mais próxima”.

Interessa-lhe a questão dos espaços verdes, identifica o seu impacto na sua própria qualidade de vida. Na freguesia dos Olivais, onde reside, há “imensas árvores e espaços verdes”, mas ao olhar para o mapa disponibilizado pela Câmara Municipal de Lisboa com os pontos de arvoredo, repara que nem todas as zonas do concelho têm a mesma sorte.

Cristina Dias

“Uma pessoa faz uma coisa que parece ‘Uau!’, mas depois vê-se e é muito simples de fazer, mas daí a magia disto tudo”

CRISTINA DIAS

“Custa-me reparar, olhando para os mapas que vocês criaram, que há tantas zonas de Lisboa que não têm árvores, parece uma coisa tão básica, não parece um investimento para o qual seja preciso uma fábrica de unicórnios”, diz.

O mapa que fez depois de ter lido o artigo da Mensagem fê-la até sentir-se “um bocadinho ridícula”, por se tratar de “uma coisa tão básica, tão simples”. “Uma pessoa faz uma coisa que parece ‘Uau!’, mas depois vê-se e é muito simples de fazer, mas daí a magia disto tudo”.

A própria Câmara Municipal de Lisboa, que disponibiliza os dados com a localização dos pontos de arvoredo da cidade, poderia ter feito o que Cristina fez. A cientista sabe que a autarquia tem pessoas qualificadas para o fazer e achava, até, que a ideia podia já ter sido concretizada pela câmara municipal. Mas não. “Muitas vezes não há tempo, as organizações têm mil prioridades e não acontece, embora sejam coisas tão simples de fazer”.

Através da plataforma de dados abertos da Câmara Municipal de Lisboa, já é possível consultar e descarregar diversos conjuntos de dados e indicadores da cidade, em níveis como o ambiente ou a mobilidade, incluindo a consulta de um mapa com o levantamento dos pontos de arvoredo da cidade. O portal municipal Lisboa Interativa permite, num mapa interativo, a consulta de vários dados sobre a cidade, incluindo a sua estrutura verde.

*09.03.2022 14h41
Acrescentado parágrafo final, com ligação para plataformas e mapas da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa com recursos em dados abertos.


Frederico Raposo

Nasceu em Lisboa, há 30 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta –, o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.

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7 Comentários

  1. Giro! Só uma nota, parece-me que os dados abertos da CML só referem árvores que estão em estradas e zonas “na rua”. Vejo alguns parques e jardins que são abertos ao público mas não têm nenhuma árvore no sistema. E espaços particulares também não estão incluídos, mas esses não são propriamente acessíveis ao público.

  2. Boa tarde,

    Um esclarecimento relativamente ao artigo, a população pode aceder à informação sobre o arvoredo da cidade de Lisboa (entre outra informação), através da plataforma Lisboa Interativa – http://lisboainterativa.cm-lisboa.pt/.
    Este parágrafo do artigo “A própria Câmara Municipal de Lisboa, que disponibiliza os dados com a localização dos pontos de arvoredo da cidade, poderia ter feito o que Cristina fez. A cientista sabe que a autarquia tem pessoas qualificadas para o fazer e achava, até, que a ideia podia já ter sido concretizada pela câmara municipal. Mas não. “Muitas vezes não há tempo, as organizações têm mil prioridades e não acontece, embora sejam coisas tão simples de fazer”.” é incorreto, não correspondendo à realidade.
    A plataforma Lisboa Interativa permite fazer pesquisas espaciais, não apenas ao arvoredo, mas a muitos outros temas de interesse.

    Com os melhores cumprimentos,

    Carla Duarte

  3. Subscrevo o comentário da Carla Duarte.
    Acho que em vez de bocas desnecessárias devia era elogiar-se a quantidade de informação disponibilizada pela CML, que vai muito além das árvores, e ainda por cima permitem descarregar em formatos como KML e GeoJSON para serem usados nestas aplicações.

  4. Boa tarde,
    Agradeço à equipa da Mensagem a atualização do texto e ao Mário Neves, o comentário muito correto sobre a disponibilização de dados por parte da CML.

  5. Bom dia. O mapa interactivo de Lisboa, LXi, é acessível ao publico e permite a todos os cidadãos, em todo o mundo, visualizar o arvoredo de Lisboa e conhecer a respectiva especie.
    Julgo que a notícia omite esta importante informação, fazendo passar a ideia que a Câmara Municipal de Lisboa disponibilizou a informação só à Cristina Dias e que o trabalho apresentado é original.
    O link da LXi encontra-se facilmente nos motores de pesquisa na net:
    https://lxi.cm-lisboa.pt

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