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Rosa Félix, investigadora de mobilidade urbana no Instituto Superior Técnico (IST). Foto: Rita Sousa

No primeiro dia da Velo-city, a maior conferência mundial de mobilidade em bicicleta, entrevistámos Rosa Félix, investigadora de mobilidade urbana no Instituto Superior Técnico (IST). Faz parte do U-Shift, um laboratório de mobilidade urbana integrado no CERIS – unidade de investigação de engenharia civil para a inovação e sustentabilidade.

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Integrou a equipa que, em 2020, realizou contagens e análises do perfil dos ciclistas de Lisboa, e falou à Mensagem sobre a importância de incluir a perspetiva de género no planeamento da infraestrutura ciclável da cidade.

Em 2020, apenas 26% das pessoas a utilizar a bicicleta em Lisboa eram mulheres. Para Rosa Félix, apesar de a meta ser os 50% na distribuição por género, o progresso tem sido “bastante rápido”. Em 2017, apenas 17% dos ciclistas da cidade eram do género feminino. “Se tiveres mais mulheres a andar é sinal de que as coisas estão a ficar melhores”, diz.

A investigadora mostrou, através da recolha de dados, que Lisboa não é uma cidade tão declivosa quanto, por vezes, se faz crer – argumento que, considera, é muitas vezes utilizado para não investir no modo ciclável em cidades por todo o mundo. Por cá, 74% dos arruamentos apresenta inclinações iguais ou inferiores a 5%. À pergunta Pode Lisboa ser uma cidade ciclável, não hesita: “Claro que pode”.

Falou, ainda, da importância dos dados no planeamento de redes cicláveis nas cidades e da ciclovia da Avenida Almirante Reis. Implementada em 2020 e recentemente reperfilada, a ciclovia daquela artéria da cidade motivou, nos últimos dois anos, um aumento de 400% no movimento de utilizadores de naquele eixo.

Apesar de muito debate, não há, para Rosa, outro local para a implementação da ciclovia. Os mapas que produz “ajudam a perceber quais os grandes canais” que permitem subir a cidade sem grandes declives.

Identifica “dois canais óbvios – o vale da Avenida Almirante Reis e o vale que faz a Avenida da Liberdade”. A ciclovia da Avenida Almirante Reis é a solução “segura, direta e com menos esforço”, afirma.

A edição deste ano da Velo-city acontece em Lisboa. Até 9 de setembro, o evento, organizado pela Federação Europeia de Ciclistas (ECF), a EMEL e a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e que tem a Mensagem como parceira, junta alguns dos principais especialistas nacionais e internacionais em mobilidade.


Frederico Raposo

Nasceu em Lisboa, há 28 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta – , o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.

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