Olá, vizinhos!

Apesar de ainda estarmos longe da normalidade, o sol que tem brilhado em Lisboa e um cheirinho a desconfinamento anima a alma. Começamos por isso com uma boa notícia – vamos ter uma entrevista ao vivo na próxima semana. Será quinta-feira, dia 25, pelas 18:30, com Ricardo Ribeiro, fadista da cidade.

A entrevista será aberta à participação dos nossos subscritores – os leitores que fizeram doações, mensais ou anuais. Quem for subscritor pode participar e fazer perguntas por zoom. Quem não for subscritor também pode assistir à entrevista em direto, através da nossa página do Facebook. O zoom será apenas para subscritores.

Quem ainda quiser participar pode tornar-se subscritor, aqui:

Todo o valor recebido será investido no projeto.

As inscrições para a entrevista serão feitas neste artigo. As perguntas podem ser enviadas diretamente na inscrição, ou por email (geral@amensagem-clone.newspackstaging.com), até terça-feira à noite.

Uma história simbólica

Hoje quero falar-vos da D. Florentina. Porque a minha história com ela simboliza muito do que é a Mensagem de Lisboa. Para mim e para todos os que a fazem.

Quando eu era adolescente, menina de Alvalade, andava no Padre António Vieira. O Padre. Ou o PAV. Um clássico do final dos anos 80, o PAV era um liceu – deixem-me chamar-lhe assim apesar de já ser Escola Secundária quando lá andei – peculiar. Fora berço do punk lisboeta, tinha sido importante no combate ao regime anterior, e não era por estar num bairro beto de Lisboa que não tinha misturas sociais, raciais e culturais.

Foi no PAV que conheci a D. Florentina. E esta semana percebi que não sabia nada dela. Naquele tempo a D. Florentina era a senhora simpática que tinha a tabacaria em frente à porta do liceu, e vendia tudo o que o bar do liceu não vendia – incluindo uns deliciosos salames de chocolate para uma dentada de transgressão.

Esta semana, através de um texto que o também jardineiro amador Leonardo Rodrigues escreveu para nós, descobri que a D. Florentina tinha uma vida dupla: a de jardineira e ativista cívica. Foi ela que impulsionou a limpeza de um logradouro infecto, nas traseiras do sei prédio, e o transformou num jardim lindo, já com árvores crescidas.

É com muito orgulho que, semana após semana, descobrimos estes heróis anónimos, estas pessoas que verdadeiramente mudam o mundo. E quando percebemos que até já as conhecíamos, fica mais claro ainda o que a Mensagem de Lisboa se dispôs fazer desde o primeiro dia: dar a conhecer estas pessoas que fazem Lisboa o que ela é.

Como o nadador cujo centenário se comemora este mês, Batista Pereira, que foi descoberto pela Catarina Reis, bem perto da sua casa, em Alhandra: um herói da travessia do Canal da Mancha a nado de que já poucos se lembravam. Ferreira Fernandes recordou, num texto muito pessoal, o que Soeiro Pereira Gomes dissera dele, nos seus livros, entrecruzando as suas memórias com as do escritor neorrealista. A política e a vida. Muitos, ao contrário de Soeiro Pereira Gomes, não percebem como uma está entranhada na outra.

As vossas histórias, sugestões e ideias

Temos recebido carradas de ideias e sugestões de temas. Estamos a fazer alguns – e nas próximas semanas vê-los-ão nas nossas páginas com indicações de quem nos deu a dica. Mas não conseguimos fazer todos ao mesmo tempo. Alguns, os mais intemporais, serão feitos com mais tempo. Não desesperem os que ainda não tiveram nenhum contacto nosso. E continuem a mandar ideias. Nunca são demais (e ainda nem fizemos um mês de existência).

Dia 7 de Abril teremos a nossa reunião de redação aberta onde, para já, todos podem participar. Aí voltaremos a receber ideias e críticas, com o objetivo de melhorar sempre e mais o nosso trabalho.

Bem hajam, todos os que nos têm ajudado.  

Até já!

Catarina Carvalho
Diretora

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