Olá, vizinho/a

Esta semana o Martim Moniz voltou às bocas de Lisboa. Foi anunciado o projeto que há-de fazer reviver a praça mais polémica do centro da cidade, um projeto que parte da ideia do jardim, que tinha vencido a consulta popular.  O projeto é da autoria de Filipa Cardoso de Menezes e de Catarina Assis Pacheco, arquitetas paisagistas.

Este é um assunto que nos é muito caro e que vem mesmo a propósito. É que segunda-feira, dia 13, é lançado às 18:30, na Fnac do Chiado, o livro que Ferreira Fernandes escreveu sobre o Martim Moniz – e a Inês Leote ilustrou com as suas fotografias – para a Fundação Francisco Manuel dos Santos no desenvolvimento desta reportagem, publicada logo no início da Mensagem.

O debate, moderado pela Filipa Melo, contará com a presença de Rui Tavares e Paulo Silveira e Sousa. Para ir basta inscrever-se neste mail: geral@amensagem.pt

O livro percorre muitas das curiosidades desta reportagem e aprofunda outras sobre a praça do Martim Moniz, que foi como que amaldiçoada ao longo dos séculos, com remodelações, destruições e reconstruções, desde o colorido das noras e laranjais ao atravancado urbanístico.

Foto: Inês Leote

Este retrato é uma viagem a esta praça confusa e fascinante da capital, do ribeiro de Arroios a lugar do fado e do cinema português, dos marialvas, artistas e migrantes. Um relato de pérolas perdidas e trambolhos urbanos. Da população antiga e, sempre, de recém-chegados. Entre sucessivas mudanças e prudentes ambições, uma certeza: o Martim Moniz saberá, mais uma vez, reinventar-se.

E assim será, certamente. Pelo menos assim o indica o projeto das duas arquitetas lisboetas – que confessaram à Mensagem terem lido o livro só quando souberam que tinham ganho, para não ficarem com maus pressentimentos por lhes ter escapado alguma coisa.

O projeto de jardim, por exemplo, fala de “um amplo espaço verde, que virá a recuperar a vocação produtiva que já ali existiu quando uma grande parte da praça estava preenchida com terrenos agrícolas”, e a integração da Cerca Fernandina permitirá “elevar o terreno e sustentar uma larga e profunda plataforma de solo vivo.” Um Martim Moniz produtivo, como já foi, com um espaço verde “onde cabe a diversidade do mundo.”

Haverá um parque infantil, um miradouro, uma cafetaria/esplanada, espaços livres para jogos, mercados de levante, espetáculos, sessões de cinema (com o anfiteatro a servir de plateia) e eventos diversos como acontecimentos culturais, religiosos, políticos ou desportivos – e o fim do tráfego na parte nascente da praça, com uma ciclovia bidirecional de ligação à ciclovia existente na Avenida Almirante Reis e uma nova rotunda do lado norte.

Será uma revolução. Isto tudo terá de ser aprovado em reunião de Câmara no dia 22. Por enquanto, um convite: para o lançamento, dia 13, segunda-feira. Apareça!

P.S. – Esta semana completámos o ciclo do aniversário do Porto de Lisboa com a apresentação do documentário “Roger Kahan no Cais da Europa”, de Humberto Giancristofaro, numa sessão esgotada na Gare de Alcântara. Houve também debate sobre porque Lisboa se esqueceu desta história – com Pacheco Pereira, Irene Pimentel, Seixas da Costa, Manuela Goucha Soares e Ferreira Fernandes. Se ainda não foi ver a obra de Vhils, passe pelo Cais da Rocha Conde de Óbidos e sente-se em silêncio de frente para o mural. Aproveite o fim de semana para o fazer.

Deixamos aqui mais um agradecimento à Administração do Porto de Lisboa e a Vhils por terem embarcado connosco nesta aventura – e a todos os patrocinadores (Yilport Iberia, Lisbon Cruise Port (LCP), Navalrocha e Portugs).

Até segunda, na Fnac do Chiado!

Catarina Carvalho

Diretora da Mensagem de Lisboa

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