Há 14 anos, Portugal recebia um alerta de várias organizações de direitos humanos, que emitiam relatórios duros sobre um país incapaz de proteger os mais vulneráveis, como crianças e idosos, e minorias, como a comunidade cigana. Lá fora, 2012 firmou a guerra na Síria e Barack Obama tornou-se o primeiro presidente dos EUA em exercício a declarar publicamente o apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O estado do mundo, tremido, dividido, não passou despercebido para a Associação Corações Com Coroa (CCC), organização fundada e presidida por Catarina Furtado, que decidiu nesse ano passar a premiar trabalhos de jornalismo e comunicação que promovem os direitos humanos, a justiça social e a cidadania ativa. O Prémio Comunicação Corações Capazes de Construir celebrou a XIII edição no passado 30 de maio, no MACAM.

Na categoria de Jornalismo, o prémio foi atribuído à reportagem “Era a rapariga dos vídeos“, da autoria de Raquel Morão Lopes, difundida na Antena 3, Antena 1, RTP Play e plataformas digitais.

Foram ainda atribuídas Menções Honrosas aos trabalhos: “Eu Devia Estar na Escola“, de Sandra Vindeirinho (RTP); “Ídolos misóginos: como os jovens se radicalizam“, de João Pinhal e Guilherme Pinto (Público); “Os Meninos da Roda: Histórias dos bebés deixados na Misericórdia“, de Joana Bastos e Raquel Moleiro (Expresso).

O Prémio Especial do Júri de Jornalismo de Proximidade distinguiu o trabalho “A Democracia não chegou aos tijolos lacobrigenses do SAAL: moradores da Meia Praia ainda lutam pela posse das habitações“, de David José Marreiros, publicado no Jornal do Algarve.

Na categoria de Campanha, o prémio foi atribuído a “Ser Homem Pode Ser Diferente“, da autoria de Pedro Crispim, Maria João Andrade e Miguel Monteiro, desenvolvida pela VLM para a Vodafone, em televisão e meios digitais.

Esta terá sido a edição mais concorrida de sempre, com 98 candidaturas. O júri, presidido pelo jornalista Joaquim Furtado, e que inclui a CCC e os patrocinadores, contou ainda com o jornalista Francisco Sena Santos, Teresa Fragoso, especialista em igualdade de género e representantes do Camões I.P. e do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da APAP – Associação portuguesa das agências de publicidade, comunicação e marketing.

A cerimónia encerrou com um momento protagonizado por José Pedro Gil, acompanhado ao piano por Emanuel de Andrade. O espetáculo foi intercalado com a declamação de poesia por Joaquim Furtado, com reflexões sobre as letras de Zeca Afonso e a importância da liberdade. Ele, pai, e filha, Catarina Furtado, juntaram-se num momento de partilha familiar e artística que marcou o encerramento da cerimónia.

O Prémio Comunicação Corações Capazes de Construir já conta com 13 edições, dando visibilidade a realidades muitas vezes invisíveis e inspirando uma sociedade mais inclusiva, justa e solidária. Em 2012, a Mensagem foi um dos galardoados na cerimónia de entrega destes prémios, com um conjunto de histórias: a de Candé, o ator que morreu vítima de um crime racista provado em tribunal e que era da Zona J, Chelas, onde cresceu; a do Jorgedo Mauro e da Carla, cidadãos da cidade que ajudam a mudar para melhor.


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