Uma mulher negra trança o cabelo a uma mulher branca. Um casal joga xadrez: ela é cigana, ele não. E há miúdos a brincar à volta de uma fonte. São histórias do Bairro do Zambujal , na Amadora. Sim, esse mesmo, que apareceu nas notícias, nas últimas semanas, a propósito da morte de Odair Moniz, um dos moradores locais, às mãos da PSP. Estas são as outras histórias desde bairro, as que poucos conhecem, tão verdadeiras quanto simbólicas, das pessoas que, com as suas vidas, contam o muito que se passa neste bairro entre o IC19 e a CRIL.
Estão agora eternizadas nas paredes do Zambujal, nas empenas dos prédios que as contêm, num projeto que começou na pandemia e se chama Zambujal 360.
“Alguns dos jovens do bairro estavam preocupados, fosse com o comércio local, que estava fechado, ou com a população mais idosa, que estava fechada em casa e não podia sair. Eles tinham a ideia de pintar a escadaria de entrada no bairro e estávamos, em conjunto, a tentar perceber o que poderíamos fazer”, conta Mário Linhares, que não vive no bairro mas é aqui voluntário em vários projetos de alfabetização desde 2002. Artista ele próprio, fundador da comunidade Urban Sketchers em Portugal, a ideia da escadaria deu-lhe logo outras.
Olhou para as empenas vazias, telas óbvias. E porque não um projeto de arte urbana, de grande dimensão? O bairro é um dos maiores da área de Lisboa, e tem muitos núcleos, e diferentes arquiteturas que permitem diversas abordagens.
Como “conceito unificador”, lembraram-se dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Com 17 empenas de prédios pintadas de acordo com casa ODS, isso significava que este se tornaria o primeiro bairro social do mundo a ser embaixador dos ODS. Touché!
“Os projetos de arte urbana, normalmente, funcionam como festivais”, explica Mário, agora feito curador mas que, até aqui, não tinha ligação a este circuito artístico da arte urbana. “Ou seja, durante 10 ou 15 dias, convidam-se não sei quantos artistas, eles trazem uma proposta de fora, têm uma parede como uma tela em branco, chegam lá e pintam. O nosso projeto seguia outra lógica, porque queríamos convidar artistas que se envolvessem com a comunidade, que discutissem o tema, conhecessem histórias do bairro e a partir daí é que iriam criar uma proposta — em vez de trazerem uma proposta de fora para dentro. Isso fez com que tudo fosse mais lento. Fomos fazendo uma a uma e isso também permitiu que as pessoas se fossem questionando: o que é que está aqui a acontecer? Isso dava-nos margem para irmos conversando com os vizinhos, para não aparecer tudo de repente.”

O percurso que definiram passa pelos lugares do comércio do bairro, pela ciclovia que o circunda, pela passagem do percurso de abastecimento da água à cidade, e pelos sítios de passeio dos mais velhos. Desenvolveram a ideia com a associação local CAZAmbujal e com a Associação Leigos Missionários da Consolata (AdGentes), entre outras entidades que cooperaram no processo. O que faltava? Financiamento. Puseram mãos à obra e neste momento existem 11 obras concluídas — a 12.ª começou a ser pintada esta semana.
Mas não têm pressa. Ao contrário da maior parte dos eventos de arte urbana em bairros, este é um projeto de fôlego, de envolvimento lento e enraizado com a comunidade, sem urgência. Só deverá estar concluído ao longo do ano de 2025.

“Nenhuma estrela internacional”
O Zambujal 360 convidou criativos de diferentes contextos e estilos — muitos não trabalham no circuito da arte urbana — para trabalharem nos murais: Jorge Charrua, Lígia Fernandes, Pedro Ribeiro Ferreira, Regg Salgado, Mariana Duarte Santos, Pedro das Neves, Francisco Vidal, Ana Paula Xavier, Luísa Mota, Marta Teives, Bernardo Carvalho, Martim Costa, Malibu Ninjas, Ricardo Romero e a espanhola Maru Godas.
Todos os murais são simbólicos e ricos em camadas. Por exemplo, no ODS da educação de qualidade, Regg Salgado pintou uma figura feminina de cabelos longos e trançados virados para cima. “Aprender nem sempre é fácil, por vezes o conhecimento tem esse lado de ser entrançado, mas temos sempre mais espaço para ele crescer”, explica Mário Linhares.

Na peça de Martim Costa, cujo tema é produção e consumo sustentável, está representada uma horta que retrata duas culturas a florescer na mesma terra. “É o milho, que não é autóctone mas está muito presente em Portugal, e a couve portuguesa. Se duas culturas agrícolas diferentes conseguem florescer no mesmo terreno, com a mesma água e solo, porque é que as nossas culturas humanas não podem também crescer nas mesmas terras? Essa é a mensagem mais forte desta pintura.”

Arte urbana e uma história de amor
Dos 17 artistas convidados, Pedro das Neves é o único do Bairro do Zambujal. Com 45 anos, nasceu quando os pais viziam no Bairro das Fontainhas, junto das Portas de Benfica, e vive ali desde 1998 — embora, como era interno no colégio da Casa Pia, fosse sobretudo a casa que visitava aos fins de semana. Há duas décadas que é artista profissional – e conjuga o que aprendeu na arte da relojoaria com a pintura mural.
Pedro ama o seu bairro e há muito pensava em fazer algo nesta área.
“Já namorava algumas destas paredes há anos. Não havia nada aqui. Quando via a acontecer noutros bairros, só pensava: um dia devia ser neste. Fiquei super feliz. E os outros moradores também estão radiantes.”
“É importante para ultrapassar o estigma de que não se pode entrar aqui, seja por esta ou por aquela razão. Porque o que aqui está não são apenas as pinturas. É mais que isso. É criar uma históra. E vai haver guias locais para organizar visitas e trazer grupos de fora ao bairro.”

Quem olha para Pedro e o seu ar feliz e descontraído, não percebe o que esconde essa capa de artista. Mas ele é uma das pessoas retratadas na parede. Aparece de costas, virado para a mulher, Soraia, numa partida de xadrez pintada na obra de Mariana Duarte Santos.
A peça é alusiva ao ODS da igualdade de género. Ao início a ideia da artista era a história da grande jogadora de xadrez Judit Polgár, que bateu o mestre Garry Kasparov num campeonato misto, depois de este ter descredibilizado o xadrez jogado por mulheres. Mas quando conheceu Soraia, e depois Pedro, o xeque-mate da vida deles acabou por vencer: Pedro e Soraia viveram um amor proibido e tiveram de lutar (e de que maneira) para conseguirem ficar juntos.
Pedro conta sem pejo esta história de amor. Foi por volta de 2000 ou 2001 que Pedro e Soraia cruzaram olhares pela primeira vez. Pedro estava a andar de patins na rua, com o irmão, e Soraia passou de carro com familiares. Cinco minutos depois, voltaram a ver-se e foi o começo de uma paixão.
“A partir daí, a minha rotina mudou. Sempre que estava em casa ia à janela ver se a via. Focava-me no ponto onde o carro tinha estacionado, de vez em quando lá via o carro, mas não a via a ela.”
Soraia não morava no bairro. Ia ao bairro para ir a casa da avó. Dois meses depois, voltou. Pedro estava atento e agarrou nos patins, desceu as escadas o mais rápido que conseguiu. Andou e andou pela rua, a ver se se cruzava com ela. Logo ali, já sabia que as coisas não iam ser fáceis. São coisas que se aprendem, mesmo quando se é adolescente, num bairro como o Zambujal, misturado. Pedro era descendente de cabo-verdianos, tinha de pensar numa estratégia de abordagem à rapariga. “Sabendo que ela era de etnia cigana, sabia que não me podia aproximar assim à três duques.”
Na fila da churrasqueira, Pedro descobriu a oportunidade para se aproximar de Soraia. Apresentou-se, começaram a conversar. Estava tão nervoso que teve de lhe perguntar por duas vezes o nome. Era o início de uma longa, bonita história de amor. E proibida.
Naquela altura não havia telemóveis. Começaram trocando “bilhetinhos” que guardavam em pontos específicos do bairro, como na zona onde fica a parede onde agora estão imortalizados. Não podiam arriscar ser vistos. Pedro sabia que a família de Soraia não aceitaria – em breve ela iria estar prometida a alguém da sua comunidade.
Pedro usou o seu talento para o desenho na faculdade para fazer negócio com os colegas. “Queres ficar no meu grupo de trabalho? Dá-me o teu telemóvel”. Foi assim que arranjou dois telemóveis, um para ele e outro para Soraia. E tornou-se mais fácil a comunicação, mas mais difícil o amor, porque mais sério.
“Os sentimentos foram crescendo, na brincadeira dizíamos: Um dia fugimos.”
Foi nessa fase que a família de Soraia “começou a pressioná-la” para casar com um primo prometido, de acordo com a tradição cigana. E Soraia decidiu dizer não. E arriscar tudo – a própria vida? – para ficar com Pedro.
“Um dia, o meu Alcatel amarelo toca e recebo uma mensagem. Aquilo passava em rodapé que o ecrã era super pequeno: Estou a ir para o carro. Vou à janela, vejo-a a passar e percebo que ela está mesmo a ir para o carro. Porque nós brincávamos: vou deixar o carro aqui na curva, quando disseres eu arranco e vou. E esse dia chegou da maneira mais inesperada.”
Pedro não teve tempo para nada. Pegou nas chaves do carro, fechou a porta de casa sem sequer desligar as luzes e correu até Soraia. “Mas queres mesmo fazer isto?”, perguntou-lhe. Soraia ligou o carro e arrancaram sem destino. “Ela começou a chorar porque estava a fazer frente à família e à cultura. Eu estava meio perdido, embora quisesse aquilo.”
A mãe de Pedro morrera há pouco- e para lhe prestar apoio na doença ele tinha tido menos disponibilidade para os estudos. Deixara uma cadeira para trás no curso de Design Gráfico no IADE, e com ela a bolsa de estudo e com ela o curso. Não tinha muito a perder, nem muito para onde se virar. “Pelo menos vou ver se mantenho a minha alma gémea” pensou.
E assim estiveram, quatro dias fugidos, entre o carro e as casas onde viviam as irmãs de Pedro. Soraia ia avisando a família de que estava tudo bem, embora ocultasse o número. Ao quarto dia, esqueceu-se de fazer o mesmo e a família começou a ligar-lhe.
“O primeiro telefonema não foi muito amistoso, mas depois acalmaram-se os ânimos e disseram-lhe para ela ir ter com eles, para eu ir também, que íamos falar todos, que poderíamos ficar juntos. Mas temos de conversar, que isto não é assim, disseram-nos.”
Combinaram encontrar-se numa casa com dois familiares de Soraia. “Mas de repente as portas abriram-se e caiu o mundo sobre mim. Ameaçaram-me para não voltar a pôr os olhos em cima dela, para não nos encontrarmos mais. Fiquei sem telemóvel. Mas eu tinha lhe dito para esconder o telemóvel dela na meia, para termos um plano B se aquilo realmente corresse mal.”
Às 4h15 daquela madrugada, o telefone tocou. “Estás bem?”, perguntou Soraia. E combinaram a segunda fuga: estava previsto que Soraia iria às compras de vestidos nas Amoreiras, e combinaram que Pedro estaria lá à espera no carro para a levar. Daquela vez, Pedro ia preparado. Em vez de ir “à deriva, com cinco ou dez euros no bolso”, tinha vendido uma mota que ganhara num concurso de desenho e tinham uma casa para onde ir.
A grande evasão e o final feliz
No dia D, Pedro chegou cinco horas antes ao local. Estava em pulgas, já lá tinha ido antes estudar o melhor sítio para colocar o carro. Mas uma falha de comunicação fez com que se desencontrassem — referiam-se a sítios diferentes na altura em que combinaram a fuga.
Porém, tinham elaborado um plano B. Se nas Amoreiras não resultasse, encontravam-se nessa tarde em frente do Minipreço do Bairro do Zambujal. E assim foi. Soraia disse à mãe que ia a uma loja. A mãe, desconfiada, pediu ao irmão para a acompanhar. E acabou por ir atrás também. Dentro da loja, Soraia virou um corredor, olhou para trás, viu os olhos da mãe arregalados e correu em direção à saída e ao carro de Pedro.
Estiveram fugidos durante dois meses. “Com o tempo, a família foi aceitando, chegou a uma altura em que a mãe disse: venham para casa, escusam de estar a fugir dessa maneira, venham lá estabilizar-se. E assim foi, as coisas normalizaram-se com o tempo. Com respeito, chegámos todos a um consenso.” Pedro e Soraia conseguiram ficar juntos, rompendo com a tradição cigana. Uma parte da família não aceitou, mas a maior parte normalizou as relações com eles.
Esta é uma história de muita luta e de vitória — e que diz muito sobre a igualdade de género numa comunidade que não a pratica. Por isso inspirou Mariana Duarte Santos no seu mural.

Mas, curiosamente, esta história está também representada no mural de Pedro, contíguo: na tela está o último filho do casal, o mais novo, Vincent, com um V na camisola.
Os nomes dos quatro filhos do casal são todos começados pela letra V: Vilma, Viviana, Valentino e Vincent. V de vitória. “São os melhores troféus desta história”, diz o artista.
Pedro desenhou o sexto ODS, que se refere à importância da água potável. Acabou por ser um acaso pertinente, visto que Pedro cresceu no antigo Bairro das Fontainhas, perto das Portas de Benfica, sem água canalizada em casa. Contou também a sua história de vida – as Portas de Benfica e as antigas Fontainhas, a família e os próprios moradores daquele prédio, pintando vários miúdos que ali residem.
Como estudou relojoaria na Casa Pia, decidiu também prestar tributo à instituição através do ganso (é assim que são chamados os alunos) e de um mecanismo que irá fazer mover um cata-vento a partir das mãos da pintura do seu filho.

“A sua filha é branca?” “Qual é o mal?”
Esta não é a única história de cortar o fôlego, no Zambujal. No mural pintado por Jorge Charrua, uma mulher negra faz tranças no cabelo de uma mulher branca e os simbolismos não são só os óbvios. As duas muheres – Clara Tixa Patrícia e Patrícia também são do bairro, e contam mais uma história de superação. Tixa — que os mais próximos chamam de Tita —, é uma das maiores especialistas em tranças do bairro. E Patrícia, a outra, branca, é a sua irmã de vida.
A família de Tixa vivia num bairro de barracas no Calhariz de Benfica. O pai era pedreiro, a mãe peixeira, o que implicava que ambos saíam cedo. Ela para ir comprar o peixe à lota durante a noite tinha de deixar as crianças sozinhas. “Eram duas pessoas que, com a sua vida de trabalho, não tinham disponibilidade para tomar conta das crianças”, explica Tixa sem dramas. Em bebé, ficava numa ama vizinha. Mas como não era tratada em condições, quando a vizinha e amiga Amélia foi realojada no Bairro do Zambujal, ofereceu-se para ficar com a miúda.
“Tornou-se a minha mãe adotiva, sobretudo porque depois a minha família biológica tinha ido para o Catujal, que era longe. Cheguei com seis meses ao Zambujal. E sempre soube que tinha duas mães. Mas és filha de uma mãe branca? diziam as pessoas. E a minha mãe adotiva nunca teve vergonha em dizer que sou filha dela. Sempre disse: É minha filha e qual é o mal?“
Amélia já tinha uma filha, Patrícia, que nessa altura vivia com o pai, nestas coisas da vida. Quando o pai faleceu, foi para casa da mãe. “Quando ela voltou, estávamos lá os três, eu, o Luís e o Nando. Ela aceitou, mas não foi fácil. Ser filha única e receber mais três irmãos adotivos. Havia discussões, chatices… Ciúmes, conflitos, revolta, dúvidas, perguntas. E ela era miúda, nós mais miúdos ainda, e não conseguíamos entender. Mas fomos crescendo e a Patrícia era a líder”, conta Tixa.

Era a irmã quem geria a casa, quem dizia o que os irmãos vestiam ou comiam. “Se tive um Carnaval, uma festa de Natal, foi tudo pelo que a minha irmã Patrícia me proporcionou. Se fui a uma piscina, se conheci o McDonald’s, o Jardim Zoológico, se alguma vez fui a um cinema, foi tudo a minha irmã Patrícia. E todos os anos tive festas de aniversário”, recorda, orgulhosa. Também era ela quem penteava Tixa, quem a ensinou a dançar.
“Eu sou africana e uma branca é que me ensinou a dançar! Eu não sabia. Mas quem é que ensinou a Patrícia a dançar? A minha mãe biológica. Está tudo interligado!”
Apesar de recordar tudo com carinho, Tixa sabe que passou tempos difíceis. Foi mãe adolescente. Passou por cursos profissionais. Pelas cozinhas do Pingo Doce. Por França, onde conseguira trabalho num hotel. Foi lá que recebeu a notícia da morte do seu irmão Luís, que na música era conhecido como o rapper Short Size.
“Nesse momento percebi que o dinheiro não merece toda a minha atenção. Tirou-me os últimos momentos com o meu irmão. Poderia ter estado com ele, brincado com ele, dizer-lhe mais que o amava. Em nós os três, eu fui a única que saiu dali alguma coisa. O meu irmão era cantor, mas faleceu. O meu irmão Nando não conseguiu exercer aquilo que queria, hoje trabalha nas obras. Mas eu estou a trabalhar naquilo que queria.”
Fez-se luz quando leu um texto que dizia que no cemitério havia “muitas pessoas que queriam ser mas nunca o foram”.
“E eu disse: não vou morrer sem ser aquilo que quero ser. E estou a lutar por aquilo que quero ser, que é cabeleireira.” Foi nas tranças que encontrou o seu rumo. “Lá na escola, fazia a todos, pretos e brancos. Fazia de graça, fazia mal, mas estava a fazer o que eu gostava nos intervalos. “
A primeira grande cobaia foi Daniela, a filha de Patrícia, sua “sobrinha”. E acabou por tornar-se uma referência local, agora imortalizada a muitos metros de altura, numa empena do Zambujal.
Tixa ainda tem sonhos, maiores que aquele mural.
“Quero ter um espaço meu para mostrar aquilo que sei, o que tenho dentro de mim, passar o meu grito. Quero ser reconhecida pelo meu país, por aquilo que faço, pela minha arte. Os meus pais não tinham muita escola, mas eram empreendedores. Eu tenho ligeiramente mais escolaridade do que eles. Porque é que não posso ser empreendedora, porque não posso ter o meu próprio negócio? Quero algo meu, não quero trabalhar por conta de outrem. Sofri, fui humilhada, injuriada, mas valeu a pena.”
Imortalizada na parede está a história de irmandade e cumplicidade que a une a Patrícia, que rompe barreiras raciais e que a retrata a retribuir a quem lhe proporcionou tanto — mesmo que nem sempre as relações sejam fáceis, que possam ter altos e baixos, nós e tranças, como os cabelos que Tixa penteia.
Como tantas histórias neste bairro. Nesta cidade. Neste mundo.

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Os bairros escondem muitas vidas, que fogem ao que é retratado na comunicação social.
Estava curiosa com o mural da Mariana Santos, e achei curiosa a história associada a ele, qual a famosa história de Pedro e Inês, mas com final feliz.
Se estava curiosa, com o mural, fiquei contente com a existência de mais murais, que podem trazer mais pessoas ao bairro, sem ser pelos piores motivos.
Há quem se interesse por arte urbana, e esta poderá ser um “chamariz” para um turismo específico, podendo dinamizar atividades no bairro.
Conto fazer uma visita!