Rua de Campolide: aqui poderia haver árvores

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Em A Planta do Mundo, Stefano Mancuso fala-nos do Treepedia, um extraordinário projecto fruto de uma parceria entre o Fórum Económico Mundial e o MIT, que mede a superfície vegetal de algumas cidades do mundo.  

Lisboa não está incluída, mas bem deveria estar, pois seria fundamental sabermos ao certo qual a área verde da nossa cidade em comparação com outras capitais da Europa e do mundo.  

É que, como escreve Mancuso, «nas cidades, todas as superfícies deveriam estar cobertas por plantas. Não apenas os (poucos) parques, avenidas, canteiros e outros lugares canónicos, mas literalmente todas as superfícies: telhados, fachadas, ruas; cada lugar onde seja imaginável pôr-se uma planta deveria tê-la.

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Insisto, a ideia de que as cidades devem ser locais impermeáveis, minerais, contrapostos à natureza, é apenas um hábito. Nada impede que uma cidade não esteja completamente recoberta por plantas. Não existem quaisquer problemas técnicos ou económicos que possam verdadeiramente impossibilitar uma tal escolha.

E os benefícios seriam incalculáveis: não só se fixariam quantidades enorme de CO2 nos locais onde este é produzido, como se melhoraria a qualidade de vida das pessoas». 

É possível que o sonho de uma Lisboa coberta de árvores e plantas não passe disso mesmo, de um sonho irrealista e utópico. De qualquer modo, impressiona e confrange que existam dezenas, centenas, talvez milhares de espaços públicos na cidade onde poderia haver árvores, frondosas e frescas, que bem precisamos.

Apesar dos progressos já alcançados, persistem muitos lugares à espera de plantio e de verde, coisas que seriam essenciais para combater o aquecimento global ou minorar-lhe os efeitos. Basta percorrer as ruas para os encontrarmos, os locais que já tiveram árvores e inexplicavelmente deixaram de as ter, os locais que nunca conheceram a alegria do verde, os locais que foram pavimentados sem que jamais se pensasse em colocar ali uma árvore ou sequer uma planta.  

Em Aqui Poderia Haver Árvores, mostro alguns desses lugares.

Muitos outros haverá e, por isso, os leitores podem participar e ajudar, enviando as suas imagens, com a respectiva localização, através do email: geral@amensagem.pt


António Araújo

Nasceu em Lisboa, em 1966. Jurista e historiador, fez a licenciatura e o mestrado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e o doutoramento em História Contemporânea na Universidade Católica Portuguesa. Exerceu funções como consultor político dos Presidentes Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa e é administrador executivo da Fundação Francisco Manuel dos Santos e diretor de publicações. Colabora regularmente com a imprensa escrita, e é editor do blogue Malomil. Foi um dos fundadores do blogue Lisboa SOS e é membro do Fórum Cidadania Lx. 

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1 Comentário

  1. O autor poderia desenvolver mais esta afirmação: ”  Nada impede que uma cidade não esteja completamente recoberta por plantas. Não existem quaisquer problemas técnicos ou económicos que possam verdadeiramente impossibilitar uma tal escolha.” Gostaria de saber como é que essa proposta seria executada.

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