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Foi recebida com grande curiosidade, até vinda de outros cantos do mundo. Quando a Pluriversidade Comunitária apareceu em janeiro deste ano, muitas foram as mensagens que chegaram de várias zonas de Portugal e do Brasil ao fundador desta ideia, Rogério Roque Amaro, investigador no ISCTE.

Rogério Roque Amaro já há muito pensava em criar esta universidade em Lisboa. Foto: Rita Ansone

Tudo porque com ela nascia um projeto inédito e há muito esperado: fazer o saber circular dos bairros para os bairros, porque o conhecimento, acreditam, “não está só na academia”.

Passados cinco meses, esta quarta-feira, dia 29 de junho, decorre a primeira sessão aberta desde a estreia.

Esta será sobre arte na comunidade e para a comunidade. E põe lado a lado quem dedicou anos de estudo na universidade à arte e quem “aprendeu na rua”. A sessão vai ter lugar na PRODAC (instalações da Santa Casa Misericórdia de Lisboa, no Vale Fundão, em Marvila), entre as 18:00 e as 21:00.

Vai marcar presença Ernesto Serafim, morador no bairro dos Alfinetes (Marvila), conhecido por construir e expor miniaturas de casas em madeira. Ao lado de Teresa Palma Rodrigues – artista, doutorada e professora na Universidade Lusófona de Lisboa – e de Arthur Pugliese (ainda por confirmar) – arquiteto e artista plástico.

João Tito Basto faz parte da equipa fundadora da Pluriversidade. Foto: D.R.

A conversa será moderada por João Tito Basto, membro do Comité de Sistematizadores e Indutores, a equipa que desenha estas sessões.

A primeira sessão decorreu na apresentação oficial desta Pluriversidade, em janeiro, no auditório da Casa dos Direitos Sociais, junto ao bairro da Flamenga, em Marvila. Num palco, os ‘professores’, Soraia Corneta e Joaquim Saavedra, ambos de etnia cigana. Na plateia, os ‘alunos’. Foi sobre ciganos que se falou neste dia, porque “raramente lhes damos voz, na primeira pessoa”, disse Rogério Roque Amaro. Dar-lhes voz, garante, é meio caminho andado para combater o estigma a que estão associados.

A primeira sessão chamou um homem e uma mulher da comunidade cigana ao palco, para desmistificar alguns preconceitos sobre a etnia. Rogério Roque Amaro foi quem moderou a conversa. Foto: Catarina Reis

O que é a Pluriversidade?

Não há alunos, há aprendentes. Nem aulas – mas sessões de conhecimento partilhado. Nem salas ou lugar fixo para aprender. Ensinar pode acontecer em qualquer lado, até na rua. E os professores serão membros da comunidade, vizinhos.

Mas esta escola também não se faz de conversas de café: tem uma espécie de conselho científico, em que moradores dos bairros se juntam a outros membros com formação académica superior, alguns deles investigadores.

O projeto chama-se Pluriversidade Comunitária – por oposição à ideia de “(uni)formização” do saber. Nasce do, e para o, conhecimento cívico e voluntário. É uma escola popular e comunitária e começou por ser idealizada pelo investigador do ISCTE, especialista em temas sociais, Rogério Roque Amaro, assim que decidiu reformar-se da academia. “Porque o saber não está só na academia”, lembra o cérebro da empreitada.

Participam no arranque mais de 60 pessoas de 16 grupos comunitários ligados a alguns dos bairros mais desfavorecidos da cidade. Os intervenientes são moradores ou técnicos e académicos.

No fundo, o objetivo é a transmissão e o circular do saber, descentralizando o que normalmente fica apenas na academia, para o trazer até quem nunca teve acesso ao ensino superior. Querem fazer da educação mais um meio de resolução de problemas e provar que a experiência de vida pode valer tanto ou mais do que um canudo.


Catarina Reis

Nascida no Porto há 26 anos, foi adotada por Lisboa para estagiar no jornal Público. Um ano depois, entrou na redação do Diário de Notícias, onde aprendeu quase tudo o que sabe hoje sobre este trabalho de trincheira e o país que a levou à batalha. Lá, escreveu sobretudo na área da Educação, na qual encheu o papel e o site de notícias todos os dias. No DN, investigou sobre o antigo Casal Ventoso e valeu-lhe o Prémio Direitos Humanos & Integração da UNESCO, em 2020.

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2 Comentários

  1. Estou com grande curiosidade, no que se irá desenrolar no saber de cada um, transitando num global para outrém. A escola da vida de Lisboa, relata bem, como vivíamos e como éramos.

  2. Projecto fantastico. Obrigada e Parabéns aos mentores e dinamizadores desta Universidade.
    Também quero prticipar

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