Lauro António
Lauro António tinha 79 anos.

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O texto, há semanas aqui publicado, Lauro António abriu-o, assim: “Nunca foi escrita a sério a história do cineclubismo em Portugal e é uma tarefa que urge empreender, enquanto alguns dos seus principais dirigentes ainda se encontram vivos e com hipóteses de recordarem os aspectos mais marcantes dessa história.”

A palavra: urge.

Um velho sábio, elegante, a tentar agarrar a memória da sua paixão, o cinema, e a generosidade da militância pelo cinema, o cineclubismo. Escrever sobre o que era ver o “Couraçado Potemkine”, no Cine Clube do Porto, de pé, numa velha sala apinhada, porque urgia para muita gente. Assistir à antestreia do “Belarmino”, porque urgia ver a vitória de um boxeur derrotado, abrindo as portadas do seu quarto pobre no Martim Moniz, para que a colina do Castelo, aluz, nos entrasse pelos olhos dentro…

Lembrar uma sessão no Cine Clube do Barreiro, o Barreiro, com José Afonso, o José Afonso, com pides, os pobres dos pides… 

Um leitor de um lugar longínquo e também de memória urgente, lembrando os cineclubes brasileiros durante a Ditadura Militar, escreveu a pedir autorização para aquele texto de Lauro António ser publicado no site do Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros.

Posso publicar? “Pode, Diogo”, respondeu Lauro António.

Militante, prosélito, amante do cinema. Realizador, cineclubista, argumentista, crítico de cinema, apresentador de filmes na televisão, patrão da sala de culto Estúdio Apolo 70… O cinema e ele.

É tão bom, a Mensagem ser uma pedrinha do percurso de um homem que passou a vida no cinema, e, na vida, chamando a atenção da vida para o cinema. 

Um dia, a Catarina Carvalho e eu fomos ao Vavá, uma catedral que ele frequentou, para combinarmos o que ele queria escrever na Mensagem. Ele estava ao lado da Maria Eduarda, a sua mulher, e disse. E escreveu o que urgia. 

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1 Comentário

  1. Fui companheiro de muitas viagens com o Lauro António; uma vida cruzada de muitos filmes, revistas, realizações, encontros permanentes de altas horas de convívio, em casa ou no VaVá; uma memória rica de tanta recordação que não cabe nesta página; parabéns à Mensagem por este completo, justo e merecido reconhecimento do homem, do cineasta, do crítico, do divulgador, do amante do cinema como uma das mais belas das artes e das coisas da vida, a quem toda uma geração de cinéfilos muito fica a dever. Até sempre Lauro António

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