Estes são os quadros da Banda Desenhada sobre a história de Lisboa, do desenhador Nuno Saraiva, que foram vandalizados no início desta semana com um enorme graftti – apenas 15 dias depois de terem sido restaurados.

São 13 e estão, segundo o autor, “irremediavelmente destruídos”. Ou seja, terão de ser completamente refeitos. “Os das filas de cima, podem ser restaurados, estes não.”

O grafiti pintado por cima da parte sul do mural. Foto Facebook de Jorge Carvalho Mourão.

Como se pode ver nas imagens acima, a parte destruída equivale ao período histórico entre 1100 e 1700, em Lisboa, numa interpretação muito “livre” e “crítica” do autor. É por isso que ele lhe chama “Mural História de Lisboa – Uma interpretação em BD, com pouca Moral”, e também por isso não entende que tivesse havido algum tipo de ataque específico à sua visão: “é uma interpretação até bastante politicamente correta, a que faço aqui.”

Um exemplo, a vinheta sobre o Convento do Carmo, com a sua “afirmação de poder do Condestável Nuno Álvares Pereira: com uma espécie de tradução de autor, para quem curioso. É o nosso mais recente Santo, São Nuno de Santa Maria canonizado a 26 de abril de 2009, pelo papa emérito Bento XVI, Ratzinger para os amigos. Neste desenho não sou simpático para com o nosso herói de Aljubarrota. Pintado a cinzento (seria um homem lúgubre, de poucos amigos) e a vermelho sangue, segura uma espada ensanguentada numa mão e uma pesada cruz na outra. Sim, o que é que querem? Esta personagem da nossa Giesta sempre me assustou!”

Estes quadros foram restaurados – e 8 feitos de novo – há apenas 15 dias num trabalho que implicou três meses, entre a desumidificação das paredes e o apagar de anterior destruição a que tinham sido sujeitos. No total, são 26.

A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que tinha encomendado o restauro, já fez queixa à polícia do sucedido, mas ainda não foram encontrados os responsáveis – embora seja uma tag que foi desenhada, o que normalmente significa a assinatura do autor.

Veja a notícia do vandalismo, aqui:

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2 Comentários

  1. É lamentável que algumas pessoas queiram deixar uma marca pessoal destruindo o bom trabalho de outros. Contudo, vejo neste incidente uma ótima oportunidade para o Nuno Saraiva refazer o seu mural através de um olhar inclusivo, ou seja, apresentando a História na perspetiva das muitas pessoas que a fizeram ao longo do tempo mas que têm ficado no esquecimento dos manuais, reportagens e programas sobre Historia. Por exemplo, as mulheres deste país e as pessoas negras deram um contributo incontornável mas que continua sem o devido reconhecimento. Fica aqui a sugestão. Já chega de história contada no masculino branco. É parcial e injusta e os tempos atuais não se compadecem com meias histórias.

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