“Agora visto calças.” Nas primeiras visitas a casas em Lisboa, para arrendar, Carla e Mário, um casal de etnia cigana, agora com 29 anos, teve de planear a sua própria estratégia. Não bastava a simpatia, apresentar rendimentos até. Tinham de se camuflar, parecer tudo menos ciganos.

Por isso, Carla vestiu calças. “Já não vestia há sete anos” por força da tradição – senhoras ciganas casadas usam saias ou vestidos. E entrou sozinha. “Ao telefone, diziam que sim, que alugavam. Até que viam o Mário. Recusavam.” Ele, moreno, com o sotaque da comunidade na qual cresceu na ponta da língua. Ela de pele mais clara e apenas carregando o sotaque algarvio.

Arrendar casa na grande cidade não é tarefa fácil para a vasta maioria, mas acrescentemos “pessoa de etnia cigana” à identidade e tudo se complica. Aceder ao mercado imobiliário privado é uma utopia para esta comunidade, sujeita à habitação social, nem sempre suficiente.

Os números provam a dificuldade. Dados de 2017 (do Alto Comissariado para as Migrações) mostram que há 37 mil pessoas ciganas em Portugal e sabemos agora que 37% ainda vive em bairros de lata ou acampamentos, em 70 municípios, segundo um outro relatório, divulgado em 2021 pelo Comité Europeu de Direitos Sociais. Os dados e estudos, no entanto, são ainda insuficientes para estimativas demográficas rigorosas, sobretudo perante a exclusão da etnia dos questionários e censos.

À dificuldade no acesso à habitação, junta-se a complexidade da entrada no mercado de trabalho, na educação (sobretudo de raparigas) e saúde.

“Sentimos que é sempre um pouco mais difícil para nós.” Di-lo Carla, uma das mulheres das 13 famílias despejadas de casas ilegalmente ocupadas no Bairro Alfredo Bensaúde no início de 2020. Depois de fechadas as portas que já não eram suas, abriram-se outras: as portas da rua ou dos carros e carrinhas, onde estas famílias passaram a viver e dormir durante semanas.

Até que o programa “Mudar de Vida” nasceu, para lhes dar uma casa, mas também formação e emprego. Carla e Mário, que é já um dos casos de sucesso na área da empregabilidade, com um trabalho no setor público como calceteiro, são dois dos 26 adultos (com 30 crianças) a quem o programa promete realmente mudar a vida.

Quase conseguimos ouvir o grito cantado de José Mário Branco, que há anos já tinha dado nome a este projeto.

“Hesitei se havia de escrever esta canção
Porque a vida não se pode resumir numa canção
Mudar de vida?
Mudar de vida é uma questão que ainda não está resolvida
Mas o que é a minha vida, se não a própria vida que está contida em toda a força perdida, em toda a vida perdida, consumida, passada, repassada, ultrapassada como se não fosse vida…
A minha vida? Não há!”

Mas há e não se resume a uma canção. A iniciativa, financiada pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ensina sobretudo a sonhar, algo a que estas famílias não estavam habituadas.

“Se por um lado percebemos que uma prestação social [Rendimento Social de Inserção] é um apoio e descanso para eles, percebemos que eles ambicionam mais. O que sentimos é que têm sonhos, mas quase não se atrevem a verbalizá-los. Porque não tiveram alguém ao seu redor que pudesse ser um modelo.” É Alexandra Alves Luís, membro da equipa de operacionalização e cofundadora da Associação Mulheres sem Fronteiras, quem o lembra.

O início de uma pequena-grande revolução

Março de 2020 e o teto passou a ser o céu de uma carrinha. Fazia já cerca de 11 anos desde que Carla tinha trocado o Algarve, onde nasceu e cresceu, por Lisboa. Veio de mão dada com Mário, o marido, natural da capital, prometidos aos 18 anos e com essa idade casados um com o outro. Entretanto, dois filhos (um rapaz de cinco e uma rapariga de dez anos).

Durante os primeiros anos, o casal viveu em casas alugadas com o apoio financeiro da assistência social, até o apoio findar. Depois, com apenas 500 euros de RSI, a alternativa da família foi “uma casa arrombada” no bairro Alfredo Bensáude, durante quatro anos. E, então despejados por ordem da autarquia, a alternativa foi fazer da sua carrinha a nova casa.

Eram quatro e improvisavam uma cama na mala da viatura, onde, aliás, ficaram obrigados a fazer toda e qualquer tarefa diária. Era março “e chovia muito”, lembra Carla. Com eles, um pequeno fogão servia para confecionar as refeições e aquecer a água com a qual os filhos tomavam banho, diante da carrinha. Uma máquina de lavar roupa literalmente ligada por um único fio a uma tomada do prédio passou a ter lugar também no exterior. “O mais difícil”, lembram, foi a falta de uma casa de banho.

Tudo o que restava ao casal e a estas duas crianças era o abraço quente na traseira de uma carrinha. Além dos 500 euros mensais do Rendimento Social de Inserção (RSI) e o abono familiar. Nada suficiente para garantir um novo teto e alimentar quatro bocas.

Rogério Roque Amaro, docente no ISCTE e com trabalho dedicado à inclusão da comunidade cigana na sociedade

“Uns vieram pedir-me ajuda. Outros foram mais tarde identificados. A 13 de março, lanço um abaixo-assinado e até enviamos uma carta para a União Europeia. Dias depois, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa descobre e liga-me para dizer que está preocupado com a situação destas famílias, que estavam ilegais naquelas casas, mas que a pandemia tirou as alternativas de ajuda.” Rogério Roque Amaro é professor do ISCTE e uma vida dedicada ao trabalho de inclusão da comunidade cigana na sociedade esteve no arranque do programa “Mudar de Vida”.

Plantou a semente, regou-a e viu a obra florescer diante dos seus olhos: teve carta branca para avançar com a procura de casas que a Santa Casa da Misericórdia se disponibilizou, entretanto, a financiar.

“Mais de cem chamadas” distanciam o início e o sucesso desta prova. Mas, em conjunto com a agora equipa de operacionalização do projeto “Mudar de Vida”, a que pertence com Alexandra Alves Luís, Aida Marrana e Ana Roque (ambas do Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos), viu no caos o soar da marcha de uma pequena-grande revolução.

“Tentamos acompanhá-los uma vez por semana, ir lá saber deles e dar apoio alimentar. Mas começamos a pensar se esta não poderia ser uma excelente ocasião para propor a estes jovens casais um projeto de vida, uma solução integrada de recuperação.”

Ciganos, “o parêntesis da sociedade”

A história não é nova: há mais de 600 anos, quando a comunidade cigana chegou ao extremo ocidental da Península Ibérica, que a relação com a restante sociedade é terreno arenoso. Chegaram “às nossas cidades” só depois dos 25 de Abril. E lembra Roque Amaro que esta chegada foi recebida com “preconceitos e estigmas”, uma reação ao desconhecido, que predominam até hoje, alguns até reforçados, e que “entraram quase nos genes das comunidades ciganas e nos nossos”.

“A ideia de que estas pessoas não querem trabalhar vem do facto de terem estado à margem da nossa sociedade e de terem de encontrar, depois, os seus próprios meios de subsistência.” Em paralelo. O que Alexandra Alves Luís lembra ser uma característica hoje absolutamente vincada na malha que é esta comunidade: “a sobrevivência”. “Habituámo-nos a vê-los fora do nosso contexto, nas nossas feiras”, remata Roque Amaro.

“Ao longo da história, tiveram de fazer as suas próprias regras, paralelas às nossas, para sobreviver. Porque o preconceito até lhes tirou os mecanismos de defesa que nós temos” – como o acesso às autoridades e à educação.

Roque Amaro, ISCTE

Fizeram os seus próprios empregos e criaram as suas próprias regras. O professor do ISCTE lembra-os como “o parêntesis da sociedade”, porque tiveram realmente de aprender a viver à parte. “Ao longo da história, tiveram de fazer as suas próprias regras, paralelas às nossas, para sobreviver. Porque o preconceito até lhes tirou os mecanismos de defesa que nós temos” – como o acesso às autoridades e à educação. O que resultou num novo estereótipo: a violência. “É a única estratégia que têm. Sabem que temos medo deles e usam isso como defesa, a única defesa.”

Nas suas investigações pela história da presença desta comunidade em Portugal, o investigador encontrou inclusive ordens de serviço da GNR em que se mencionava que os ciganos deveriam ser vigiados 24 horas por dia. Uma diretiva revogada nos anos 1980.

Mais de 90% das pessoas de etnia cigana não consegue aceder a habitação privada. Nem ao mercado regular de trabalho.

O vincar destas diferenças foi tanto, que o tecido rasgou. Mais de 90% das pessoas de etnia cigana não conseguem aceder a habitação privada. Nem ao mercado regular de trabalho. Com a pandemia, foram dos mais fragilizados: com o fecho de feiras, perderam os seus rendimentos e não foram criados apoios estatais que os cobrissem, ao contrário do que aconteceu noutras áreas e setores comerciais. Para muitos, restou apenas o RSI.

A educação, o acesso ao arrendamento de uma casa e ao emprego, bem como à saúde, tornaram-se, por isso, o foco deste programa municipal.

“Não queremos viver do Estado, dos outros”

Vestido de fato azul, as barras florescentes que atravessam o seu casaco encandeiam o olhar quando enfrenta o sol desta ainda madrugada. São 7h30 da manhã. Mário tem as botas calçadas e conta o tempo para chegar aos estaleiros da Junta de Freguesia do Parque das Nações, de onde arranca todos os dias para trabalhar, desde o início de 2021.

“Não sei se vou pôr pedra, se vou pôr pilaretes, fazemos de tudo um pouco.” Pela marginal do Parque das Nações, já teremos pisado aquela que é a obra deste novo calceteiro. Em nada romantiza a profissão, que “é dura”. É o primeiro emprego que assume e não foi um sonho, mas tornou-se no seu maior projeto de vida. “Faço aquilo que gosto.”

Mário tornou-se calceteiro e é visto como um exemplo de profissionalismo pelos colegas. Ambos, ele e Carla, quiseram manter a sua identidade reservada.

À entrada dos estaleiros, enquanto a equipa aguarda subir carrinha acima e seguir para o local de ação do dia, “o mestre” Vítor, o mais antigo calceteiro ligado à junta de freguesia, tece rasgados elogios a Mário. “Trabalhador” e “pontual” são qualidades destacadas. E, nos olhos de Mário, conseguimos ver o peso destas palavras, que ele próprio controla, para que não se humidifiquem pelo rosto.

Antes de aqui chegar, apenas tinha marcado presença em cursos de calçada e jardinagem inseridos no programa de prestação de RSI e nas feiras ambulantes, a bordo da profissão da família. Trocou o pregão pelo chão de Lisboa.

“Estamos a conseguir que alguns pivots da sociedade, nomeadamente no serviço público, abram oportunidades de emprego a estas pessoas”, através da iniciativa “Mudar de Vida”, conta Rogério Roque Amaro. Mário precisou apenas de uma ajuda na construção de um currículo, seguiu para entrevista e o resultado foi este: “passei”, diz com algum espanto.

Para este homem, “ter um emprego normal” era miragem, algo inalcançável para alguém da sua etnia. Alexandra Alves Luís frisa: “uma pessoa que nunca viu isto, que não tem isto na família, nunca consegue idealizá-lo, não sabe que é possível”. Até o ser realmente.

A integração, conta Mário, “não foi difícil, mas também não foi fácil”. “Eu era o único cigano e senti-me… não é inferior, mas diferente. Cigano devo ser o único ali. Mas era tudo da minha cabeça: fui recebido muito bem.”

São 11 minutos de distância até à sua nova casa, onde nos esperava Carla, a mulher com quem Mário partilha já décadas de vida e dois filhos. Bem se recorda da alegria, algo comedida, até desconfiada, que ambos sentiram no seu primeiro dia de trabalho. “Ele chegou a casa e disse: ‘Pronto, já estou a trabalhar’. Nunca mais me esqueço. ‘Já estou a trabalhar.’ Ficou-me na cabeça. Ele nunca pensou conseguir.”

“Quando ela chegou aqui, a primeira coisa que disse foi: ‘tenho uma pia, tenho uma pia’. ‘Mãe, tenho uma pia, já não quero ir mais para a barraca [carrinha].'”

Carla

Há aqui uma vida nova a olho nu: esta família ganhou uma casa. Desde a nossa entrevista, mudou-se para uma outra residência, cofinanciada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde apenas tem de garantir as despesas de água e luz. Com um teto, tudo mudou.

“Temos um quarto, uma cama, os miúdos têm televisão.” Carla di-lo como se de um tesouro se tratasse, quase contendo o sorriso que lhe assalta o rosto. Há cautela na celebração desta família que sabe que se está sempre a um passo de perder tudo o que se toma como garantido.

Quem não mede a felicidade é a segunda mais nova da casa. “Quando ela chegou aqui, a primeira coisa que disse foi: ‘tenho uma pia, tenho uma pia’. ‘Mãe, tenho uma pia, já não quero ir mais para a barraca [carrinha].'”

Os sonhos, que nem se atreviam a ter, começam a concretizar-se, aos poucos.

Até Carla, que nunca trabalhou, “porque não é muito bem visto pela [sua] comunidade”, já sonha em ter um negócio próprio. Em maio, começou um curso de manicura. Uma parceria com o IEFP permitiu que o projeto “Mudar de Vida” desse a possibilidade às mulheres destas 13 famílias de frequentar um curso numa área de que gostassem. Escolheram o de esteticista, porque se perspetivavam a fazer disso as suas vidas. “Na maioria das vezes, estas pessoas não são ouvidas. Recomenda-se o que devem fazer e, se calhar, mais tarde, isso foi em vão, porque não iriam querer utilizar isso nas suas vidas”, diz Alexandra Alves Luís.

Alexandra Alves Luís, membro da equipa de operacionalização e cofundadora da Associação Mulheres sem Fronteiras

A ansiedade tomava conta das mãos de Carla na hora de falar do curso que ainda aí vinha. As pontas da mão esquerda massajavam nervosamente as falanges da direita. “Saio dali com uma experiência, posso arranjar um trabalho e a nossa vida pode mudar. Não é só viver do rendimento [RSI], não é só sobreviver. Precisamos, para a educação dos nossos filhos e para darmos o exemplo. Não queremos depender do Estado e dos outros.”

Carla não só consegue agora perspetivar o próximo ano e meio, onde estará a aprender nesta formação, como já sonha muito mais além. “Gostava de ter um salão meu, nem que fosse um negócio pequenino”. E, entre as mulheres destas famílias, já se aguarda pelo dia em que todas poderão trabalhar no salão de Carla.

Contrato social de compromisso. O novo modelo?

Também na saúde se prometem mudanças na vida destas famílias, habituadas a ficarem fora do sistema. Através do Centro de Saúde e Assistência Dr. Domingos Barreiro, em parceria com a SCML, são garantidas consultas gratuitas a todos os membros destas 13 famílias, em diversas áreas, como medicina geral e familiar e psicologia.

Na educação, pretende-se agora ir chegando às 30 crianças envolvidas no programa, alertando para a importância de estudar. Até Carla, que “não queria tanto” que a filha fosse tão longe quanto o filho na escola – a cultura cigana costuma retirar as raparigas da escola na altura em que atingem a puberdade, para que se mantenham virgens para o matrimónio – já começa a alargar horizontes: “se ela gostar de continuar e tiver juízo…”. São cada vez mais os jovens ciganos que chegam ao ensino superior, mas ainda são a grande exceção.

“Ver as ambições destas famílias concretizadas é mostrar que há formas de combater o preconceito com políticas públicas.”

Paula Marques, Vereadora da Habitação da CML

O programa “Mudar de Vida” tem o financiamento garantido durante dois anos, até janeiro de 2023. Mas a ideia é que este seja um projeto-piloto e o início de um modelo que a atual vereadora da Habitação, na Câmara Municipal de Lisboa, idealiza ver replicado em mais iniciativas. “A ideia é que esta metodologia [integrada], tendo sucesso, seja replicada noutras áreas e com outras famílias. Para que tenham uma forma de contrato social”, explica Paula Marques.

Para já, os objetivos são claros: ver renascer debaixo destes 13 novos tetos famílias mais autónomas e mais incluídas. “Vamos combater o preconceito? Então, temos de o fazer nas várias frentes. Ver as ambições destas famílias concretizadas é mostrar que há formas de combater o preconceito com políticas públicas.”

Os passos tendem a ser mais largos, mas a história é maior do que a ação e, por isso, o caminho ainda é longo. O Comité Europeu de Direitos Sociais do Conselho da Europa reconheceu, no seu último relatório, a importância de determinadas medidas implementadas em Portugal que vão ao encontro da melhoria de vida da comunidade cigana. São elas a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas e de programas de habitação como o 1.º Direito. Mas o mesmo Comité ainda considera a ação atual insuficiente para combater a discriminação em relação às pessoas de etnia cigana.

Enquanto isso, José Mário Branco continua a ecoar na nossa cidade.

“Uma vida separada não é vida nem é nada
São corpos minerais, nem plantas nem animais
Pois quem vive distraído à conta do seu umbigo
Quem não é capaz de dar a vida pela vida dum amigo
Está sozinho com os outros, está sozinho consigo
(pelo menos é assim que eu vejo as coisas)
Então? Mudar de vida pra quê?”


Catarina Reis

Nascida no Porto há 26 anos, foi adotada por Lisboa para estagiar no jornal Público. Um ano depois, entrou na redação do Diário de Notícias, onde aprendeu quase tudo o que sabe hoje sobre este trabalho de trincheira e o país que a levou à batalha. Lá, escreveu sobretudo na área da Educação, na qual encheu o papel e o site de notícias todos os dias. No DN, investigou sobre o antigo Casal Ventoso e valeu-lhe o Prémio Direitos Humanos & Integração da UNESCO, em 2020.

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4 Comentários

  1. Muito bom, parabéns pelo artigo. Uma das melhores forma de contrariar e alterar preconceitos é mais informação e esclarecimento dos bons e concretos exemplos.

  2. Parabéns, o artigo está muito bom. É muito importante assegurar o direito à habitação, sem ela todas as portas se fecham. As crianças ciganas têm de frequentar a escola em todos os níveis de ensino e temos de dar, ainda mais força, às meninas, para poderem sonhar ser médicas ou engenheiras.

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