A avenida da Torre de Belém ilustrada pelo leitor Tomás Reis, arquiteto e urban sketcher que nos enviou este seu desenho: “A cidade ansiava por um jornal como o vosso”, diz.

Há quem afirme que a melhor vista para o azul lilás com que os jacarandás pintam Lisboa nesta altura do ano se alcança do Tejo. Pode ser, até porque a cidade e a sua abertura ao mar tem tudo a ver com a história destas árvores na cidade. Foi com o embalo dos ventos que traziam as embarcações vindas de volta ao Tejo que também vieram as sementes dos Jacarandás, no início do século XIX. Vieram do Brasil. Primeiro, para integrar a coleção do Jardim Botânico da Ajuda. Depois, para serem espalhadas pela cidade.

O Jacaranda mimosifolia é uma espécie arbórea que, por cá, se faz notar no período que antecede o verão, anunciando-o. Dispensa as suas folhas no fim de abril para que, de maio a junho possa pincelar Lisboa com frondosas manchas azul lilás, abraçando as nossas praças e ruas. É uma árvore exótica, nativa da Argentina, Bolívia e Paraguai, e que tão bem se adaptou ao nosso clima.

Os jacarandás no meio das ruas de Lisboa. Foto: Luis Filipe Catarino/CML

Porque o Homem gosta de assumir a função de pássaro, dispersando sementes desde que começou, como eles, a viajar pelo mundo, reza-se que este feito de trazer os jacarandás para Lisboa teve a mão de Felix Avelar Brotero, ninguém menos do que o pai da Botânica em Portugal, tendo dirigido o Jardim Botânico da Ajuda de 1811 a 1826. Como boa prática, que herdou dos tempos em Paris, à semelhança do que fez com outras espécies, também oferecia as sementes desta árvore a quem quisesse cultivar pela cidade. Afinal tinha-as à mão de semear.

Da Ajuda, espalhar jacarandás em Lisboa toda

Quem o afirma é Dalila Espírito Santo, a engenheira que também dirigiu este Jardim Botânico de 2002 a 2019, confirmando que Brotero, para incentivar a plantação, propagandeava: “É uma belíssima árvore para Lisboa”. Algo que, para a anterior diretora do jardim, serve de prova para o seu papel na difusão da espécie que está um pouco por toda a cidade.

Curiosamente, a introdução da planta antecede o regresso da Corte do Brasil, numa altura em que os pigmentos do espectro azul eram valiosíssimos. Para a realeza, no entanto, esta planta, pelo seu exotismo, tinha um valor não comercializável: era uma forma de demonstrar o poder real. “Elementos exóticos, como o jacarandá, serviam como um género de televisão da época”, para nobres e povo, explica a especialista. Não é por acaso que o Rei D. João VI, quando regressa a Portugal, decide que o Jardim Botânico deve abrir todas as quintas feiras ao público. Se ainda hoje nos impressiona, apesar dos estímulos a que estamos expostos, imagine-se na altura.

As árvores espalharam-se por Lisboa, mas florescem mais lentamente acima do Tejo. Foto: Luis Filipe Catarino/CML

Há um outro segredo que, nos nossos tempos, só é conhecido pelos estudiosos e atentos: as duas árvores do Jardim Botânico, talvez por serem as primeiras a ser aclimatadas a Lisboa, são as últimas a florir na cidade, o que talvez as reassegure que terão uma floração mais exuberante do que as outras, que delas brotaram um dia. Este ano, as flores apareceram pela cidade na primeira semana de maio.

O calor traz as flores roxas aos jacarandás

O Jacaranda mimosifolia parece estar em contra-ciclo pela sua postura, quer na caducidade da folha, quer na floração. Mas o jardineiro Nuno Prates clarifica que “a árvore está a ser coerente com o seu ciclo, tendo um período fugaz sem folhas.” A floração desperta com a temperatura que teria o mesmo efeito na América Latina, e que só é atingida cá no anúncio de verão de uma primavera tardia.

Esta necessidade de temperaturas elevadas, impede que a árvore seja uma boa escolha para zonas a norte do Tejo – por isso fica aqui, por Lisboa. Nuno também esclarece que, de forma subtil, esta espécie tipicamente dá flor uma segunda vez, aqui ou no outro lado do Atlântico, seguindo as estações e temperaturas.

A avenida da Torre de Belém é um dos sítios de eleição para apreciar os jacrandás. Foto: Ana Luisa Alvim/CML

Embora Lisboa tenha uma grande fama pelos seus Jacarandás, a verdadeira capital mundial dos Jacarandás é Pretória, na África do Sul – também longe das suas origens. Alguns livros de Botânica afirmam que os portugueses foram responsáveis por aí disseminar esta espécie, assim como noutros países e continentes. Seja como for, por essas bandas, porque as condições para a sua floração estão reunidas na altura de exames, a superstição diz que a queda de uma flor na cabeça, algo bastante provável, significa sorte nos exames.

Poetas argentinos, atentos a sons que só escutam certos ouvidos, juram que estas árvores cantam tangos a quem por baixo das suas copas passa. Por cá, noutra nota, Eugénio de Andrade cantou-lhes um poema: “Não sei doutra glória, doutro paraíso: à sua entrada os jacarandás estão em flor, um de cada lado./ E um sorriso, tranquila morada, à minha espera./ O espaço a toda a roda multiplica os seus espelhos, abre varandas para o mar./ É como nos sonhos mais pueris: posso voar quase rente às nuvens altas – irmão dos pássaros –, perder-me no ar.”

Motivo de ode para o célebre poeta e de deleite para muitos lisboetas, o jacarandá continuará, no entanto, a ser a árvore da nossa discórdia: ora pelo odor que não apraz a todos, ora pela ideia que suja – passeios e carros estacionados. Poderá importar saber que a árvore é especialmente importante para o meio urbano, mais do que pelo embelezamento, pelo ambiente. E que disso depende a sua resiliência aos dois principais ataques a que estão sujeitas: podas e poluição.

As árvores no Parque Eduardo VII. Foto: CML

Até setembro, mais uma floração

Até fim de junho, o espetáculo dos jacarandás em flor pode ser visto, sem convite, nos mais diversos cantos e recantos de Lisboa, mas os principais destaques são o Largo do Rato, Parque Eduardo VII, Largo do Carmo, Av. D. Carlos I e Av. da Torre de Belém. Mas, se por algum motivo lhe escapar agora à vista, lembre-se que a árvore em setembro voltará a florir. Mais timidamente, quiçá pelo frio, sem voltar a despir as folhas para que o azul lilás sobressaia.


Um agradecimento, além daqueles que são referidos no artigo, a Teresa Chambel e Luís Mendonça de Carvalho, que ajudaram a nortear o artigo.

*Leonardo Rodrigues é aluno de Ciências de Comunicação, na Universidade Nova, e também autor do projeto Lisboa Quase Verde. É autor do blog Leonismos.com

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58 Comentários

  1. Muito interessante e bonito.
    Obtive informação histórica documentada sobre os jacarandás que tanto embelezam a nossa Lisboa.
    Surpresa agradável a leitura deste artigo!

  2. Maravilhoso texto ….adorei ler e saber sobre a origem e trajetória desta árvore…adoro as suas flores…e tudo isto mais me entristece ao lembrar que em Aveiro a Autarquia mandou cortar uns lindos jacarandás que embelezavam o largo das 5 bicas….

  3. Um artigo interessante que da prazer ler. Conheci a origem de uma das plantas que mais aprecio . Obrigada

  4. Os jacarandás de Pretória, onde estive há demasiados anos, não me ficaram na memória. Mas ficaram os de Harare, onde estive no Verão de 2008. Não sei quem os levou para lá, mas são uma vista muito bonita naquela altura do ano.
    A fotografia da avenida da Torre de Belém está particularmente bem conseguida. Parabéns.

  5. Como tantos outros lisboetas, todos os anos espero ansiosamente pelo florir dos jacarandás. Faz parte do ciclo de vida da nossa cidade….

  6. Há muitos anos, meu pai explicou-me donde “eles” tinham vindo, mas acrescentou que havia um mistério: há jacarandás vermelhos e outros amarelos… O mistério reside no facto de essas espécies não terem sobrevivido em Portugal sem que se soubesse porquê.

  7. Não é verdade que não há jacarandás a norte de Lisboa.
    Em Leiria no largo da Sé havia um desde que me lembro (nasci em 1954).
    E ainda hoje há vários.

  8. Em Coimbra, estás árvores são conhecidas como as árvores do estudante, por florirem na época dos exames.
    Será que há jacarandas de flor amarela?

  9. Vivi fora do país durante muitos anos e quando regressava a lisboa neste mês, antevia com prazer a vista das cores das suas copas e o pisar dos tapetes de flores caídas. Lembro uma visita,faz muitos anos, ao MNAAntiga. Quando sai para os jardins era cedo, ninguém tinha varrido ou limpo as mesas e todo o jardim estava coberto de um manto de flores dos jacarandás! Uma vista maravilhosa e inesperada.

  10. Gostei de saber mais sobre os jacarandás. Quando florescem dão um colorido bonito que chama logo a nossa atenção. Um local não referido no artigo é a Av. das Descobertas, em direção à Av. Dom Vasco da Gama, em Algés. Este ano têm estado atrasadas, tem-lhes faltado calor.

  11. O Jacaranda em flor contra o céu cinza carregado, como acontece por vezes nesta altura, faz um contrasto que tira a respiração de tanta beleza, ao iluminar o céu e as ruas das cidade. Deveriam ser consideradas patrimônio, como todas as outras árvores da cidade.

  12. Os jacarandás são árvores que harmonizam com a nossa exótica e linda cidade de Lisboa.

  13. Maria Moura, desculpe emendá-la mas creio que se refere a outra árvore bem diferente…Trata-se do liriodendron tulipifera, conhecido vulgarmente como tulipeiro da Virgínia ou liriodendro. É uma planta de grande beleza, com uma folhagem vistosa e, efectivamente, com flores de tom amarelo esverdeado e laranja semelhantes a tulipas. No Outono, as folhas brindam a paisagem com um magnífico matiz fulvo.
    Em Coimbra, os estudantes baptizaram-na de árvore-do-ponto porque a época de floração, entre Maio e Junho, coincide com o período dos exames. No entanto, os jacarandás da cidade são iguais a todos os outros jacarandás, com flores de tom violeta.

  14. Buenos Aires e a Cidade do México também ostentam grandes áreas de jacarandás floridos, na primavera. Árvores encantadoras e generosas.

  15. Recordo-me que os Jacarandás de Pretória têm florescências de várias cores sendo exuberante a vermelha. Lindas.

  16. Faro já teve como árvores predominante o Jacarandá roxo,hoje tem muito menos nos jardins.No Brasil existe o Jacarandá de flor branca difícil de encontrar,mas existe,a sua madeira muito valiosa.

  17. Lindo ! “…gosta de assumir as funções de pássaro” é uma imagem maravilhosa. Belissimo texto. Obrigada pela frescura e escolha das noticias. Fazia falta um Jornal assim. Tomara chegarem à televisão para inundarem os horários – ditos nobres – por perfumes de Jacarandás ou mesmo Tipuanas.

  18. Há muitos e altíssimos Jacarandás com cerca de cem e mais anos, assim como recentes, em BRAGA e florescem embeleza do a Cidade dos Cardeais e da Roma Antiga.

  19. Conheço alguém que pediu o corte de dois jacarandas à Câmara Municipal de Portimão, porque lhe sujavam a piscina. Substituiu por nerium oliender… Tristeza…

  20. Aqui em Porto Alegre, no sul do Brasil, os jacarandás fazem parte da arborização de muitas ruas e praças, e marcam lindamente nossa primavera. Mas também sofrem com podas inadequadas, para liberar a fiação que aqui é toda aérea.

  21. Boa explicação para também as árvores da minha Rua Coronel Eduardo Galhardo – Penha de França, ainda novas mas a florir, como as congéneres, em Maio

  22. Belo artigo. Muito bem escrito, interessante e diversificado. Lindas fotos também. “Rezemos” agora para que a loucura coletiva de destruição de árvores que atacou este país, através de podas feitas por ignorantes e cortes para lenha, não atinga também estas belíssimas árvores. Como diz no artigo a “sujidade” das folhas que caem nos passeios e nos carros estacionados, são mais que motivos para as Câmaras Municipais, dirigidas por gente insensível à importância e à beleza das árvores e à preservação do meio ambiente, as destruir.

  23. Em 1974,visitei a ilha da Madeira, fiquei encantada com os Jacarandas em flor.
    Em Lisboa, no campo pequeno, um dia passei por lá e andavam a cortar alguns, que tristeza

  24. Tenho vários exemplares de jacarandá aqui em meu sítio, em Cachoeira do Sul, no extremo-sul do Brasil. Florescem em novembro, final da primavera.

  25. Magnífico texto que li com o maior interesse e vou partilhar! Além de desfrutar da beleza e fragrancia de um exemplar adulto aqui no meu cantinho, a minha cidade tem muitos exemplares em várias ruas, artérias, praças, avenidas! Bem haja!

  26. Grato por estas lindas imagens da beleza desta árvore. Certamente interessante e cativante para todos aqueles e aquelas que sejam mais sensíveis à Beleza Natural, do que às montras de pronto a vestir e despir, revelando naturezas efêmeras. Aos poucos, os homens por mais modernos que sejam, tornam-se cada vez mais próximos do…DOCE MISTÉRIO DA VIDA.

  27. Artigo muito interessante e oportuno. Os jacarandás são arvores lindas, com belíssimas flores que começam a florir com o tempo quente, normalmente em fins de Maio. Efetivamente tem o contra de largarem uma espécie de resina que os donos de carros não apreciam e que até pode provocar escorregadelas no empedrado dos passeios! Para mim o local de Lisboa onde atingem a plenitude é no Parque Eduardo VII. Sevilha é um dos locais onde existem com abundancia. Nesta época do ano começam também a florir com múltiplas cores os aloendros (nerium oliender) arbustos de que gosto muito, alguns aromáticos, que podem transformar-se em árvores e são comuns no mediterraneo e veem-se de de sul a norte do nosso pais. As tílias também são árvores bonitas e abundantes, pena
    é que a sua flor e aroma durem pouco tempo, só o mês de junho. É pena que muitas arvores citadinas não ostentem o seu nome… Penso que seria uma forma de levar as pessoas a se interessarem mais. Há já uma App em língua inglesa que, pela foto das folhas identifica, o nome da árvore/arbusto, até pelo nome cientifico. Estamos sempre a aprender!

  28. Adoro estas árvores e gostaria que em muitos mais locais e cidades fossem plantadas, em vez de árvores que nada têm de belas e algumas até são sinônimo de tristeza. Que as Câmaras pensem muito a sério nestas lindas árvores.

  29. Lindos! Inspiradores!
    A Norte há alguns (Aveiro tem uns poucos), mas realmente parece gostar mais do quentinho; plantei um em Alvarenga há uns 10 anos e mal cresce. Não morreu mas não desenvolve.
    Eu gosto de ir às capital nesta altura, mesmo por causa dos jacarandás!

  30. …não será a florescência de outono uma memória genética da inversão das estações do ano no hemisfério Sul?

  31. Adoro os Jacarandás. Desde pequena sempre me animou velos em flor. Para mim o lugar de referência é a Av. D. Carlos I. Espero que a CML os valorize é que continuem lindos por muitos anos.

  32. Havia muitos em Moçambique Lourenço Marques, mas onde havia centenas milhares era em Pretoria África do Sul, floriam em Setembro Primavera lá e havia uma dia não me recordo se era feriado mas devia ser porque milhares de pessoas enchiam os passeios para ver passar a parada da rainha do Jacaranda, eram carros alegóricos todos enfeitados com as flores dessa magnífica árvore.

  33. A Primavera com sabor já a Verão é o tempo dos jacarandás.
    Se tivesse o aroma das tilias, seria a “donna assoluta “!

  34. O jacarandá, a “donna assoluta?
    Sim ,mesmo sem o aroma das tilias!

  35. Setembro é o início da primavera, no hemisfério sul Talvez uma memória genética?

  36. Habituei-me desde a mais tenra idade a conviver com estas árvores na Av. D. Carlos I, em Lisboa.
    Que lindas são as jacarandás de Lisboa.

  37. Artigo que me fez conhecer muita coisa,sobre essas árvores belíssimas que dão pelo nome de jacarandás.As suas flores são bonitas e fazem sentir em nós um
    misto de eterno fim de tarde de Verão……, acho
    que é uma arvore de fim
    de tarde,se não sabem o
    que é este sentir,perguntem ao vosso coração. Tenho um amigo de quem gosto muito,que tem uma planta destas, de estimação……

  38. Será que apanhando umas sementes e pondo num vaso, vai brotar um jacarandázinho ?

  39. Portugal e Brasil, com a Sua Majestosa Natureza…ao mais Alto Nível…
    A resina das suas flores… não me incomoda de forma nenhuma. O que me incomoda mesmo, são os excrementos de pombos(que pousam noutras espécies de árvores)no meu carro…Os Jacarandás, perfumam e embelezam Lisboa…
    Que não haja atrocidades, quando se podam…está especie, pois só alegram e dão um colorido alegre ao quotidiano lisboeta.
    Deveriam plantar muitas mais…
    Também começam a ficar bonitos em Lisboa… na Zona do Parque das Nações, Poço do Bispo, Campo de Santa Clara,etc.
    Que não acabem com estas Árvores Lindíssimas, que fazem parte de alguns postais vivos da Cidade e que marcam o início do Verão com a sua maravilhosa tonalidade roxa e o princípio do Outono/Inverno…dando mais cor á nossa vida…

  40. Por mero acaso encontrei esta página, o que muito me agradou.
    Sendo provavelmente um dos anónimos que mais enaltece a beleza destas magníficas arbóreas, apregoando aos 4 ventos e a alguns bons amigos o desperdício de não observarem, admirarem e se pasmarem com tamanha lindeza, na lindeza tamanha desta extraordinária urbe Lisboeta.
    Mas agora desculpem, até parece que não conhecem ou nunca passaram pela Praça D. Pedro IV (Rossio ) neste florescente amanhecer.
    Simplesmente o melhor e mais belo enquadramento de Jacarandas, uma vez que toda a praça é por eles adornada.
    Independentemente da Av. 5 de Outubro, Av. da Torre, Janelas Verdes etc, voltem à cidade, ao nosso Rossio e ganhem tempo, apreciando mansamente toda a sua envolvencia e digam da Vossa razão.

  41. Podiam deixar migrar para a margem sul. É uma árvore soberba, magnífica vale bem poisar os olhos nesta maravilha da natureza

  42. Ainda bem que alguém me chamou à atenção que eu dera uma resposta a uma pergunta sem ter lido o texto. Senti curiosidade e fui ler o artigo completo. Não consegui parar sem chegar ao fim. Sou fascinada pelas árvores e desta especialmente que me preenchia os olhos quando a árvore se cobria de flores lilases. Ela aparece noutros lugares e não só em Lisboa e daí a minha curiosidade quando via fotos de ruas de Lisboa com os jacarandás floridos de um azul lilás a despertar a atenção de quem as observa. Há qualquer coisa que nos sacode de repente. De onde veio este azul? Do céu? Sim agora que li o texto todo sei de onde vieram os jacarandás e que a minha resposta na ponta da língua estava incompleta. Vieram do Brasil mas…há uma história por trás de cada jacarandá que vemos por aí a pincelar a paisagem. Obrigada por me enriquecerem com todos os pormenores ligados a esta árvore da qual tive alguma dificuldade em saber de cor o seu nome e que para não me esquecer a associava aos jacarés.

  43. Sim, em Coimbra também já há jacarandás, na avenida Fernando Namora, onde vivo, de flor lilás, lindíssimos!

  44. Havia belíssimos na antiga Lourenço Marques (actual Maputo) onde nasci.

  45. Olá! Um amigo aqui do Brasil me mostrou lindas fotos de Lisboa. E os jacarandás me impressionaram muito. Sequer sabia eu que essa árvore parecida com quaresmeira ou ipê era, na verdade, jacarandá… Essa matéria, carregada de linguagem metafórica, tão adequada para falar de tão lindas paisagens, chegou-me muito oportunamente. Muito obrigada! Leitura fácil e prazerosa.

  46. Em Maputo ex Lourenço Marques ha muitas árvores de jacarandas. Apesar de ser conhecida pela cidade das Acácias Vermelhas

  47. E fantástico não apenas pelo efeito que faz sobre Lisboa mas sobretudo pelo conhecimento que nos traz sobre a planta e como esse conhecimento vê para ser divulgado o artigo está muito em bem enquadrado.
    José Lucss

  48. JACARANDÁS DE LISBOA
    DE
    JOÃO COELHO DOS SANTOS

    Torre de Belém

    Tange o vento sua cítara,
    À volta do jacarandá de Lisboa.
    Perto, sem cessar, a onda ruge
    E embala adormecida canoa.
    De algas se vestem as estrelas-do-mar
    E, sem saber o seu destino,
    Minha alma vagueia em castelos de menino.

    Desperta e embeleza-se a aurora,
    Que dança nos braços do jacarandá.

    Em sua cor sabe o jacarandá
    Que há tormentos na esperança
    E alegrias no inferno.

    É metafórico o falar
    Que percorre meus poemas,
    Mesmo quando não ecoa
    Um qualquer lamento da minha voz.

    Enfim, o braço cansado da noite repousou,
    Anoiteceu e adormeceu.

    Como em tesouro, se guardam as joias
    Das flores azuis do jacarandá de Lisboa!

    Não sei quantas almas tenho

    Do livro
    EU EM PESSOA
    Prefácio de Eugénio de Sá
    Lançamento 16 junho 2015
    Teatro da Trindade – Lisboa

  49. Como se diz em Portugal, gostei imenso! Realmente a cidade fica linda,toda enfeitada. Lindo de se ver.

  50. Aqui no Brasil temos o Ipê (o Roxo (Lilás) e o Amarelo), muito comum na cidade do Rio de Janeiro. Já o Jacarandá eu não conhecia sua floração! Só conhecia sua madeira, nobre!
    Meu filho André Maceira me chamou à atenção deste artigo.

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