Os moradores da rua de Manchester num dos concursos de Santo António, 2019.

Há uma rua em Arroios que se distingue de todas as outras ruas no bairro. É possível ter-se a sensação de estar em casa apenas ao chegar à sua enorme escadaria. Gestos cúmplices e solidários plantaram canteiros, fizeram de uma árvore um bengaleiro para livros, construíram bancos, mesas, alimentaram uma Caixa Solidária. Vestiram as tílias de pássaros de madeira, decorações e casas de insetos. 

A pandemia pode ter feito recolher as pessoas e acabar com os convívios, mas há um rasto visível de amizade e encontro aqui. 

Tudo começou em 2017, por causa das tílias da rua. Carlos Sacramento, morador e fundador do Grupo de Moradores, e Lídia Correia contam como as Tílias, as árvores opulentas que crescem nos canteiros da escadaria, foram o motor da mobilização dos moradores. Em 2016 a Junta de Freguesia de Arroios e a Câmara Municipal de Lisboa propuseram-se a reabilitar a escadaria. No entanto, essas obras de reabilitação incluíam a remoção das tílias. 

Perante essa possibilidade, os moradores uniram-se para contestar a ação, pressionando a Junta de Freguesia. Na altura, obtiveram até apoio da Plataforma de Defesa das Árvores. E assim germinava o Grupo de Moradores da Rua Cidade de Manchester, com duas preocupações que se manteriam sempre presentes: uma boa gestão do espaço público e a preservação ambiental. 

As Tílias que já cresceram foram a causa da união dos vizinhos. Foto: @nicorojasr

Uma rua social

A criação do Grupo de Moradores já tinha sido semeada em 2014 por Carlos, aguardando apenas o solo fértil de um acontecimento que os mobilizasse. Carlos fê-lo por se deparar com uma sensação de isolamento que se vincava ano após ano, na rua onde outrora conhecera todos os vizinhos. Estava prestes a ser pai e queria que o filho soubesse o que é crescer num lugar de confiança e confraternização. “Eu sempre morei aqui há quarenta e um anos e ia sentindo que ia conhecendo cada vez menos pessoas da rua e menos do próprio prédio. E eu não achava isto normal”, conta. 

Foi então que se cruzou com uma reportagem sobre o Social Street, um projeto digital de vizinhança de proximidade, em Bolonha, criado pelo jornalista Federico Bastiani. Arrancara em setembro de 2013 com o grupo de Facebook “Moradores da Rua Fondazza – Bolonha – Social Street Itália” e inspirou outros vizinhos a fazer o mesmo um pouco por todo o mundo.  “O que o grupo incentiva é que realmente os vizinhos se conheçam. Que se conheçam do virtual para o real. De um grupo de Facebook para encontros regulares dos moradores”, explica Carlos. 

Teresa Maia, Ângela Brás e Carlos Sacramento, três dos moradores mais ativos.

Em Portugal, o projeto tinha como embaixadora a antropóloga Carla Isidoro, depois desta ter contactado Federico. Começava-o em 2014 na Avenida Almirante Reis, com a ajuda da então administradora do grupo de Facebook, Vanda Carvalho, e tornou-se o primeiro grupo do Social Street Portugal. Rapidamente se alastrou a outras zonas como, Cacém, Setúbal e Maia. Carlos trazia-o para a rua cidade de Manchester. 

O Grupo de Moradores da Rua Cidade de Manchester tinha então dois ingredientes chave para o sucesso do projeto: um espaço propício ao convívio, como o largo e a escadaria que constituem a rua (é um desafio acrescido fazer florescer o projeto numa grande avenida) e um grupo de vizinhos mobilizado em torno de um objetivo comum.

Exemplo deste sucesso é o número de atividades que têm sido organizadas. “No primeiro ano fizemos treze [atividade] e essa foi a média, portanto em três anos de atividade teremos feito umas trinta e tal”, conta. “A nossa primeira atividade foi colocar sardinheiras nos canteiros”. Todas as tílias da escadaria, que na primavera têm um frondoso manto verdejante, são circundadas por canteiros comunitários. Numa placa pode ler-se: “Leve amor. Deixe apenas plantas”. 

Qualquer vizinho pode alimentar e cuidar dos canteiros, mas são também organizadas sessões de plantação em grupo. Construíram-se cercas para os canteiros, penduraram-se pássaros de madeira e casas para insetos, apanharam-se beatas do chão. “Quando a pessoa faz tem sempre a tendência de cuidar e de deixar bonito, não só para si, para os outros também”, assinala Lídia. 

Mais abaixo, no largo que recebia animados convívios – antes da pandemia – o tronco de uma árvore tem uma caixa de madeira em jeito de biblioteca, convidando quem passa a levar ou deixar um livro. Mesmo ao lado, uma Caixa Solidária é lugar de troca de bens para quem mais precisa. Mas não é tudo. 

Assim se constroem os vizinhos

O pequeno largo já recebeu concertos, feiras, até aulas de Tai-chi, dadas por um morador praticante. Generosidade, iniciativa, solidariedade, atenção ao outro: assim se constroem relações de vizinhança. Certo dia um vizinho encontrou ninhos de madeira abandonados junto a um Ecoponto e a partir daí reuniram as crianças da rua para os pintarem e pendurar nas árvores. 

Carlos e Lídia recordam com carinho o dia de encontro para ver o Europeu de Futebol em que Portugal foi campeão: a escadaria cobriu-se de vizinhos e copos de cerveja, improvisando-se um ecrã. No Santo António fazem a festa e o tradicional trono. No Natal, ornamentam as árvores com luzes e embalam a vizinhança com concertos. Chegam a reunir nestas alturas centenas de pessoas na rua, particularmente famílias com crianças. Nenhuma atividade dispensa um lanche: todos partilham cabazes de comida, nada se vende, tudo se troca, mesmo em celebrações como o Santo António. 

Apesar de o grupo de Facebook ser uma plataforma de comunicação importante, especialmente em tempos de pandemia, a preferência pela presença corpo a corpo mantém-se. Lídia dá o seu exemplo. “O Carlos, fui conhecendo a vê-lo a fazer aqui atividades na rua. O meu companheiro tem Facebook e é bastante assíduo e ia-me dizendo o que ia acontecendo. Começámos mais a envolvermo-nos quando foi o evento dos canteiros. E eu nem preciso [de Facebook] porque alguém me liga: ‘Olha vai lá, está a acontecer um evento x’. Depois criámos uma relação de amizade que vai para além disso.” 

A rua cidade de Manchester nos anos 60. Foto: Augusto de Jesus Fernandes/Aquivo Municipal de Lisboa

E acrescenta: “Eu acho que quando passa para além do virtual o vínculo é muito mais forte. Falamos um bocadinho da vida, de uma experiência, e cria-se uma relação que depois se vai construindo. Às vezes já vou atrasada para o trabalho, porque perdi-me na conversa com as pessoas, é muito giro”.

Luís Filipe, 44 anos, Engenheiro do Ambiente, partilha o prédio com Carlos há cinco anos. Assinala a efervescência de discussão e consciencialização para uma apropriação não privatizada do espaço público. Chama-lhe Urbanismo Tático. Teorizando explica que é uma das linhas mestras desta apropriação mais consciente do espaço, tal como a história que a Mensagem contou, de dois vizinhos em Arroios já tinha demonstrado.

Foi um movimento difundido a partir de 2010 com o objetivo de repensar estrategicamente os espaços públicos, com vista a torná-los mais práticos, úteis e ambientalmente sustentáveis. E na Rua Cidade Manchester isso é bem visível. No cimo da escadaria, um pequeno canteiro ladeia um caixote de lixo, revertendo com sucesso a deposição de lixo que era frequente. Mais abaixo, o pequeno largo pôde tornar-se um espaço amplo para convívios e até para facilitar a entrada de carros de bombeiros, ao ser ocupado com bancos, evitando assim a ocupação por automóveis.

Ainda a meio da escadaria, duas antigas vizinhas encontram-se sob um sol quente de final de tarde. Os seus raios atravessam a folhagem alta das tílias, iluminando a escadaria que vai recebendo outros moradores, distanciados, aproveitando o calor de uma Primavera que começa a despontar. Ângela Brás, 40 anos, e Teresa Maia, 50, trocam um saco com caixas de madeira. Como é hábito acontecer, combinaram a troca através do grupo de Facebook dos moradores. Teresa vive algumas ruas abaixo e Ângela já não mora em Arroios, mas nem por isso deixou de fazer parte do Grupo. 

A Rua Cidade de Manchester é sem dúvida o epicentro e o palco por excelência para o Grupo de Moradores, mas os vínculos vão muito além de uma marcação do espaço físico, atraindo pessoas de zonas adjacentes e incluindo outras que, como Ângela, já não habitam a rua. 

Os problemas da fama

Este fluxo de moradores tem-se tornado cada vez mais frequente. “O que eu noto nos últimos três anos é que há muita rotatividade, as pessoas vêm e vão”, conta Lídia. Esta rotatividade não é inócua, é a gentrificação a não dar tréguas. Num azulejo fixado num dos degraus, em jeito de protesto, pode ler-se: “Não tenho qualquer razão de queixa dos meus proprietários, mas eles resolveram não renovar o contrato. Não tenho dúvida de que o fizeram para poder triplicar o preço da renda. Tratando de uma família monoparental a recorrer a um salário de técnica superior de saúde ainda não percebi como vou fazer para manter-me a viver no bairro em que vivo há catorze anos”. 

Uma festa de Natal, no bairro. Foto: Junta Freguesia de Arroios

Carlos reforça: “Nós temos conhecimento desses casos. Há pessoas que se estão a ir embora porque os preços são caros. Sentimos que as pessoas são um bocado empurradas a tomar uma decisão quanto a outro sítio para ir”.

Entre as mudanças e intermitências de uma habitação cada vez mais instável, entre os que por esta rua passam e os que se vão deixando ficar, o espírito acolhedor deste Grupo de Moradores permanece, ano após ano, tão perene quanto as tílias que juntos preservaram. Segurança, proximidade e maior bem-estar são os benefícios apontados.

“Sair à porta, conhecer o rosto de quem passa por nós e sorrir, isso faz muita diferença no dia”, conta Carlos. Já faz planos para o futuro, nomeadamente a maior exploração do tal Urbanismo Tático. Há uma missão que atravessa o tempo: mostrar que é possível criar um espaço verdadeiramente público e uma rua que se torna mais uma parte de casa. Afinal, viver em conjunto pode significar muito mais do que viver no mesmo espaço. 

*Rita Velez Madeira está a estagiar na Mensagem ao abrigo do protocolo com a Universidade Nova de Lisboa, FCSH, Ciências da Comunicação, no projeto Correspondente de Bairro. Nasceu em Évora, aprendeu a fazer casa nas viagens de comboio entre as duas cidades, com vontade de escutar e contar histórias, de viver nesse lugar de fronteira que há entre nós e o Outro. Este texto foi editado por Catarina Reis.

Conhece mais ruas como esta, em Lisboa, que todos devíamos conhecer? Envie-nos informação aqui em baixo.

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11 Comentários

  1. Neste momento estou com uma certa curiosidade em ir conhecer a rua de Manchester…talvez um dia. É sempre bom valorizar as relações interpessoais e os bons vizinhos que ao fim nos fazem sentir em casa. Excelente reportagem, já estou ansiosa pela próxima.

  2. Olá Cátia, obrigado pelo seu comentário – ainda bem que gostou. Já conhece o Jardim dos Moradores em Alvalade? Nasceu da persistência da D. Florentina com a ajuda dos vizinhos: LINK

  3. Nos meus anos de pré adolescência esse local entre os meus era chamado apenas de escadinhas…
    Hoje, é com um orgulho de eterno puto rebelde que recordo as guerras de balões d’água entre “nos” praceta, contra o triângulo.
    Essas eternas escadinhas, serão no mínimo sempre lembradas como palco de grandes “batalhas”

  4. Na vossa estimada reportagem no campo: Bairros e designada ” Sair, conhecer quem passa e sorrir, faz muita diferença!” E assim é a Rua de Manchester”, pode ser ler o seguinte apontamento: O pequeno largo já recebeu concertos, feiras, até aulas de Tai-Chi, dadas por um morador praticante. Venho complementar o vosso texto coma seguinte informação: Essa actividade foi realizada no dia 08 de Julho de 2017 com a designação ” Abraçar as Tílias Tai-Chi/Chi-Kung às escadinhas”. O vizinho que orientou essa aula aberta é treinador de Tai-Chi e de Chi-Kung, à data com vínculo à Federação Portuguesa de Artes Marciais Chinesas e portador dos Títulos Profissionais de Treinador de Desporto, nas áreas especificas quer do Tai-Chi, quer do Chi-Kung, emitidas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, cujo circulo das suas actividades nestas áreas é muito confortável. Esse “morador”, tão anónimo, nasceu, cresceu e tem vivido ininterruptamente desde de 1950 até há presente data (31.03.2021) e/ou seja há mais de 70 anos. no Bairro de Inglaterra, onde estão inseridas a escadinhas da Rua Cidade de Manchester, o seu maior Orgulho é que a grande maioria dos vizinhos do Bairro de Inglaterra e Bairros circundantes o conhecem e o tratam carinhosamente, pelo seu nome próprio: Alfredo.
    Melhores cumprimentos,
    Alfredo

  5. Muito bom artigo; espelhando a atividade do Grupo em prol do coletivo habitacional da Rua, pode trazer-nos a vontade de repercutir noutras zonas de cidade; porém, pela experiência de “Comissão de Condomínio”, julgo muito difícil quer por, alta rotatividade dos “vizinhos”, não permitindo tempo suficiente para conhecimento mútuo e uma proximidade sã, útil e profícua, quer por falta de assertividade nas formas diferentes de pensamento e de gestão “da coisa publica e comumente exposta”. Desejo que não esmoreçam porque só muita carolice alicerça a manutenção dos GM.

  6. Parabéns pela reportagem. Parabéns a todos os que se esforçam por manter o Bairro de Inglaterra vivo. Cresci nele. Vivi nele. E estou a desistir dele… Falam da alta rotatividade dos vizinhos? O termo “vizinho” quase está a desaparecer daquele espaço. Agora são hóspedes. De curta/curtíssima duração. Alguns deixam saudades. Outros nenhuma. Uns respeitam que ali vive. Outros só chegam o tempo suficiente para umas bebedeiras e zarpam para outros espaços. No tempo em que permanecem infernizam a vida dos outros. É pena, mas é esta a realidade do Bairro de Inglaterra. Quase “hostel do bairro de Inglaterra”. Do qual vejo gente a sair porque não suporta o barulho, a grosseria, a boçalidade de turistas da borracheira, que nada nem ninguém respeitam. Para que um bairro tenha vida, tem que ter tranquilidade, condições para criar uma família, para desfrutar do espaço. Para viver bem neste espaço seria necessário que houvesse respeito de quem o visita e nele permanece, mesmo que pouco tempo. Vejo pessoas que ali viveram décadas, a sair. Já não aguentam mais noites sem dormir, dias a suportar música com níveis de concerto, em prédios que era suposto serem residenciais.
    No Bairro Alto o barulho vem do espaço público para dentro de casa. No Bairro de Inglaterra há que já se refugie nos carros por não aguentar o barulho do interior dos prédios.
    A Rua Cidade Manchester está linda! Pura e simplesmente linda! Não se fiquem por aí! Tentem inculcar em quem a visita e nela (tão brevemente) reside as mais breves noções de respeito pelos vizinhos. Talvez o exemplo pegue. E se transmita à Cidade de Liverpool, Cidade Cardiff, Poeta Milton… que progressivamente vão deixando de ter habitantes para se converterem em zona de animação noturna de 3ª categoria

  7. Não gosto de guerras de “alecrim e manjerona”, nem tão pouco de mal estar
    inter-vizinhos, mas não posso deixar de dar o meu testemunho como alguém que nasceu e sempre viveu no Bairro de Inglaterra, após ter lido o comentário “tão indignado” do “vizinho Pereira”, o qual até em determinados pontos concordo. Não nos podemos esquecer que as Escadinhas da Rua Cidade de Manchester, sofreram uma requalificação formidável, devido ao esforço e trabalho, não só dos vizinhos dessa artéria, mas também dos vizinhos do restante Bairro, Bairros limítrofes e Amigos, foi uma OBRA COLECTIVA. A sua manutenção e efectivação de eventos também estão inseridos desse Espírito de Comunidade. , ” o seu a seu dono”.
    Não posso deixar de discordar quando surge o comentário ” Tentem inculcar em quem a visita e nela (tão brevemente) reside as mais breves noções de respeito pelos vizinhos. Talvez o exemplo pegue. E se transmita à Cidade de Liverpool, Cidade Cardiff, Poeta Milton… que progressivamente vão deixando de ter habitantes para se converterem em zona de animação nocturna de 3ª categoria” . Meu caro é uma afronta e falta de respeito por quem habita nessas artérias, não sei se já reparou, o que acontece frequentemente nas Escadinhas da Rua Cidade de Manchester, grupos de amigos, individuais, que usam esse espaço não só para conviverem, para beberem, comerem, falarem alto e depois deixam um rasto de sujidade para trás, além de atitudes menos lúdicas (como fumarem tudo menos tabaco), num local que é trajecto de passagem para muitas crianças e adolescentes, isso são situações que nunca e/ou raramente acontecem nas “ruas de animação nocturna de 3ª. categoria” como é descrito no seu texto que não estão a perder moradores Como estamos em confinamento, quando o “nosso”vizinho fizer o seu passeio higiénico permitido, peço que percorra atentamente essas artérias e depois comente. Já agora aproveite acalmia das nossas Escadinhas, procure uma sombra, leia e interprete os Provérbios Portugueses, os quais aconselho: “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, “Quem tem telhados de vidro, não atira pedras ao telhado do vizinho” pois para mim preferi: “nem tudo o que brilha é ouro”.

  8. Eu percorro atentamente essas artérias desde que nasci. Já as percorria ao ir para a escola primária. continuo a fazê-lo para ir trabalhar. Por isso tenho o DEVER de comentar. Quer um exemplo de um episódio triste, ocorrido no prédio que faz esquina entre a Cidade Manchester e a Poeta Milton? Uma vizinha, que sempre conheci, e é, educada e correctíssima, aos gritos na madrugada: “VÃO-SE EMBORA! VOLTEM PARA A VOSSA TERRA! VOCÊS NÃO SÃO BEM VINDOS!!!”. Eram os gritos de alguém desesperado com uma festa realizada no pátio do seu prédio. Festa barulhenta de gente parva, sem educação, sem qualquer respeito pelos vizinhos. Como tantas outras. Nocturnas. Como as há diurnas. Brutais pela intensidade do barulho. Será que quem o faz pensa que tem o direito a invadir o espaço dos outros? Os quintais que constituem as traseiras da Manchester, Cardiff, Milton, são todo um exemplo de espaços em que reina a anarquia e mais elementar falta de respeito pelos vizinhos. Há poucos anos eram a imagem de paz dentro de uma capital. O que mudou? Entraram os festivaleiros. Vão saindo os (verdadeiros) vizinhos.
    Proibe-se a música? Nunca! Adoro música. Mas não imponho os meus gostos aos vizinhos do lado. Quanto mais ao bairro todo…
    Festas? Todas as que possa participar! Mas sem forçar a “participar” quem no apartamento do lado está a trabalhar, a repousar, a convalescer de uma doença, a estudar, seja o que for…
    Chama-se a isto respeito, cidadania. Continuem a ignora-lo e vão ver o que resta do Bairro d’Inglaterra…

  9. E, já agora, vizinho Alfredo, sem tem dúvidas sobre o estado a que está a chegar o (ainda) nosso bairro, pergunte na Esquadra da PSP que cobre a nossa zona, quantas vezes foram chamados no último ano por causa de queixas sobre o excesso de ruído (e não, não tem a ver com confinamentos e “covides”…)
    E atenção: Já só acorrem após as 23H. Se fizer um concerto de heavy metal às 16H, até levar os vizinhos ao desespero máximo!, a PSP diz que não pode fazer nada! Só a partir das 23… (no passado Sábado não foi Heavy Metal: foi flamenco! Com sapateado e tudo! Um imbecil que pensa ter jeito pra coisa quis demonstrar a todo o quarteirão o quanto era ignorante e durante meia hora impôs a sua lei aos outros…). Mais nazi que aquilo é impossível…

  10. Subscrevo na totalidade o seu comentário. A Rita Velez Pereira dá uma visão romântica e errada das actividades promovidas na R.Cidade de Manchester e da vivência de “bairro” onde só meia dúzia de pessoas se conhece. Uma pequena burguesia, urbana, nacional e estrangeira, políticamente correcta com uma única vertente que é a da integração de si próprios. Um bairro é muito mais que isso. Um bairro integra velhos e novos, partilha e respeita, o que não é o caso. Aqui promove-se um pseudo ambientalismo em que o plástico reina, a literatura é de cordel, a “jardinagem” é desmotivadora e nociva e o barulho é a prática. Embora amputadas com podas fora do tempo, salvaram-se as tílias e apenas por isso o meu aplauso. Seria tempo de reivindicar à Junta de Freguesia, à Câmara Municipal ou a quem acharem por bem um acesso elevatório, para a penosa subida.

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